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Isabel Teixeira faz de Pilar Brandão a força motriz de Quem Ama Cuida

Atriz transforma a principal vilã da novela das nove em uma personagem que divide opiniões, provoca reações intensas e sustenta boa parte dos conflitos da trama

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Crítica sobre a interpretação de Isabel Teixeira como Pilar Brandão em Quem Ama Cuida

Desde a estreia de Quem Ama Cuida, uma personagem tem concentrado boa parte das atenções do público: Pilar Brandão. Interpretada por Isabel Teixeira, a irmã ambiciosa de Arthur Brandão surgiu como a principal antagonista da trama criada por Walcyr Carrasco e Claudia Souto. E, embora a novela ainda esteja em suas primeiras semanas, já é possível afirmar que a atriz se tornou um dos pilares dramáticos da produção.  

A missão não era simples. Depois do enorme reconhecimento conquistado por Isabel em trabalhos recentes, especialmente após o fenômeno de Pantanal, a expectativa em torno de sua estreia como grande vilã de uma novela das nove era elevada. A própria atriz admitiu, em entrevistas de divulgação, que Pilar seria uma mulher capaz de despertar indignação no público.  

O resultado, ao menos até agora, tem sido coerente com essa proposta.

Uma vilã clássica em tempos modernos

Pilar foi concebida como uma personagem que remete às grandes antagonistas da dramaturgia brasileira. Ela é sofisticada, calculista, manipuladora e movida pela obsessão pelo patrimônio da família Brandão. Desde os primeiros capítulos, a personagem vê Adriana como uma ameaça aos seus interesses e passa a agir para destruí-la.  

Nas mãos de outra atriz, Pilar Brandão poderia facilmente se transformar em uma caricatura. Isabel Teixeira, porém, consegue encontrar nuances que impedem a personagem de se resumir apenas à maldade. Há momentos em que a atriz deixa transparecer ressentimento, frustração e até uma espécie de sentimento de injustiça diante da relação construída entre Arthur e Adriana, além de uma dose certa de humor. Isso não torna Pilar menos cruel, mas a torna mais interessante.

É justamente nessa construção que está um dos maiores méritos da atuação.

O exagero é defeito ou característica?

Parte da repercussão do público nas redes sociais mostra uma divisão de opiniões. Enquanto muitos elogiam a presença cênica da atriz, o gestual como alicerce da interpretação e sua capacidade de dominar as sequências de confronto, alguns espectadores consideram sua interpretação mais intensa e teatral do que o habitual. Em fóruns e comunidades de discussão sobre novelas, surgiram comentários apontando que Pilar parece excessivamente carregada em determinados momentos.  

No entanto, é preciso contextualizar essa crítica.

Walcyr Carrasco sempre trabalhou com personagens maiores que a vida. Vilãs marcantes de suas novelas costumam operar em um registro mais melodramático, característica histórica do gênero. Nesse sentido, Isabel Teixeira parece compreender perfeitamente a linguagem da obra. O tom elevado não surge como um erro de interpretação, mas como uma escolha alinhada à proposta narrativa.

Em outras palavras: Pilar não foi criada para ser discreta.

O motor dramático da novela

Outro aspecto que merece destaque é a importância da personagem para o funcionamento da trama.

Grande parte dos conflitos que movimentam Quem Ama Cuida nasce diretamente das ações de Pilar. Seja na disputa pela herança, na perseguição a Adriana ou nas articulações dentro da própria família Brandão, a personagem é responsável por impulsionar acontecimentos decisivos.  

Isso faz com que Isabel Teixeira esteja constantemente no centro das cenas mais tensas da novela. E a atriz demonstra segurança ao dividir espaço com nomes experientes como Antonio Fagundes, Tony Ramos e Alexandre Borges.  

Seu trabalho também contribui para dar identidade própria à novela em um momento em que a audiência e a repercussão inicial ainda geram debates entre crítica e público.  

Veredito

Ainda é cedo para cravar se Pilar entrará para a galeria das vilãs históricas da televisão brasileira. Essa resposta dependerá da evolução da trama e dos próximos capítulos.

Mas uma conclusão já parece evidente: Isabel Teixeira entrega exatamente aquilo que a personagem exige. Sua atuação pode não ser unanimidade, mas dificilmente passa despercebida. Em um gênero que vive de emoções fortes, isso costuma ser uma qualidade valiosa.

Se Quem Ama Cuida pretende transformar Pilar em uma personagem odiada, temida e comentada, a atriz está cumprindo seu papel com eficiência. E, no universo das novelas, provocar reações intensas costuma ser um dos maiores sinais de sucesso.

O texto Isabel Teixeira faz de Pilar Brandão a força motriz de Quem Ama Cuida foi publicado primeiro no Observatório da TV.