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Em Família com Eliana encerra primeira temporada como acerto estratégico da Globo, mas ainda busca identidade própria

Com audiência consistente, boa repercussão nas redes e o carisma de Eliana, programa cumpriu sua missão de consolidar a apresentadora na emissora, embora ainda enfrente desafios para se tornar indispensável aos domingos

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Reprodução / Internet

A primeira temporada de Em Família com Eliana chegou ao fim neste domingo (07), deixando uma sensação curiosa: a Globo acertou ao contratar Eliana, mas o programa ainda está em processo de descoberta.

A pausa ocorre por causa da cobertura da Copa do Mundo de 2026, e a atração já tem retorno previsto para o segundo semestre. Ao longo de quase três meses no ar, o dominical cumpriu um objetivo fundamental da emissora: apresentar oficialmente uma das comunicadoras mais populares da televisão brasileira ao público da Globo. E isso não é pouca coisa.  

Desde a estreia, em março, o programa apostou em uma fórmula familiar, emocional e confortável. Histórias inspiradoras, reencontros, entrevistas afetivas, participações de famosos e quadros voltados para o cotidiano formaram a espinha dorsal da atração. Era uma proposta que dialogava diretamente com a imagem construída por Eliana ao longo de mais de uma década no SBT.  

O resultado foi um programa agradável, tecnicamente bem produzido e conduzido por uma apresentadora que continua dominando como poucas a arte de conversar com o público popular sem parecer artificial.

O maior acerto foi Eliana

Se existe uma conclusão inquestionável após a primeira temporada, ela atende pelo nome de Eliana.

A apresentadora chegou à Globo sem tentar reinventar a própria trajetória. Pelo contrário: trouxe consigo exatamente aquilo que a transformou em uma das maiores estrelas da televisão brasileira. O tom acolhedor, a capacidade de ouvir convidados e a habilidade de emocionar sem cair excessivamente na pieguice continuam sendo seus maiores diferenciais.

Em um cenário de televisão cada vez mais acelerado e dominado por cortes rápidos para redes sociais, Eliana apostou na contramão. Seu programa ofereceu conversas mais longas, histórias humanas e um ritmo mais próximo do que tradicionalmente se espera de uma tarde de domingo em família.

Foi justamente essa autenticidade que gerou identificação com boa parte do público.

A audiência foi boa, mas não espetacular

Os números também ajudam a entender o saldo da temporada.

A estreia registrou índices considerados bastante positivos para a faixa, garantindo liderança confortável para a Globo e superando com folga os concorrentes diretos. Em São Paulo, o programa estreou com mais de 10 pontos de audiência e ampla vantagem sobre SBT e Record.  

No entanto, as semanas seguintes mostraram uma queda natural. Em determinados momentos, o programa perdeu cerca de 27% do público em relação à estreia e chegou a ver o Domingo Legal, de Celso Portiolli, reduzir significativamente a distância entre as emissoras.  

Ainda assim, é preciso contextualizar.

A Globo não contratou Eliana para revolucionar os índices dominicais da noite para o dia. O objetivo era fortalecer a faixa vespertina, ampliar o alcance comercial do domingo e incorporar ao elenco uma apresentadora com enorme credibilidade junto ao mercado publicitário e ao público familiar.

Sob esse aspecto, a missão foi cumprida.

Mesmo quando os números oscilaram, o programa permaneceu competitivo e manteve a liderança na maior parte do tempo.  

Falta um elemento que torne o programa indispensável

O principal problema da primeira temporada não esteve na condução nem na produção.

A questão é conceitual.

Ao final de quase três meses, ainda é difícil responder com clareza: o que torna Em Família com Eliana diferente de outros programas de variedades?

O dominical funciona bem quando aposta na emoção, mas raramente apresenta quadros capazes de gerar expectativa para a semana seguinte. Falta aquele elemento que faça o telespectador pensar: “não posso perder o próximo programa”.

Historicamente, grandes dominicais brasileiros sempre tiveram marcas registradas. Domingão do Faustão tinha seus quadros clássicos. Programa Silvio Santos tinha os jogos. Domingo Legal tem suas competições e gincanas.

Em Família com Eliana ainda parece depender mais da força da apresentadora do que de uma identidade própria consolidada.

E isso pode se tornar um desafio para a próxima temporada.

Repercussão positiva e caminho aberto para crescer

Nas redes sociais, a recepção foi majoritariamente favorável. Muitos espectadores destacaram o retorno de Eliana aos domingos e elogiaram a naturalidade da apresentadora, algo que sempre foi uma marca de sua carreira. A própria despedida temporária do programa gerou forte repercussão e emoção entre os fãs.  

A sensação é que a Globo acertou ao não tentar transformar Eliana em uma versão feminina de outros apresentadores da casa. Ela permaneceu sendo ela mesma.

Agora, com a primeira temporada encerrada, a emissora ganha um período precioso para avaliar o que funcionou e, principalmente, o que pode ser aprimorado.

Se conseguir desenvolver quadros mais fortes e uma identidade editorial mais clara, Em Família com Eliana tem potencial para crescer bastante em sua segunda temporada.

Porque a estrela principal já está pronta.

O programa é que ainda precisa descobrir exatamente quem quer ser.

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