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A vila de pescadores no Rio de Janeiro que une 4 mil anos de história, praias paradisíacas e jazz

A antiga vila de pescadores que encanta com jazz.

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Rio das Ostras é marcada por qualidade de vida, natureza e hospitalidade // Créditos: depositphotos.com / alxcoimbra

Os indígenas chamavam este trecho do litoral fluminense de Leripe, que em tupi-guarani significa “Lugar de Ostra”. O nome mudou, mas a essência ficou. Rio das Ostras é uma antiga vila de pescadores no Rio de Janeiro que guarda 28 km de costa, um sambaqui com vestígios de 4 mil anos e o maior festival de jazz e blues da América Latina.

De sesmaria jesuíta a balneário da Costa do Sol

A ocupação humana na região remonta a milhares de anos. O Sambaqui da Tarioba, registrado pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) em 1967, preserva esqueletos, ostras gigantes e ferramentas de pedra de povos que viviam entre o rio e o mar. O museu, inaugurado em 1999, é um dos poucos do país no formato “in situ”, com o material exposto exatamente como foi encontrado.

No período colonial, a faixa litorânea pertencia a uma sesmaria doada aos jesuítas em 1630. Eles ergueram o Poço de Pedras, construído por mãos escravizadas no século XVIII, que servia de ponto de abastecimento para navegadores na Baía Formosa. O poço foi reconstruído em 2000 e hoje é parada obrigatória na orla da Praia do Centro.

Com 4 mil anos de história e 15 praias, essa vila de pescadores no Rio de Janeiro conquista com seu jazz
A antiga vila de pescadores aprendeu a transformar sua história em experiência. / Créditos: Wikipédia

O que visitar em 28 km de litoral fluminense?

Rio das Ostras distribui 15 praias ao longo de sua costa, com opções para famílias, surfistas e quem busca isolamento. Fora da areia, parques, lagoas e monumentos completam o roteiro.

  • Praia das Tartarugas: Praia de mar calmo e águas esverdeadas, conhecida pelos quiosques à beira-mar e pelas frequentes aparições de tartarugas marinhas.
  • Costazul: Principal trecho da orla de Rio das Ostras, com 2,3 quilômetros de praia e um píer de 200 metros muito procurado para pesca e contemplação do nascer do sol.
  • Praça da Baleia: Um dos cartões-postais da cidade, abriga uma gigantesca escultura de baleia-jubarte com cerca de 20 metros de comprimento.
  • Lagoa de Iriry: Lagoa de águas escuras e tranquilas cercada por áreas de lazer, trilhas e um mirante com vista panorâmica da região.
  • Costões Rochosos: Área de preservação ambiental que protege importantes ecossistemas de restinga e oferece belas paisagens entre a Praia da Joana e a Praça da Baleia.
  • Praia Virgem: Praia preservada acessível por trilha, cercada por vegetação nativa e com vista para a Serra de Macaé, ideal para quem busca tranquilidade e contato com a natureza.

Por que a cidade é chamada de capital do jazz?

Em 2003, o produtor Stênio Mattos convenceu a prefeitura a trocar os shows de axé por música instrumental. A aposta deu origem ao Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, que na primeira edição já trouxe nomes como Stanley Jordan e Naná Vasconcelos. Em 20 edições, o evento acumulou mais de 1,2 milhão de espectadores e mais de 600 shows gratuitos em palcos montados ao ar livre, entre a praia e a lagoa.

O festival acontece entre maio e junho, em cinco palcos espalhados pela cidade. O principal fica na Cidade do Jazz, em Costazul. A edição de 2025 recebeu artistas de três continentes e movimentou mais de R$ 8,5 milhões em quatro dias. A próxima edição está confirmada para junho de 2026.

O vídeo é do canal De fora em Juiz de Fora, que conta com mais de 30 mil inscritos, e destaca a icónica Praça da Baleia, a Praia de Costa Azul e a relaxante Lagoa de Iriri:

O que comer na terra que leva ostra no nome?

Frutos do mar dominam os cardápios, mas a cena gastronômica vai além do óbvio. O Festival de Frutos do Mar, já em sua 26ª edição, reúne mais de uma dezena de restaurantes com pratos autorais a preço acessível. Alguns endereços que merecem a visita:

  • Bartrô Bistrô: Referência em gastronomia contemporânea, utiliza ingredientes regionais e é um dos maiores vencedores do Festival de Frutos do Mar da cidade, oferecendo uma experiência sofisticada e criativa.
  • Picanha da Praia: Tradicional restaurante com unidades no Centro e em Costazul, conhecido pelas carnes nobres e pelos generosos pratos de frutos do mar.
  • Nonna Cantina: Especializada em massas artesanais, destaca-se por pratos que combinam a culinária italiana com ingredientes locais, como o capeline recheado com linguado.
  • Quiosques da Boca da Barra: Ótima opção para experimentar peixes frescos e petiscos tradicionais enquanto se aprecia o encontro do rio com o mar, um dos cenários mais famosos da cidade.

Leia também: A “Pequena Alemanha” brasileira é o único lugar do planeta onde um idioma europeu extinto ainda vive.

Você precisa percorrer esses 170 km de estrada e entender por que o Lugar de Ostra virou a capital do jazz à beira-mar. / Créditos: depositphotos.com / dabldy

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O verão é quente e chuvoso, com pancadas concentradas no fim da tarde. O inverno seco coincide com a alta temporada cultural da cidade.

VERÃO
Dezembro – Fevereiro
23°C a 34°C
☀️ SOL E ÁGUA
O calor intenso e a chuva alta pedem refúgio na água. Aproveite as praias, faça um animado passeio de escuna e curta a tranquilidade da lagoa para se refrescar.
OUTONO
Março – Maio
20°C a 30°C
🥾 TRILHAS E HISTÓRIA
Com a chuva diminuindo e temperatura agradável, é a época ideal para explorar a natureza. Percorra as trilhas nos costões e visite o Sítio Arqueológico Sambaqui.
INVERNO
Junho – Agosto
17°C a 26°C
🎷 JAZZ E SABOR
A época mais seca e charmosa do ano. O clima ameno é o cenário perfeito para o renomado Festival de Jazz & Blues e para se deliciar com a rica gastronomia local.
PRIMAVERA
Setembro – Novembro
19°C a 30°C
🦐 FESTIVAL GASTRONÔMICO
A cidade volta a esquentar com chuvas médias. Desfrute do imperdível Festival de Frutos do Mar e aproveite os dias de sol para retornar às praias.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar ao Lugar de Ostra?

Rio das Ostras fica a 170 km do Rio de Janeiro pela BR-101, cerca de 2h30 de carro. Quem vem de Cabo Frio percorre apenas 61 km pela RJ-106. Ônibus partem da Rodoviária Novo Rio com frequência diária. O aeroporto mais próximo é o Santos Dumont, na capital fluminense.

Onde o jazz encontra o mar

Rio das Ostras combina o que raramente se vê junto: praias de perfis variados, arqueologia milenar, gastronomia de frutos do mar e uma agenda cultural que já dura mais de duas décadas. A antiga vila de pescadores aprendeu a transformar sua história em experiência.

Você precisa percorrer esses 170 km de estrada e entender por que o Lugar de Ostra virou a capital do jazz à beira-mar.