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O Japão tem 9 milhões de casas sobrando e está dando de graça,mas há um detalhe sinistro que explica por que ninguém quer

Milhões de casas abandonadas transformam o mercado imobiliário do Japão

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O Japão tem 9 milhões de casas sobrando e está dando de graça,mas há um detalhe sinistro que explica por que ninguém quer
Japão acumula 9 milhões de casas vazias e o motivo surpreende muita gente

A manchete soa como golpe de internet, e mesmo assim é verdade documentada por dados oficiais do governo japonês. Há literalmente milhões de imóveis vagos espalhados pelo arquipélago, muitos deles listados em sites municipais por valores irrisórios, alguns até gratuitos. Estrangeiros de TikTok viralizam reformas, jornais ocidentais publicam reportagens entusiasmadas e o sonho da casa própria asiática ganha contornos de oportunidade do século. Antes de marcar a passagem, vale entender por que esses imóveis estão lá, parados, esperando alguém corajoso o suficiente para aceitar o presente.

Por que o Japão tem tantas casas abandonadas?

O fenômeno tem nome próprio em japonês: akiya, que significa literalmente casa vazia. Segundo dados do Ministério de Assuntos Internos do Japão divulgados em 2024, o país acumula cerca de 9 milhões delas, o equivalente a 14% de todas as residências nacionais. O número dobrou em três décadas e segue crescendo, especialmente em prefeituras rurais como Wakayama, Tokushima e Kagoshima.

As causas se entrelaçam e desenham um quadro demográfico difícil de reverter. Veja os principais fatores que explicam o vazio:

  • Declínio populacional acelerado, com projeção de queda de 124 milhões para 87 milhões de habitantes até 2070.
  • Êxodo rural maciço, com jovens migrando para Tóquio, Osaka e outras metrópoles.
  • Cerca de 59% das casas abandonadas são imóveis herdados que ninguém quis assumir.
  • Sistema tributário perverso: terreno vazio paga mais imposto que terreno com construção, desestimulando demolições.
  • Cultura local que prefere construção nova, sem o costume ocidental de valorizar imóveis antigos.
Casas abandonadas se espalham pelo Japão em um fenômeno que não para de crescer

Qual é o detalhe sinistro que afasta os compradores?

Mais de um, na verdade. O preço de etiqueta da casa é a parte mais barata do projeto, e essa é apenas a primeira surpresa desagradável. Segundo reportagem do Japan Times, especialistas em akiya recomendam orçar entre 5 e 10 milhões de ienes para reformas, o que equivale a algo entre R$ 175 mil e R$ 350 mil. A tabela abaixo organiza os custos reais que ninguém menciona nos vídeos virais:

ItemCusto aproximadoObservação
Preço da casaR$ 0 a R$ 50.000Varia conforme prefeitura e estado de conservação
Reforma básicaR$ 50.000 a R$ 175.000Pintura, tatames, pequenos reparos
Reforma estruturalR$ 175.000 a R$ 350.000Telhado, fundação, reforço antissísmico
Fossa séptica novaR$ 50.000 a R$ 90.000Obrigatória em áreas sem esgoto público
Tratamento de cupinsR$ 5.000 a R$ 30.000Quase todas as casas precisam
Impostos anuaisR$ 3.000 a R$ 10.000Imposto sobre propriedade e prefeitural

Existe algo além dos custos que assusta os japoneses?

Existe, e mistura economia com superstição. Muitas akiya são consideradas jiko bukken, expressão que designa imóveis com histórico de morte solitária, suicídio ou crime no interior. A categoria precisa ser informada formalmente ao comprador pela legislação japonesa, e a maioria das pessoas evita esses endereços por motivos culturais e espirituais profundamente arraigados.

Soma-se ao estigma a realidade geográfica. Grande parte dos imóveis fica em vilarejos com poucos moradores, comércio escasso e serviços médicos distantes. Reportagem da CNN destacou que, após o terremoto de 7,5 graus em janeiro na península de Noto, as casas abandonadas da região representaram risco real durante o desastre e dificultaram a reconstrução. Não é apenas inconveniência, é vulnerabilidade estrutural.

Imóveis vazios avançam pelo Japão enquanto cidades perdem moradores

Estrangeiros podem realmente comprar essas casas?

Podem, e essa é uma das poucas boas notícias da história. O Japão não restringe a compra de imóveis por estrangeiros, e existem akiya banks oficiais em quase todas as prefeituras com listagens traduzidas. Para concretizar a aquisição, no entanto, alguns pontos práticos precisam ser observados:

  1. Comprar a casa não dá direito a visto de residência permanente no Japão.
  2. É preciso ter passaporte válido, conta bancária japonesa e CPF local (My Number).
  3. A maioria das transações exige presença física no país para assinatura.
  4. Alguns vilarejos exigem entrevista com o conselho local antes de aprovar a venda.
  5. Subsídios para reforma existem em municípios específicos, com regras de permanência mínima.
  6. Casas com mais de 30 anos raramente são financiadas por bancos japoneses.

Vale o sonho ou é melhor manter os pés no Brasil?

O cálculo depende menos do dinheiro e mais do estilo de vida que você procura. Para quem deseja uma casa de campo no exterior, fala japonês razoável e pode investir os R$ 200 mil reais de reforma sem comprometer a aposentadoria, a mudança internacional pode fazer todo o sentido. Para quem busca lucro rápido, fuja: imóveis rurais no Japão tendem a desvalorizar com o tempo. A pergunta certa não é se a casa vale o preço, mas se você está disposto a aceitar todo o resto que vem com ela.