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Em entrevista à Tupi, Douglas Ruas defende retomada de territórios como prioridade na segurança do Rio
Presidente da Alerj falou sobre segurança, gastos públicos e maioridade penalO presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado estadual Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro, afirmou que a retomada de áreas dominadas por facções criminosas deve ser a prioridade da segurança pública. A declaração foi dada em entrevista no Show do Clóvis Monteiro, da Super Rádio Tupi.
Questionado sobre quais seriam as primeiras medidas de uma eventual gestão, Ruas afirmou que assumiria pessoalmente o comando das forças de segurança. “Sendo eleito, se eu tiver a confiança do povo fluminense, com certeza o comandante em chefe de todas as forças de segurança serei eu mesmo”, disse.
O deputado defendeu uma reformulação da política de metas do estado. Para ele, o principal problema atual é o domínio territorial exercido por organizações criminosas, que não estaria contemplado nas metas vigentes. “O principal problema hoje é o domínio territorial, e a atual política de metas vigente já há alguns anos no estado do Rio de Janeiro não estipula nenhuma meta para esse que é, sem sombra de dúvida, o maior problema da segurança pública”, afirmou.
Ruas relacionou o domínio territorial a outros crimes que ocorrem fora das comunidades. “Um carro que é roubado na zona sul do Rio de Janeiro imediatamente é levado para alguma comunidade onde tem um domínio territorial exercido por uma facção criminosa”, explicou. Segundo ele, sem áreas sob controle do crime, roubos de carga e de veículos perderiam o destino.
O parlamentar também criticou a classificação interna usada pelas forças de segurança. “Criou algumas classificações internas dentro das forças de segurança, como áreas verdes e área vermelha. Isso é o estado assumindo que não tem o controle do seu território. É uma vergonha”, disparou.
Metas para comandantes e delegados
Ruas afirmou que pretende estabelecer metas claras de domínio territorial para comandantes de batalhão e delegados titulares. Ele defendeu que moradores de comunidades tenham o mesmo direito de quem vive em áreas com presença ostensiva da polícia. “O cidadão das comunidades quer ter o mesmo direito daqueles que moram na zona sul, de abrir a porta da sua casa e ver lá uma viatura da polícia militar cumprindo o seu policiamento”, disse.

Em maio, o governo dos Estados Unidos anunciou a classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas estrangeiras, medida que passou a valer em junho. Questionado sobre o tema, Ruas afirmou concordar com a avaliação. “Os resultados das ações praticadas por essas facções devem ser e são consideradas sim ações terroristas”, disse, citando o uso de drones e armamento pesado em operações no Complexo do Alemão. O deputado criticou ainda a posição do governo federal, que não adota a mesma classificação.
Maioridade penal e gastos públicos
Clóvis Monteiro perguntou ao deputado sua posição sobre a redução da maioridade penal. Ruas se declarou favorável e argumentou que a mudança protegeria os jovens do aliciamento por facções. “As facções criminosas precisam de mão de obra para poder expandir a sua atuação. E qual é essa mão de obra? São os nossos jovens, que são aliciados facilmente”, afirmou. Segundo ele, menores são alvo do recrutamento por não responderem com o mesmo rigor penal de um adulto.
Sobre as contas do estado, Ruas se disse defensor do “estado mínimo” e citou a comissão especial de contenção de gastos criada sob sua presidência na Alerj. Ele afirmou que, nos últimos cinco anos, a receita do estado cresceu 21%, enquanto a despesa subiu 43%. “A despesa cresceu o dobro do crescimento da receita. Daí o desequilíbrio”, disse. O parlamentar informou que os relatórios preliminares da comissão serão apresentados no dia 25 de junho.
Ruas também citou sua passagem pela Secretaria Estadual das Cidades, quando liderou o programa Governo Presente nas Cidades. Segundo ele, foram levados mais de R$ 2 bilhões em investimentos a 73 municípios fluminenses ao longo de dois anos e meio.
Chuvas e prevenção
A entrevista ocorre em meio a fortes chuvas no Rio de Janeiro. Questionado sobre prevenção a desastres, Ruas citou a aprovação, pela Alerj, de um projeto que destinou R$ 1,75 milhão a cada município atingido pelas chuvas neste ano, e afirmou haver outro em tramitação com o mesmo valor.
O deputado defendeu investimentos em programas de limpeza de rios e em obras de contenção de encostas. “É preciso ter um diagnóstico atual o quanto antes para que a gente possa proteger a vida da população”, disse.