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Só 12 mulheres tinham medida protetiva entre quase 400 casos registrados

Especialistas alertam que a denúncia nos primeiros sinais de agressão pode evitar casos mais graves e até feminicídios

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Foto: Semp.rj

Dados do Centro Integrado Mulher Segura revelam um cenário preocupante: entre os quase 400 casos de violência contra a mulher registrados em 2026, apenas 12 vítimas possuíam medida protetiva, mesmo após sofrerem ameaças.

O levantamento reforça a importância de procurar ajuda logo nos primeiros episódios de agressão. Segundo a delegada Vanessa Martins, titular da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de São João de Meriti, as medidas protetivas podem ser solicitadas presencialmente em uma delegacia ou por meio do registro de ocorrência online.

“As vítimas podem solicitar as medidas protetivas de urgência sob diversos meios, sendo o mais comum o comparecimento até uma delegacia de polícia, em que será realizado o registro de ocorrência e, prontamente, solicitadas as medidas protetivas que mais se adequem às necessidades da vítima”, explicou.

Por que muitas mulheres não conseguem sair de relacionamentos abusivos?

Para a psicanalista especialista em relacionamentos Ana Paula Gimenes, o ciclo da violência é um dos principais fatores que dificultam o rompimento dessas relações.

“Depois que ele coloca ela dentro dessa bolha de amor, que é o love bombing, ele começa, aos poucos, a afastar ela de tudo que ela gosta e de todas as pessoas. Então, essa violência vai escalando aos poucos”, afirmou.

A especialista explica que, após episódios de agressão ou controle, o agressor costuma demonstrar arrependimento e voltar a agir de forma carinhosa, fazendo a vítima acreditar que a situação irá mudar.

“Cada vez que ela pensa em deixar o relacionamento, ele traz ela de volta. É o que a gente chama de fase de lua de mel”, destacou.

Rede de proteção está disponível em todo o estado

A coordenadora da Patrulha Maria da Penha no Estado do Rio de Janeiro, Bianca Neves Ferreira, ressalta que quanto mais cedo a vítima buscar ajuda, maiores são as chances de interromper o ciclo de violência.

“Nós possuímos 16 delegacias de atendimento à mulher e também o programa Patrulha Maria da Penha, que está presente em todos os batalhões da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro”, explicou.

A major fez um apelo para que as mulheres não enfrentem a situação sozinhas.

“O mais importante, mulher, é romper o silêncio. Quanto mais cedo a rede de proteção for acionada, quanto mais cedo o Estado tiver ciência da sua situação, maiores são as chances de interromper o ciclo da violência e preservar a sua vida”, alertou.

Como denunciar

Mulheres vítimas de violência podem ligar para o 190 ou procurar uma das 16 Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam) do estado para registrar a ocorrência e solicitar medidas protetivas.

A fiscalização do cumprimento dessas medidas é realizada de forma integrada pelo Poder Judiciário, pelas polícias Civil e Militar e pelas equipes da Patrulha Maria da Penha.