Rio
Nem direita, Nem esquerda: como a Engenharia uniu os opostos no Rio
A engenharia, por meio de um ato de campanha de reeleição de Miguel Fernández para a presidência do CREA-RJ, conseguiu fazer algo inatingível na política: acabar com o fenômeno da polarização no país, unindo políticos da esquerda à direita. Em apoio a Fernández e pelo protagonismo das engenharias, o evento na segunda-feira à noite reuniu no Clube Monte Líbano, no Leblon, representantes da esquerda, como a prefeita de Japeri, Fernanda Ontiveros (PT); o ex-prefeito de Angra dos Reis, Luiz Sérgio de Oliveira (PT), ex-ministro de Dilma Rousseff; e o presidente do Conselho Regional de Técnicos, Gilberto Palmares, ex-deputaso estadual pelo PT. Pela direita, estavam o presidente da Câmara Municipal de São Gonçalo, o engenheiro Piero Cabral (PL), e o vereador e engenheiro Leniel Borel (PP). E pelo centro o deputado estadual Luiz Paulo Corrêa da Rocha, que também é engenheiro.
O clima de conciliação que ditou o encontro mostrou que, quando o assunto é o desenvolvimento do estado, as linhas ideológicas dão lugar às planilhas e aos projetos estruturais. Embalados pela defesa mútua de que a valorização do setor tecnológico é o verdadeiro motor para a geração de empregos e infraestrutura no Rio de Janeiro, adversários históricos dividiram o mesmo espaço com uma naturalidade rara nos dias de hoje.
Para os presentes, ficou nítido que o palanque de Miguel Fernández acabou se transformando em uma espécie de “zona de armistício” partidário, provando que a busca por soluções técnicas e o fortalecimento da engenharia fluminense possuem uma força de gravidade capaz de atrair — e pacificar — até os polos mais distantes do espectro político.
O deputado estadual Luiz Paulo analisou a superação da polarização na eleição do CREA-RJ.
“Não há uma eleição sindical que não passe por um crivo ideológico e político. O CREA é visto como uma instituição muito voltada para a disciplina da área técnica e do exercício da profissão. Então não é surpresa que tenha o apoio de parlamentares de diversos espectros ideológicos, como eu em particular que me considero um social-democrata”, afirmou o deputado, destacando que “o evento teve uma adesão muito positiva, apesar das chuva que caiu no Rio.”
O ato de mobilização reuniu centenas de profissionais para discutir pautas fundamentais para o desenvolvimento econômico e a segurança da sociedade.
“É um privilégio estar nesta campanha e ver aquilo que iniciamos começar a se tornar realidade. Isso traduz o verdadeiro espírito da engenharia, que não é só projetar, mas criar o que idealizamos para melhorar nossas ações. Estou muito feliz com todo esse apoio”, afirmou, emocionado, o anfitrião Miguel Fernández.
O vereador Leniel Borel – que luta pela impunidade na morte de seu filho, Henry – manifestou apoio à reeleição de Miguel.
“Foi um grande ato em defesa das engenharias de todo nosso estado. Sei que um CREA forte significa profissionais mais valorizados, mais fiscalização, mais desenvolvimento e mais segurança para a sociedade. A candidatura de Miguel representa a realização de um trabalho que fortaleceu nossa categoria e aproximou o Conselho dos profissionais”, afirmou o vereador.
O encontro atraiu conselheiros do Sistema Confea/CREA, profissionais da área e autoridades, como o diretor-geral do Detran, Hugo Carvalho, além de representantes do Legislativo e do Executivo estadual e municipal. Pelo CREA-RJ, além do presidente em exercício, engenheiro Luiz Carneiro, compareceram conselheiros como Claudia Morgado, decana do Centro de Tecnologia e ex-diretora da Escola Politécnica da UFRJ.
A expectativa geral é de que o fortalecimento da representatividade do conselho — um dos pilares da campanha de Fernández — impulsione o comparecimento dos profissionais às urnas no dia 3 de julho. A eleição será 100% on-line pela plataforma vote.confea.org.br.
União e Diálogo com o Poder Público
O engenheiro de telecomunicações Vinicius Marchese, presidente licenciado do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) e também candidato à reeleição, destacou que a união da categoria abrirá um novo capítulo na relação com o poder público.
“Se unirmos os profissionais, duvido que algum político deixe de ouvir a categoria. O dia 3 de julho é a melhor oportunidade para mostrar que a engenharia está unida e mudar a forma como nos olham”, apontou Marchese, reforçando o slogan da campanha local: “Projetando o CREA Rio de Janeiro do futuro”. Ele completou: “Construir um projeto de futuro para o nosso conselho e para o nosso sistema não seria possível sem a presença de vocês aqui”.
O evento consolidou esse movimento de união ao reunir diversas lideranças políticas e gestores públicos. O presidente do Clube Monte Líbano, engenheiro Paulo Assed, recebeu parlamentares e autoridades como:
Luiz Paulo Corrêa da Rocha, deputado estadual;
Leniel Borel e Piero Cabral, vereadores (Cabral preside a Câmara Municipal de São Gonçalo);
Luciano Diniz, engenheiro e vereador de Macaé;
Uruan Cintra de Andrade, engenheiro e ex-secretário estadual de Infraestrutura e Obras. A presença de engenheiros que ocupam cargos no Executivo municipal também foi expressiva. De Duque de Caxias, compareceram os secretários Valber Januário (Obras) e Leieny Martins (Urbanismo), os subsecretários Vitor Martins (Obras) e Sabrina Bispo (Ação Comunitária), e o diretor de Segurança e Inteligência, Gabriel Fersura. Petrópolis foi representada pelo secretário de Meio Ambiente, Pedro Henrique Pereira Alcântara, enquanto Japeri contou com as presenças de Cristiano Alves do Nascimento (Obras) e Andreia Brito (Governo).
Força Institucional e Sociedade Civil
As entidades de classe compareceram em peso. Entre os presentes estavam:
Margherita Abdalla (arquiteta) e Francisco Filardi (engenheiro), presidente e vice-presidente da Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Estado do Rio (SEAERJ);
Leonardo Lopes, presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos do Estado do Rio (AEARJ);
Bruna Rocha, presidente da Associação Fluminense dos Engenheiros de Minas (AFEM);
Fernando Lima Filho, presidente da SOBES nacional (Sociedade de Engenharia de Segurança), e Ottilio Guernelli Junior, presidente da SOBES Rio;
Uma comitiva do Noroeste Fluminense, liderada pelo engenheiro Maurício Ferraz.
A sociedade civil e outros conselhos profissionais também prestigiaram o ato, representados por Robson Carneiro (presidente do Sebrae e da Facerj), Gilberto Palmares (presidente do Conselho Regional de Técnicos do Rio de Janeiro), Gustavo Pessoa (presidente do Conselho de Biologia da 2ª Região) e Leila Marques (presidente em exercício do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil – CAU/BR).
Clima de Festa e Prestação de Contas
No palco, diante de um grande telão de LED, Miguel Fernández e Vinicius Marchese registraram o momento ao lado dos três candidatos à diretoria da Mútua-RJ (caixa de assistência dos profissionais): Ana Paula Masiero (coordenadora do Programa Mulher do CREA-RJ, candidata a diretora-geral), Fernando Jogaib (sindicalista, para diretor-financeiro) e Bruno Galdino (engenheiro eletricista, para diretor-administrativo). Jogaib, ex-presidente do Sindicato dos Engenheiros de Volta Redonda, ressaltou que aderiu à chapa por testemunhar o empenho de Fernández na valorização profissional. A campanha é sustentada por três pilares: Defesa do Setor, Representatividade e Inovação e Tecnologia.

Fernández reforçou a importância do voto alinhado entre o Rio e o Confea. “Muito do que ansiamos no CREA depende da parceria com o Confea. Conheço o Vinicius há mais de 20 anos, desde a época em que coordenávamos o Crea Júnior em nossos estados”, lembrou, sinalizando uma mudança de comportamento no eleitorado. “Na última eleição, apenas 12% dos profissionais votaram no Rio; agora, um novo ecossistema está sendo construído.”
Com uma organização dinâmica que priorizou o networking e evitou discursos exaustivos, o evento teve decoração temática: cada mesa exibia um capacete branco com adesivos da campanha, que os convidados puderam levar como brinde. Na entrada, painéis fotográficos garantiram o registro dos participantes.