Brasil
Imprensa internacional repercute condenação de Eduardo Bolsonaro pelo STF
Da Europa aos Estados Unidos, veículos de imprensa destacaram a condenação do filho de Jair Bolsonaro e apontaram possíveis impactos para o futuro político da famíliaEduardo Bolsonaro foi condenado à prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e a repercussão cruzou fronteiras: veículos da Europa, América do Norte e Oriente Médio dedicaram espaço à decisão que pode mudar o futuro político da família Bolsonaro.
A Primeira Turma do STF decidiu de forma unânime que Eduardo cometeu coação no curso do processo, crime que consiste em tentar intimidar ou interferir em investigações e ações judiciais. A pena fixada foi de 4 anos e 2 meses de reclusão.

Segundo a acusação, ele articulou, a partir dos Estados Unidos, pressões do governo de Donald Trump sobre autoridades brasileiras para barrar o julgamento do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP), que já havia sido condenado por tentativa de golpe de Estado e cumpre pena em prisão domiciliar humanitária.
Cobertura internacional em destaque
O britânico Guardian contextualizou o caso ao lembrar que Eduardo “se mudou para os Estados Unidos em 2025, meses antes do julgamento que condenou seu pai por conspiração para um golpe de Estado” e que, de lá, “tem se empenhado em angariar apoio, principalmente do governo Trump, para seu pai”.
O jornal também resgatou que, em julho do ano anterior, um ministro do STF havia determinado o congelamento de contas e bens de Eduardo, sob alegação de que recursos enviados pelo pai financiariam esse esforço de pressão.

Já o Times, de Londres, resumiu a situação no título: “Filho de Jair Bolsonaro é condenado por fazer lobby nos EUA em relação a julgamento sobre golpe”. A Al Jazeera classificou a decisão como “o mais recente revés jurídico para a família Bolsonaro, que continua sendo uma força dominante da direita na política brasileira”.
A Reuters destacou a consequência eleitoral mais imediata: a condenação torna Eduardo inelegível por 8 anos. A agência também lembrou que a Câmara dos Deputados já havia cassado seu mandato e cortado seu salário em dezembro, após ele faltar a mais de um terço das sessões deliberativas de 2025.
A NBC News deu voz à defesa, que contestou o veredicto alegando ausência de provas suficientes para a condenação. O veículo americano acrescentou que o ex-deputado reside no Texas desde fevereiro de 2025.