Chay Suede encontra maturidade em Pedro, mas ainda enfrenta o desafio de fugir de sua própria fórmula - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Chay Suede encontra maturidade em Pedro, mas ainda enfrenta o desafio de fugir de sua própria fórmula

Ator entrega um dos trabalhos mais consistentes de sua carreira em Quem Ama Cuida, embora algumas marcas interpretativas já conhecidas voltem a aparecer no papel do advogado Pedro

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Crítica Chay Suede como Pedro em Quem Ama Cuida

Desde sua estreia em novelas na Globo, quando chamou atenção como o jovem José Alfredo em Império, Chay Suede construiu uma trajetória marcada por personagens intensos, emocionalmente instáveis e frequentemente envolvidos em conflitos amorosos e familiares. Em Quem Ama Cuida, porém, o ator encontra um desafio diferente: interpretar Pedro, um homem aparentemente íntegro, idealista e confiável, mas cercado por zonas de sombra que alimentam dúvidas no público. A própria proposta do personagem foi destacada pelo ator em entrevistas, ao definir Pedro como um mocinho que desperta desconfiança e possui inúmeras brechas dramáticas.  

O resultado, ao menos até esta fase da novela, é uma das atuações mais maduras de Chay Suede na televisão.

Um protagonista menos explosivo e mais contido

Ao contrário de personagens como Ari, de Travessia, ou Mavi, de Mania de Você, Pedro exige menos impulsividade e mais controle emocional. O ator trabalha a composição do personagem de forma mais econômica, valorizando olhares, pausas e hesitações em vez de grandes explosões dramáticas.

Essa contenção representa uma evolução perceptível. Durante anos, Chay foi associado a figuras masculinas marcadas pela ambição, pela sedução e pela instabilidade emocional. Críticos já apontaram que muitos de seus personagens orbitavam o mesmo arquétipo do “galã atormentado”, criando uma sensação de repetição em sua carreira.  

Em Pedro, entretanto, há uma tentativa clara de romper parcialmente esse padrão.

O ator não interpreta um herói tradicional. Seu Pedro parece constantemente carregar um segredo, uma inquietação ou uma dúvida interna. Isso gera uma ambiguidade interessante que ajuda a sustentar o mistério central da trama e mantém o público atento a cada movimento do personagem.

Comparando com seus principais trabalhos

Se José Alfredo, em Império, revelou o potencial dramático de Chay, e Ícaro, em Segundo Sol, consolidou sua popularidade, talvez seja Pedro quem melhor represente a maturidade alcançada pelo ator.

Em Travessia, por exemplo, Ari acabou se tornando alvo de críticas não necessariamente pela atuação, mas pela construção inconsistente do personagem. Ainda assim, muitos espectadores associaram o desgaste do papel ao próprio ator.  

Já em Mania de Você, Chay Suede conseguiu imprimir nuances suficientes para diferenciar Mavi de Ari, demonstrando maior domínio técnico e capacidade de composição. Críticos chegaram a destacar justamente as diferenças entre os dois vilões, apesar das semelhanças superficiais.  

Pedro parece reunir elementos dessas experiências anteriores. Há o romantismo de Renato (Novo Mundo), a intensidade emocional de Ícaro (Segundo Sol), a ambiguidade de Danilo (Amor de Mãe) e até parte do mistério de Mavi (Mania de Você). A diferença é que agora tudo aparece mais equilibrado.

A repercussão do público: elogios e ressalvas

Nas redes sociais, a recepção ao trabalho de Chay em Quem Ama Cuida tem sido majoritariamente positiva, especialmente nas cenas ao lado de Adriana, personagem de Letícia Colin. Muitos espectadores destacam a química do casal e a capacidade do ator de transmitir vulnerabilidade sem recorrer ao melodrama excessivo.

Por outro lado, uma crítica recorrente envolve justamente um traço já conhecido de sua atuação: a entonação de voz característica e alguns maneirismos que parte do público considera repetitivos. Em discussões online, espectadores apontam que certos recursos vocais lembram personagens anteriores, gerando a sensação de que alguns trejeitos acompanham o ator independentemente do papel.  

É uma observação válida.

Chay evoluiu muito tecnicamente desde os tempos de Rebelde, mas ainda carrega marcas interpretativas facilmente identificáveis. Em alguns momentos, Pedro parece dialogar mais com Mavi ou Ari do que com uma criação totalmente nova.

Houve evolução?

A resposta é sim.

Talvez não uma revolução, mas certamente uma evolução.

Chay Suede não é mais o jovem ator que dependia apenas do carisma ou da presença física para sustentar um protagonista. Hoje existe uma construção mais consciente de personagem, maior domínio dos silêncios e melhor compreensão dos conflitos internos que movem cada papel.

Pedro talvez não seja o personagem mais ousado de sua carreira, mas é um dos mais seguros. E justamente por isso revela um ator mais maduro, mais técnico e mais confortável diante da complexidade dramática.

O desafio que permanece para o futuro é outro: continuar evoluindo sem ficar preso ao arquétipo que ajudou a transformá-lo em um dos principais galãs da televisão brasileira.

O texto Chay Suede encontra maturidade em Pedro, mas ainda enfrenta o desafio de fugir de sua própria fórmula foi publicado primeiro no Observatório da TV.