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A cidade quase medieval que encanta com cavaleiros no Cerrado e mais de 80 cachoeiras
Com cenário medieval e dezenas de cachoeiras.
Uma enchente derrubou metade da ponte sobre o Rio das Almas e batizou o lugar de Meia Ponte. Três séculos depois, Pirenópolis guarda ruas de pedra, casarões coloniais e uma das festas mais antigas do Brasil. No interior de Goiás, a cidade reúne patrimônio do tempo do ouro e dezenas de cachoeiras de cerrado a poucos minutos do centro.
Por que a cidade tem nome de montanha europeia?
A serra que abraça o município emprestou o nome atual à cidade. Os Pireneus, cadeia que separa França e Espanha, inspiraram a troca de Meia Ponte por Pirenópolis em meados do século XIX.
O arraial surgiu em 1727, durante o ciclo do ouro, como ponto de mineração no sertão goiano. Quando as minas se esgotaram, a cidade não desapareceu: virou guardiã de um dos conjuntos coloniais mais bem preservados do país, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1988.

Um espetáculo de mouros e cristãos que dura quase dois séculos
Desde 1826, dois exércitos de doze cavaleiros encenam a guerra medieval entre cristãos e mouros em pleno Cerrado. As Cavalhadas duram três dias, com armaduras bordadas à mão, lanças de madeira e cavalos ornamentados.
O espetáculo integra a Festa do Divino Espírito Santo, celebrada na cidade desde 1819 e reconhecida pelo IPHAN como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2010. Durante doze dias, novenas, folias e procissões tomam conta das ruas, ao lado dos Mascarados, figuras que cruzam a cidade a cavalo com máscaras de cabeça de boi e papel machê.
O que visitar no centro histórico de pedra?
O coração de Piri cabe em poucos quarteirões de casario colonial. As construções do século XVIII revelam a herança do ouro e do trabalho escravizado que ergueu a cidade.
- Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário: maior templo religioso de Goiás, com obras iniciadas entre 1728 e 1732. Foi o primeiro monumento tombado pelo IPHAN no Centro-Oeste, em 1941, e renasceu após um incêndio em 2002.
- Museu das Cavalhadas: reúne máscaras, trajes e objetos do espetáculo medieval, contando os bastidores da tradição centenária.
- Theatro Sebastião Pompeu de Pina: construído em 1889, um dos teatros mais antigos do interior goiano.
- Rua do Lazer: lojinhas de artesanato, cafés e restaurantes ao longo do casario, ideal para fim de tarde.
O canal Viajantes App (87 mil inscritos) mapeia esse destino com roteiros detalhados, explorando desde a tradição das Cavalhadas até a gastronomia local.
Mais de 80 cachoeiras a poucos minutos das ruas de pedra
Cercada de cerrado preservado, Pirenópolis reúne dezenas de quedas d’água de acesso fácil. Muitas ficam a poucos quilômetros do centro, com trilhas curtas que servem famílias e visitantes apressados.
- Fazenda Bonsucesso: a 5 km do centro, um complexo de seis quedas e poços cristalinos ao longo do Ribeirão Soberbo.
- Cachoeira do Abade: uma das mais conhecidas, com queda larga, piscinas naturais e estrutura para banho.
- Cachoeiras de Santa Maria: conjunto de quedas em meio à mata, com poços fundos e cenário tranquilo.
- Parque Estadual da Serra dos Pireneus: trilhas, mirantes e formações rochosas no ponto mais alto da região.
A fazenda bicentenária que foi um dos maiores engenhos do Brasil
A 28 km do centro, a Fazenda Babilônia guarda o casarão colonial de um antigo engenho de açúcar erguido no fim do século XVIII. Foi um dos maiores engenhos de cana do Brasil colonial e está tombada pelo IPHAN desde 1965.
O casarão de cerca de 2 mil metros quadrados ainda conserva paredes de adobe, vigas que vencem vãos de até 15 metros e muros de pedra erguidos por escravizados. Hoje, a fazenda serve um café sertanejo com até 40 quitutes preparados em fogões a lenha, parte deles feita em tachos de cobre que levam um dia para ficar prontos.

Quando ir a Pirenópolis?
A seca, entre maio e setembro, é a melhor época para trilhas e cachoeiras. No período chuvoso as quedas ganham volume, mas algumas estradas de terra ficam difíceis.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade colonial goiana?
Pirenópolis fica a cerca de 150 km de Brasília e de Goiânia, perto de duas horas de carro por estradas bem sinalizadas. A cidade não tem aeroporto, e os mais próximos são os das duas capitais. O carro é o meio mais prático para circular entre o centro e as cachoeiras.
A cidade onde o Brasil ainda parece medieval
Pirenópolis reúne uma herança rara: ruas de pedra do tempo do ouro, um espetáculo de cavaleiros com quase dois séculos e dezenas de cachoeiras a poucos minutos do casario. Poucos destinos do Centro-Oeste juntam tanta história e natureza no mesmo passeio.
Você precisa caminhar pelas pedras de Piri, sentir o cheiro do café sertanejo e ver de perto os cavaleiros que encenam uma guerra medieval no coração do Cerrado.