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Fábrica de Casamentos voltou bem e já encerrou a 5ª temporada, mas será que alguém percebeu?
A quinta temporada de Fábrica de Casamentos foi um caso raro de programa que acertou mais do que errou, mas que mesmo assim terminou sem grande impacto cultural
A quinta temporada de Fábrica de Casamentos chegou ao fim no último sábado (20) deixando uma sensação curiosa. Poucos programas da televisão brasileira conseguiram reunir tantos elementos positivos em sua execução e, ainda assim, gerar tão pouco impacto junto ao grande público.
O reality retornou ao SBT após um longo hiato apostando em uma estratégia moderna: exibição simultânea na TV aberta e no Disney+, episódios estendidos no streaming e uma nova apresentadora, a carismática Ana Furtado. A fórmula clássica permaneceu intacta, assim como a presença dos especialistas Beca Milano, Lucas Anderi e Mari Dedevits. Tudo parecia favorável para um grande retorno.
Mas a realidade foi mais modesta.
Um programa bem feito em busca de relevância
É impossível negar que o trabalho da equipe foi competente. A produção manteve o alto padrão visual que sempre caracterizou o formato, entregou festas impressionantes e contou histórias emocionantes sem cair excessivamente na artificialidade que domina muitos realities atuais.
Ana Furtado também merece elogios. Sua estreia no comando do programa foi segura, elegante e sensível. Em nenhum momento tentou transformar o reality em um palco para si mesma. Pelo contrário: soube colocar os casais no centro da narrativa e encontrou um tom acolhedor que combinou perfeitamente com a proposta da atração.
O mesmo vale para os especialistas. Beca Milano continua sendo um dos grandes nomes da confeitaria na televisão brasileira. Lucas Anderi mantém o olhar refinado para transformar sonhos em vestidos memoráveis. Já Mari Dedevits segue demonstrando enorme capacidade de transformar ideias aparentemente impossíveis em eventos grandiosos.
O problema nunca esteve diante das câmeras.
A audiência mostrou os limites do projeto
Apesar da qualidade técnica, os números ficaram longe de representar um fenômeno. A temporada transitou na casa dos 2,5 a 3 pontos na Grande São Paulo, com média próxima de 2,8 pontos, desempenho apenas razoável para os padrões atuais do SBT.
É verdade que o programa elevou a audiência da faixa em comparação à atração anterior e chegou a figurar entre os programas mais vistos da emissora em alguns dias.
Mas também é verdade que esteve longe de se transformar em assunto nacional.
Nas redes sociais, a repercussão foi discreta. Diferentemente das temporadas exibidas entre 2017 e 2020, quando o formato ainda possuía certo frescor, a nova edição raramente gerou conversas amplas fora do seu público fiel. A sensação foi de que muitos espectadores receberam o retorno com simpatia, mas poucos o encararam como um evento imperdível.
O principal problema: falta de novidade
Talvez a maior fragilidade da temporada tenha sido justamente sua maior virtude.
Ao preservar a essência do programa, a produção garantiu qualidade e identidade. Porém, ao fazer isso, também entregou uma sensação constante de déjà vu.
A estrutura narrativa praticamente não mudou. O público sabia exatamente quando surgiria o problema da semana, quando a equipe enfrentaria dificuldades e quando chegaria a emocionante solução final.
Em outras palavras: o programa continuou funcionando, mas deixou de surpreender.
Num mercado em que o streaming disputa atenção com redes sociais, vídeos curtos e dezenas de realities concorrentes, ser apenas “bom” já não basta.
Vale uma sexta temporada?
A resposta é sim.
Mas não porque esta quinta temporada tenha sido um grande sucesso.
Ela merece continuidade porque ainda existe valor no formato. Em uma televisão cada vez mais dependente de polêmicas, conflitos e escândalos fabricados, Fábrica de Casamentos continua oferecendo algo raro: emoção genuína.
No entanto, uma eventual sexta temporada precisará ser mais ousada. O programa necessita de novas dinâmicas, maior interação digital, histórias mais diversas e uma linguagem mais conectada ao consumo contemporâneo de entretenimento.
A parceria com o Disney+ foi um passo importante, mas sozinha não foi suficiente para transformar a atração em um fenômeno de repercussão.
Veredito
A quinta temporada de Fábrica de Casamentos foi um caso raro de programa que acertou mais do que errou, mas que mesmo assim terminou sem grande impacto cultural.
Ana Furtado passou no teste com folga. Os especialistas continuam excelentes. A produção manteve seu padrão de qualidade. O problema é que o público de 2026 parece exigir algo além da competência.
O reality encerra sua temporada com uma avaliação positiva em termos artísticos, mas apenas mediana em relevância e audiência. Não foi um fracasso. Também não foi um sucesso.
Foi, acima de tudo, um retorno digno de um formato querido — mas que precisa reencontrar sua capacidade de surpreender se quiser voltar a ocupar um espaço realmente importante na televisão brasileira.
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