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A Atenas do Nordeste: a cidade preservada onde Dom Pedro II quis instalar a capital da província
A cidade preservada do Nordeste que quase se tornou capital por vontade de Dom Pedro II.
Em 1859, o imperador Dom Pedro II subiu o Rio São Francisco e parou em Penedo. Encantado com o casario colonial às margens do Velho Chico, escreveu em seu diário que ali poderia estar a capital da província alagoana.
Por que Penedo é chamada de Atenas Alagoana?
O apelido nasceu da intensa vida cultural que a cidade cultivou desde o período colonial. Penedo abrigou um dos festivais de cinema mais respeitados do país nas décadas passadas e mantém tradição musical viva por meio de bandas filarmônicas centenárias.
A outra alcunha, Ouro Preto do Nordeste, vem do casario barroco preservado e das ruas de pedra que descem em direção ao Velho Chico. O conjunto arquitetônico tem origem em um povoado fundado por bandeirantes da Capitania de Pernambuco entre 1560 e 1565, segundo registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

O passado holandês esculpido nas paredes da cidade
Poucos sabem que Penedo viveu quase uma década sob domínio holandês. Em 1637, tropas comandadas por Maurício de Nassau invadiram a vila e ergueram o Forte Maurício para controlar o acesso ao Rio São Francisco. A cidade só voltou ao domínio português em 1645.
Esse vai e vem entre colonizadores deixou marcas. Portugueses, holandeses e missionários franciscanos imprimiram camadas distintas na arquitetura barroca dos templos. O conjunto histórico e paisagístico foi tombado pelo IPHAN em 1996, garantindo a preservação de igrejas, conventos e do casario colonial às margens do rio.
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O que visitar no centro histórico da Atenas Alagoana?
O passeio começa pela Praça Barão de Penedo, coração do centro tombado, e se estende em direção à orla. Algumas paradas concentram séculos de história em poucas quadras.
- Convento Franciscano de Santa Maria dos Anjos: fundado em 1660, tem altar-mor pintado com ouro misturado a óleo de baleia e clara de ovo. Restaurado pelo IPHAN.
- Igreja Nossa Senhora da Corrente: joia do barroco do século XVIII, com nome inspirado na benfeitora Ana Felícia da Corrente.
- Igreja de São Gonçalo Garcia: erguida a partir de 1758 pela Irmandade dos Homens Pardos, com retábulos neoclássicos lembrando os de Salvador.
- Museu do Paço Imperial: casarão que hospedou Dom Pedro II em 1859, hoje exibe porcelanas e mobiliário do período.
- Passeio de barco até a foz do São Francisco: saída em Piaçabuçu (a 27 km), encontro do rio com o mar e dunas conhecidas como Lençóis Alagoanos.
O que comer em Penedo às margens do Velho Chico?
A gastronomia gira em torno do rio. Peixes de água doce dominam os cardápios das casas históricas e dos quiosques na orla.
- Surubim na brasa: prato símbolo, servido em quase todos os restaurantes ribeirinhos com pirão e farofa de dendê.
- Pitu ao alho e óleo: crustáceo de água doce típico do Baixo São Francisco, geralmente acompanhado de arroz branco.
- Tilápia frita: opção mais simples e farta, comum nos restaurantes da orla do Barro Vermelho.
- Doces de coco e tapioca: vendidos por doceiras tradicionais nas ruas do centro, herança da forte presença afro na cidade.
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Quando o clima favorece a caminhada pelo casario colonial?
O verão é quente e úmido, com pancadas frequentes. Entre maio e agosto, as temperaturas caem e o céu fica mais aberto, ideal para o vai e vem pelas ladeiras de pedra.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à cidade histórica do São Francisco?
Penedo fica a 170 km de Maceió e a apenas 120 km de Aracaju, na divisa de Alagoas com Sergipe. O acesso principal é pela BR-101 seguido da AL-101, com cerca de três horas de carro saindo da capital alagoana.
Ônibus partem diariamente das rodoviárias das duas capitais. Muitos viajantes incluem a cidade em roteiros que combinam o litoral sergipano e a foz do Velho Chico em Piaçabuçu.
A cidade onde o tempo desacelera
Penedo guarda o ritmo lento das tardes de rio e o peso dos quase cinco séculos de história nas paredes de cal. É um dos raros lugares do Brasil onde barroco, presença afro e cultura ribeirinha convivem em uma quadra só.
Você precisa subir as ladeiras de pedra da Atenas Alagoana e entender por que Dom Pedro II quis instalar ali a capital da província.