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Muita gente acha que uma cerca em volta da piscina resolve tudo, mas a lei exige bem mais dos proprietários

A regra busca reduzir o risco de afogamento, especialmente entre crianças pequenas

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Muita gente acha que uma cerca em volta da piscina resolve tudo, mas a lei exige bem mais dos proprietários
Barreiras, alarmes, coberturas e abrigos podem fazer parte da proteção exigida

Ter uma piscina em casa ou em uma residência coletiva parece apenas uma questão de lazer, conforto e valorização do imóvel. Mas, em alguns países, a segurança ao redor do tanque virou obrigação legal detalhada. Na França, por exemplo, a regra para piscinas privadas enterradas ou semienterradas mostra que uma simples cerca improvisada não basta. O proprietário precisa garantir um dispositivo de segurança eficaz, pensado para reduzir o risco de afogamento, especialmente de crianças pequenas.

Por que uma cerca simples pode não ser suficiente?

A ideia de colocar uma barreira em volta da piscina parece óbvia, mas o problema está na qualidade e na função real dessa proteção. Uma cerca baixa, fácil de escalar, com portão sem trava ou instalada apenas para decorar, pode dar falsa sensação de segurança.

Pela lógica da regra francesa, a barreira precisa impedir o acesso de crianças menores de cinco anos sem ajuda de um adulto. Também deve resistir às ações de uma criança e ter um sistema de fechamento que não cause ferimentos. Ou seja, não se trata apenas de separar visualmente a piscina do jardim, mas de criar uma proteção técnica contra acidentes.

Quais piscinas entram nesse tipo de obrigação?

A regra francesa mira piscinas privadas enterradas e não cobertas, tanto de uso familiar quanto de uso coletivo privado, como em residências, casas de temporada ou conjuntos residenciais. A preocupação central é o acesso desprotegido ao espelho d’água.

O ponto importante é que a obrigação não depende apenas do tamanho da área de lazer ou da frequência de uso. Se a piscina se enquadra no tipo previsto pela norma, o proprietário precisa instalar ao menos um sistema de segurança adequado. A ausência do dispositivo pode gerar multa pesada, que pode chegar a 45 mil euros.

Muita gente acha que uma cerca em volta da piscina resolve tudo, mas a lei exige bem mais dos proprietários
O equipamento precisa impedir o acesso infantil sem ajuda de um adulto

Quais dispositivos podem ser usados?

A lei francesa permite diferentes caminhos para cumprir a obrigação. O proprietário não precisa necessariamente instalar todos ao mesmo tempo, mas deve escolher ao menos um dispositivo que esteja dentro das exigências técnicas.

Entre as soluções aceitas estão:

  • Barreira de proteção, desde que impeça o acesso de crianças pequenas.
  • Alarme, capaz de detectar queda ou entrada indevida na área protegida.
  • Cobertura de segurança, feita para impedir imersão involuntária.
  • Abrir ou cobertura estrutural, que feche o acesso ao tanque quando não estiver em uso.
  • Equipamento com documentação técnica e instruções claras de uso e manutenção.

Por que o padrão técnico muda tudo?

A diferença entre “ter alguma proteção” e cumprir a lei está no padrão técnico. Uma barreira qualquer pode não ser suficiente se não impedir a passagem de uma criança, se tiver frestas perigosas, se abrir com facilidade ou se não resistir ao uso cotidiano.

Na França, os equipamentos associados a normas como NF P90-306, NF P90-307, NF P90-308 e NF P90-309 são considerados referências para barreiras, alarmes, coberturas e abrigos. Isso ajuda o proprietário a escolher soluções que não sejam apenas bonitas ou baratas, mas realmente voltadas à prevenção.

Muita gente acha que uma cerca em volta da piscina resolve tudo, mas a lei exige bem mais dos proprietários
Segurança de piscina exige mais do que uma cerca simples ao redor da água

Como seria se uma regra parecida fosse aplicada no Brasil?

No Brasil, uma exigência idêntica à francesa não poderia ser simplesmente copiada sem adaptação. A realidade brasileira envolve legislação federal, normas técnicas, regras municipais, exigências de condomínios, fiscalização local e responsabilidade civil em caso de acidente. Além disso, o país já possui a Lei nº 14.327/2022, que trata de requisitos mínimos de segurança para piscinas e similares.

Se uma regra parecida com a francesa fosse aplicada de forma mais direta no Brasil, ela poderia atingir casas, condomínios, clubes, hotéis, chácaras e imóveis de temporada. O debate provavelmente envolveria acesso de crianças, ralos de sucção, sinalização, piso escorregadio, fechamento de portões, manutenção e responsabilidade de síndicos ou proprietários. Em termos práticos, os pontos mais observados poderiam ser:

  • Barreira física com altura e fechamento adequados.
  • Portão com trava fora do alcance de crianças pequenas.
  • Proteção contra sucção em ralos e sistemas de recirculação.
  • Sinalização clara sobre profundidade, riscos e regras de uso.
  • Fiscalização em piscinas coletivas, condomínios e imóveis de aluguel por temporada.

O que o proprietário deve entender antes de confiar na piscina?

A principal lição é que a segurança de piscina não pode depender de improviso. Uma cerca bonita, uma lona comum ou um alarme mal instalado podem parecer suficientes, mas falham justamente no momento crítico. O equipamento precisa funcionar, estar bem conservado e ser usado corretamente.

Também é essencial lembrar que nenhum dispositivo substitui a vigilância de adultos. Barreiras, alarmes, coberturas e abrigos reduzem riscos, mas não eliminam a necessidade de atenção constante. Quando há crianças, idosos, visitantes ou imóveis alugados por temporada, a responsabilidade do proprietário aumenta. A piscina pode ser lazer, mas a segurança ao redor dela precisa ser tratada como parte obrigatória da estrutura.