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A “Califórnia do Sertão” é a única região do mundo com duas safras de vinho por ano em uma região tropical do planeta

A região do Brasil que virou referência mundial ao colher uvas duas vezes por ano.

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Uma cidade no sertão onde o mapa mostra "seca" que produz 60% das frutas do Brasil e tem um selo de vinhos único no mundo
As vinícolas estão distribuídas entre municípios vizinhos. / Imagem ilustrativa

Enquanto o resto do mundo do vinho colhe uva uma vez ao ano, Petrolina produz até duas safras e meia no mesmo terreno. A cidade, a 712 km do Recife, transformou a caatinga em vinhedo e virou a primeira região tropical do planeta com selo geográfico de vinho.

Como o Velho Chico virou terroir tropical

A história começa na década de 1960, quando projetos de irrigação inspirados no Arizona e em Israel chegaram ao Vale do São Francisco. Com mais de 3 mil horas de sol por ano, baixa umidade e temperaturas estáveis, o ciclo da videira encurtou de 12 para 4 meses.

Em novembro de 2022, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a Indicação de Procedência Vale do São Francisco para vinhos finos e espumantes, conforme registrado pela Embrapa Uva e Vinho. É a primeira demarcação geográfica de vinhos tropicais do mundo, cobrindo os municípios de Petrolina, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Casa Nova e Curaçá.

No sertão nordestino, uma cidade desafia o semiárido com vinhos premiados e exportação de frutas
Crescimento, qualidade de vida e novos investimentos colocaram o local em evidência. – Créditos: depositphotos.com / hecke06

Como é morar na Califórnia do Sertão?

A cidade fervilha com o agronegócio da fruticultura irrigada. A economia gira em torno das fazendas de manga e uva, das vinícolas e do comércio que se expandiu junto com a orla urbana. Petrolina forma com Juazeiro, na Bahia, o maior aglomerado urbano do semiárido brasileiro, ligadas pela Ponte Presidente Dutra, de 800 metros, inaugurada em 1954.

A qualidade de vida ganhou infraestrutura de porte médio: rede hospitalar diversificada, aeroporto com voos diretos para Recife, Salvador, Brasília e São Paulo, e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), que atrai estudantes de todo o Nordeste. A orla revitalizada virou o principal espaço de encontro dos moradores.

O que fazer entre vinhedos e ilhas fluviais?

As atrações de Petrolina se dividem entre o rio e a caatinga. Os principais roteiros combinam enoturismo com passeios de barco pelo Rio São Francisco, segundo o portal oficial da Prefeitura.

  • Vinícola Terranova: braço do Grupo Miolo em Casa Nova, a 30 minutos de Petrolina. Oferece o passeio Vapor do Vinho com navegação, degustação e almoço regional.
  • Ilha do Rodeadouro: principal balneário de água doce da região, com praia de areias douradas, palhoças e peixe fresco do São Francisco servido à beira do rio.
  • Ilha do Massangano: berço do Samba de Véio, manifestação cultural centenária transmitida entre gerações, ligada às festas dos Santos Reis e de Santo Antônio.
  • Mirante do Serrote do Urubu: a 20 km do centro, rochas de até 66 metros à beira do rio e um dos pontos mais procurados para ver o pôr do sol.
  • Porta do Rio: complexo urbano na orla, com quiosques, pista de skate, pet park e vista para a ponte que liga a Bahia.
  • Catedral do Sagrado Coração de Jesus: inaugurada em 1929, tem torres neogóticas de 48 metros e três sinos de bronze importados da França pesando cerca de 1.440 kg cada.

Leia também: Eleita a 5ª melhor cidade para viver no Brasil, ela também foi a 1ª do mundo a conquistar o selo Platina de sustentabilidade e hoje é modelo no interior de São Paulo.

Onde comer bode e beber Syrah tropical?

A mesa petrolinense une o sertão e o rio numa combinação difícil de achar em qualquer outro canto do país. O Bodódromo é o endereço obrigatório de quem chega à cidade.

  • Bode assado: prato símbolo da cidade, servido com feijão de corda, arroz, macaxeira e farofa. No Bodódromo, virou instituição gastronômica.
  • Peixe na folha de bananeira: receita típica das ilhas fluviais, feita com tambaqui, surubim ou dourado do Velho Chico.
  • Carne de sol com macaxeira: presença certa nos restaurantes da orla e do centro, servida com queijo coalho grelhado.
  • Vinhos tropicais: Syrah, Tempranillo, Moscato e os espumantes do Vale harmonizam com a culinária sertaneja e são carro-chefe das vinícolas locais.
No sertão nordestino, uma cidade desafia o semiárido com vinhos premiados e exportação de frutas
Petrolina PE, polo fruticultor no São Francisco: 418 mil hab., 562 km², exporta uvas/mangas e atrai turismo fluvial na Califórnia do Sertão. // Créditos: depositphotos.com / hecke06

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

Petrolina tem sol quase o ano inteiro e chuva concentrada de novembro a março. O período entre junho e outubro é a alta temporada do enoturismo, com noites mais amenas para os jantares na orla.

☀️ Verão Dez – Mar
Média: 24-34°C
Chuva: 🌧️ Concentrada
Aproveite o calor intenso da região para se refrescar navegando pelas belas ilhas fluviais e desfrutando de banhos no rio São Francisco.
🍂 Outono Abr – Jun
Média: 22-32°C
Chuva: ☀️ Baixa
Com a diminuição das precipitações, o clima torna-se perfeito para realizar extensos passeios de barco e iniciar a rota pelas tradicionais vinícolas.
🧣 Inverno Jul – Set
Média: 20-31°C
Chuva: 🌵 Rara
O tempo seco e o calor menos rigoroso à noite formam o cenário ideal para o enoturismo e para provar os sabores autênticos do Bodódromo.
🌸 Primavera Out – Nov
Média: 23-34°C
Chuva: 🌵 Rara
O sol volta a reinar com força total e os céus limpos garantem visibilidade máxima para contemplar o espetacular pôr do sol no Serrote do Urubu.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à capital brasileira do vinho tropical?

O Aeroporto de Petrolina Senador Nilo Coelho (PNZ) fica a 10 km do centro e recebe voos diretos de Recife, Salvador, Brasília e São Paulo. De carro, a cidade fica a 712 km de Recife pela BR-232 e a 510 km de Salvador pela BR-407.

Prove o vinho que só nasce aqui

Petrolina inventou uma forma de fazer vinho que ninguém no mundo tinha tentado antes: sob 3 mil horas de sol por ano, no meio do sertão, com duas safras se sucedendo nos mesmos parreirais irrigados pelo São Francisco.

Você precisa cruzar o sertão pernambucano e brindar em Petrolina com um espumante que só existe porque alguém acreditou que a caatinga podia virar vinhedo.