Rio
Márcio Canella é transferido para o Presídio de Benfica após prisão em operação da PF
Ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado tinha fuzil encontrado em veículo
Márcio Canella é transferido para o Presídio de Benfica, na Zona Norte do Rio de Janeiro, após ser preso em flagrante por porte ilegal de arma durante a 6ª fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta terça-feira (7) pela Polícia Federal. A transferência ocorreu ainda na noite de terça, conforme apurou a TV Globo.
Ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Canella foi detido depois que agentes encontraram um fuzil calibre .556 dentro do veículo dele. Ele alegou que a arma não era sua.
PF aponta Canella como ‘braço político’
Canella constava na operação como alvo de mandado de busca e apreensão. A investigação mira uma rede de postos de combustíveis na Grande Rio suspeita de ter movimentado R$ 7,6 bilhões em um esquema de lavagem de dinheiro com participação de políticos.
Posteriormente, a PF ampliou a caracterização de Canella: “investigado como braço político do grupo, foi preso em flagrante pelo crime de possuir ou portar arma de fogo de calibre restrito”, informou o órgão em nota. Outro nome visado pelas buscas foi o delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil.
Trajetória de Canella em Belford Roxo
Vereador de Belford Roxo eleito em 2012, Canella chegou à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) em 2015, onde cumpriu três mandatos, parte deles como vice do prefeito Waguinho. A aliança entre os dois se desfez nas eleições presidenciais de 2022, Canella fechou com Jair Bolsonaro enquanto Waguinho foi para o lado de Lula.
Em 2024, Canella venceu a disputa pela prefeitura tendo como principal adversário Matheus do Waguinho, sobrinho do ex-aliado. Em abril de 2026, renunciou ao cargo para concorrer ao Senado, com apoio do senador Flávio Bolsonaro e do deputado estadual Douglas Ruas. A vice-prefeita Mariana Malta assumiu no lugar dele.
Buscas, apreensões e contexto legal

A operação desta terça mobilizou agentes para cumprir 19 mandados de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende e na capital fluminense. Na casa de um dos alvos em Niterói, foram recolhidos armas, joias, dinheiro em espécie e carros de luxo. A Justiça ainda determinou sequestro de bens e suspensão de atividades de empresas ligadas ao grupo.
O ponto de partida das investigações foi um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontando movimentação de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. A PF informou que os investigados poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, “além de outros que poderão surgir no decorrer das investigações”. A ação se insere nas determinações do STF no julgamento da ADPF 635/RJ, a chamada ADPF das Favelas, que ordenou à PF investigar vínculos entre agentes públicos e facções criminosas.
O balanço das apreensões inclui cerca de R$ 919 mil e US$ 13 mil em espécie, um fuzil de calibre restrito, nove armas curtas, 11 veículos de luxo, 23 celulares, sete computadores, além de joias, relógios e documentos diversos.