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Bonnie Tyler, cantora de ‘Total Eclipse of the Heart’, morre aos 75
Ícone de 'Total Eclipse of the Heart' estava em tratamento em Portugal. A informação foi confirmada nesta quinta-feira (9) pelo site oficial da artista
A cantora galesa Bonnie Tyler, imortalizada pelo hit Total Eclipse of the Heart, morreu aos 75 anos na noite desta quarta-feira (8) em um hospital em Portugal.
A informação foi confirmada nesta quinta-feira (9) pelo site oficial da artista, com nota assinada pela família e pela equipe: “Bonnie faleceu inesperadamente em decorrência da doença que estava sendo tratada.” O comunicado pede privacidade “para lidar com esta tragédia” e anuncia que novos detalhes serão divulgados em breve.
Em maio, Tyler havia passado por uma cirurgia intestinal de emergência em Portugal e foi colocada em coma induzido. Em junho, seu porta-voz confirmou que ela havia acordado, mas ainda permanecia “muito doente” na UTI.
Voz rouca nascida de uma cirurgia

Nascida Gaynor Hopkins em 1951, em Skewen, no País de Gales, era uma das sete filhas de um pai que ficou incapacitado após combater na Segunda Guerra Mundial. Aos 17 anos, entrou no mundo da música ao responder a um anúncio buscando backing vocals para um clube local. “Cantei em clubes por sete anos. Tínhamos noites diferentes — blues, pop, country, e aos domingos as pessoas dançavam salão”, contou ao The Guardian em 2013.
Foi o esforço de cantar seis vezes por semana que moldou, de forma inesperada, a sua identidade artística. Em 1976, ela precisou operar as cordas vocais por causa de nódulos. Após quatro meses de recuperação, a voz que emergiu era mais intensa e rouca — a mesma textura que se tornaria sua marca registrada.
O primeiro grande sucesso foi It’s a Heartache, de 1977, mas Tyler nunca gostou da música. Nos últimos 18 meses de contrato com sua equipe de gerenciamento, ela simplesmente parou de se apresentar e esperou o vínculo terminar. Só em 1983, com novo empresário e nova gravadora, veio Total Eclipse of the Heart — e com ela, a consagração. “Eu me entreguei de corpo e alma cantando essa música”, declarou ao The Guardian em 2023.
Na mesma entrevista, ela relembrou uma carta que escreveu de Nova York logo após a gravação: “Dizia: ‘Gravei uma música incrível hoje. O problema é que ela é tão longa que acho que ninguém vai tocá-la.'” A faixa, reduzida de sete para quatro minutos, acabou sendo tocada na versão completa do álbum mesmo assim.
Carreira de quatro décadas e reconhecimento britânico

Ao longo da carreira, Tyler lançou 18 álbuns e recebeu três indicações ao Grammy. Em 2023, foi nomeada Membro da Ordem do Império Britânico por serviços prestados à música.
A fama, segundo ela mesma, jamais foi o objetivo. “Você tem que se dedicar e fazer isso por amor, não porque acha que vai ficar famosa. Eu nunca fiz isso”, disse ao The Guardian em 2009. Sobre a mãe, que morreu sem ver a filha se tornar estrela, Tyler guardava um conselho que dizia ter moldado tudo: “Acredite em si mesma, porque ninguém mais vai fazer isso por você.”
Tyler se casou com Robert Sullivan, gerente do clube onde começou a cantar, em 1973 — e permaneceu com ele até a morte. O casal não teve filhos. Em 1992, ela sofreu um aborto espontâneo. “Acho que o que você não tem, você não sente falta. Simplesmente não era para mim”, disse à revista People em 1996.