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Morador fecha a própria vaga de garagem com portão para evitar furtos, gasta R$ 15 mil na obra, mas descobre que a área era comum e a assembleia do condomínio manda derrubar tudo
Morador fecha vaga de garagem com portão e gasta R$ 15 mil, mas assembleia do condomínio manda derrubar: vaga era área comum e obra não tinha autorização
🔒 Gastou R$ 15 mil fechando a vaga e agora precisa derrubar tudo?
Um morador instalou portão e paredes na própria vaga para proteger o carro de furtos. Quando a assembleia descobriu, mandou demolir a obra inteira. Ele pode perder os R$ 15 mil investidos? ⬇️
Ricardo morava num prédio em Salvador onde os furtos na garagem viraram rotina. Espelhos arrancados, som automotivo roubado e, na última vez, um arranhão profundo que custou R$ 2 mil de funilaria. Cansado de registrar boletins de ocorrência, decidiu fechar a vaga de garagem com um portão de aço, duas paredes de alvenaria e iluminação própria. Contratou pedreiro, eletricista e serralheiro. Gastou R$ 15 mil na obra, feita num fim de semana prolongado. Na segunda-feira seguinte, o síndico bateu na porta do apartamento com uma notificação: a vaga ficava em área comum do condomínio e a construção precisava ser demolida.
A vaga de garagem é propriedade exclusiva do morador?
Depende do que consta na matrícula do imóvel e na convenção do condomínio. O STJ já definiu que a vaga de garagem pode se enquadrar em três categorias, conforme o REsp 1.152.148/SE julgado pela Quarta Turma. Cada categoria gera direitos diferentes para o condômino.
- Unidade autônoma: possui matrícula independente no Registro de Imóveis. É de uso exclusivo do titular e pode, em tese, ser modificada com mais liberdade.
- Direito acessório: está vinculada ao apartamento e aparece na mesma matrícula. O uso é particular, mas o espaço físico pode pertencer ao condomínio.
- Área comum: a garagem inteira pertence a todos os condôminos, e cada morador tem apenas o direito de uso de uma posição demarcada, sem propriedade sobre ela.

O condômino pode fazer obra na vaga sem autorização?
Não. O artigo 1.336 do Código Civil lista os deveres do condômino e proíbe alterações que modifiquem a fachada ou que interfiram em áreas comuns sem aprovação prévia. Mesmo quando a vaga é classificada como acessória do apartamento, fechar o espaço com portão e paredes altera a configuração original da garagem e pode afetar a circulação dos demais veículos.
A Segunda Câmara Cível do TJ-BA já analisou caso idêntico e foi categórica: o fechamento da vaga de garagem sem aprovação de dois terços dos condôminos em assembleia configura violação à convenção do condomínio. A decisão determinou a demolição da obra e o retorno ao estado original.
O morador pode ser ressarcido pelos R$ 15 mil gastos na obra?
Na maioria dos casos, não. Quem realiza construção sem autorização em área comum assume o risco de perder o investimento. A lei não protege quem age sem consultar a convenção do condomínio nem a assembleia. Se a obra for determinada a ser demolida, o custo da demolição também pode recair sobre o condômino infrator.
A única exceção seria se o morador conseguisse provar que o condomínio contribuiu para a situação, por exemplo, se o síndico autorizou informalmente a obra ou se outros condôminos fizeram modificações semelhantes sem punição. Nesses casos, seria possível alegar tratamento desigual, mas a jurisprudência tende a manter a obrigação de demolir.

Como resolver a insegurança na garagem sem violar a convenção?
O caminho correto é levar a questão à assembleia. O morador pode propor a instalação de câmeras, cancelas, portões coletivos ou iluminação reforçada como obras úteis, que exigem maioria simples para aprovação. Se a maioria concordar com o fechamento individual das vagas, a obra se torna regular e protegida pela decisão coletiva.
Se você está pensando em fazer qualquer modificação na garagem do seu prédio, leia a convenção do condomínio antes de contratar o pedreiro. Converse com o síndico, apresente sua proposta na próxima assembleia e registre a aprovação em ata. Gastar R$ 15 mil numa obra irregular dói no bolso, mas gastar mais R$ 5 mil para demolir o que você acabou de construir dói ainda mais.