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A Capital do Doce recebe a 32ª Fenadoce entre 15 de julho e 2 de agosto de 2026, é a única cidade a receber duplo reconhecimento do IPHAN em 80 anos
Cidade que também entrou para a história pelo raro reconhecimento do IPHAN.
Poucas cidades brasileiras conseguem transformar o cheiro do açúcar caramelizado em identidade cultural, patrimônio nacional e a maior feira gastronômica do sul do país. Pelotas, a 270 km de Porto Alegre, no sul do Rio Grande do Sul, faz isso todos os anos. A Capital do Doce de cerca de 325 mil habitantes, apelidada de Princesa do Sul, guarda mais de 1.300 prédios ecléticos inventariados no centro histórico, tradições doceiras herdadas dos portugueses no século XVIII e uma feira anual que reúne mais de 300 mil visitantes em três semanas.
Quando acontece a Fenadoce 2026 e o que esperar da 32ª edição?
A resposta está confirmada no calendário oficial. Segundo o portal oficial da Feira Nacional do Doce (Fenadoce), a 32ª edição acontece entre 15 de julho e 2 de agosto de 2026, no Centro de Eventos da Fenadoce, com o tema Doces Aventuras de Pelotas – Uma jornada mágica. O evento é realizado desde 1986 pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL Pelotas) e virou o principal cartão-postal turístico do calendário gaúcho de inverno.
A edição anterior recebeu 313 mil visitantes, comercializou cerca de 1,8 milhão de doces e contabilizou mais de 700 excursões de todo o Brasil e de países vizinhos como Argentina, Paraguai e Uruguai. A programação combina a Cidade dos Doces, onde é possível ver a produção artesanal em tempo real, festival gastronômico com oficinas e aulas-show, Feira da Agricultura Familiar, Fenadoce Cultural com apresentações de dança, música, teatro e tradições gauchescas, além de expositores de artesanato e comércio. A personagem Formiga Docília conduz o público pelo universo simbólico da feira em uma narrativa inspirada em obra literária local.

Como Pelotas virou a Capital Nacional do Doce por causa do charque?
A resposta começa em um intercâmbio comercial do século XIX. Segundo o portal oficial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), a primeira referência histórica sobre Pelotas data de 1758, quando o Conde de Bobadela doou terras às margens da Lagoa dos Patos. Em 1780, o português José Pinto Martins, que abandonou o Ceará por causa da seca, fundou a primeira charqueada. Ao longo do século XIX, mais de 50 charqueadas funcionavam às margens do Arroio Pelotas, produzindo carne salgada que alimentava o país.
Foi o charque que abriu caminho para o açúcar. Os navios que levavam a carne salgada para o Nordeste voltavam carregados de açúcar, matéria-prima que, no interior dos casarões pelotenses, virou doce fino nas mãos das famílias portuguesas. As receitas geralmente à base de ovos consolidaram uma tradição regional que se somou aos doces coloniais das colônias imigrantes, feitos com frutas dos pomares cultivados desde o século XVIII. A cidade se tornou uma das mais ricas do interior brasileiro no ciclo do charque, entre 1800 e 1900, e recebeu oficialmente o título de Capital Nacional do Doce.
Por que o IPHAN concedeu duplo reconhecimento a Pelotas em 2018?
A resposta está em uma decisão inédita. Segundo o portal oficial do IPHAN, em 15 de maio de 2018, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou, em uma única sessão em Brasília, o tombamento do Conjunto Histórico de Pelotas como Patrimônio Cultural Brasileiro e o registro das Tradições Doceiras da Região de Pelotas e Antiga Pelotas como Patrimônio Imaterial da Humanidade.
Foi a primeira vez em 80 anos de história do IPHAN que uma cidade recebeu os dois instrumentos de proteção patrimonial na mesma reunião. O registro imaterial abrange as tradições de doces finos das famílias urbanas e doces coloniais dos produtores rurais, praticadas em Pelotas e nos municípios vizinhos de Arroio do Padre, Capão do Leão, Morro Redondo e Turuçu. A ficha oficial destaca ainda os pomares de pêssego cultivados desde o século XVIII como base da criação de doces de fruta que caracterizam a tradição colonial.
O que ver no Conjunto Histórico com 1.300 prédios tombados?
A resposta está no maior acervo eclético do país. Segundo o IPHAN, o conjunto histórico pelotense reúne 1.300 prédios inventariados em estilo eclético, testemunho arquitetônico do ciclo do charque entre 1800 e 1900, com quatro praças que concentram os principais marcos urbanos. Muitos casarões abrigam confeitarias tradicionais, cafés e museus da tradição doceira, acessíveis a pé pelas ruas do centro.
- Praça Coronel Pedro Osório: praça central e coração do centro histórico, cercada de casarões coloniais e prédios ecléticos que virou o mais importante espaço público da cidade.
- Teatro Sete de Abril: monumento arquitetônico tombado pelo IPHAN, referência da vida cultural pelotense com programação regular de teatro, música e dança.
- Caixa d’Água: patrimônio tombado, símbolo urbano da cidade e uma das construções mais fotografadas do centro histórico.
- Obelisco Republicano: monumento histórico integrado ao conjunto tombado, ergue-se em espaço público do centro pelotense.
- Catedral Metropolitana de São Francisco de Paula: templo católico central com arquitetura eclética, um dos principais marcos religiosos da cidade.
- Mercado Público: espaço tradicional de comércio, ponto de encontro de moradores e turistas que buscam produtos regionais e gastronomia local.
Quais doces experimentar durante a visita?
A tradição doceira pelotense divide-se em duas correntes reconhecidas pelo IPHAN: os doces finos das famílias urbanas e os doces coloniais dos produtores rurais. Ambas convivem em confeitarias centenárias, cafés e feiras espalhadas pela cidade.
- Quindim: doce fino de gema de ovo e coco, uma das receitas mais icônicas herdadas da tradição portuguesa, presente em todas as confeitarias tradicionais.
- Camafeu: doce em formato arredondado com recheio de nozes e cobertura fondant, ícone das mesas de casamento pelotenses há mais de um século.
- Bem-casado: doce de casamento composto por dois biscoitos amanteigados unidos por doce de leite, tradicional em festas locais e ganhador de popularidade nacional.
- Ninho e Papos-de-Anjo: doces finos delicados à base de ovos, receitas com origem nos conventos portugueses e presença certa em cafeterias históricas.
- Doces coloniais de pêssego: em pasta, cristalizados ou em calda, aproveitam a produção de pomares cultivados na região desde o século XVIII pelas famílias das colônias rurais.
O que fazer além dos doces e do centro histórico?
Além da tradição gastronômica, Pelotas oferece antigas charqueadas restauradas, universidades históricas, mercado público e uma orla lagunar às margens da maior laguna do Brasil.
- Charqueadas do Arroio Pelotas: cerca de dez unidades tiveram parte da área preservada, e algumas foram transformadas em museus e hospedagens temáticas com imersão na história do ciclo do charque.
- Praia do Laranjal: banhada pela Lagoa dos Patos, a maior laguna do Brasil, oferece extensa faixa de areia, ciclovia e restaurantes com pratos regionais à beira d’água.
- Universidade Federal de Pelotas (UFPel): instalada em conjunto de prédios históricos tombados, abriga o Museu do Doce, aberto à visitação em casarão restaurado do centro.
- Catedral Anglicana do Redentor: templo em estilo neogótico, marco arquitetônico da comunidade britânica que se instalou na região no auge do ciclo do charque.
- Canal de São Gonçalo: liga a Lagoa dos Patos à Lagoa Mirim, as duas maiores lagoas do Brasil, cortando o município e oferecendo cenários para passeios de barco e observação de fauna.

Como é o clima e a melhor época para visitar Pelotas?
O clima é subtropical úmido, com quatro estações bem marcadas. Verões quentes e invernos frios com noites que podem se aproximar dos zero graus. A Fenadoce, entre julho e agosto, coincide com a alta temporada de inverno gaúcho, com noites frias, cafés lotados e o ambiente ideal para provar doces quentes com chá e café colonial.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Pelotas?
De carro, o acesso mais direto a partir de Porto Alegre é pela BR-116 em direção ao sul, com trajeto de cerca de 270 km e viagem média de três horas e meia. A cidade fica a 130 km da fronteira com o Uruguai, o que a torna ponto estratégico para roteiros combinados com o país vizinho.
Quem prefere avião pode desembarcar no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, com voos nacionais e internacionais frequentes e trecho final por rodovia. Pelotas também tem aeroporto próprio, o Aeroporto Internacional de Pelotas, com voos regionais. Ônibus regulares saem várias vezes ao dia da rodoviária da capital gaúcha, e serviços de transfer privado e excursões atendem especialmente a temporada da Fenadoce.
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A Capital Nacional do Doce no sul do Rio Grande
Pelotas reúne uma combinação difícil de encontrar em outro município brasileiro: o título oficial de Capital Nacional do Doce, o único caso na história do IPHAN em 80 anos em que uma cidade recebeu duplo reconhecimento na mesma sessão, um conjunto histórico com 1.300 prédios ecléticos tombados, tradições doceiras reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial e a maior feira gastronômica do sul do país, com mais de 313 mil visitantes por edição. A antiga capital do charque virou referência nacional em cultura e gastronomia.
Você precisa conhecer Pelotas e caminhar pela Praça Coronel Pedro Osório em uma manhã de outono, provar um quindim e um camafeu recém-saídos da confeitaria em pleno inverno gaúcho e entender por que a Princesa do Sul continua sendo, ao lado da Fenadoce em julho e agosto, um dos destinos gastronômicos mais completos do Brasil.