Com 1.500 casarões coloniais em apenas 1,2 km², a "Pequena Lisboa" do século XVI foi o segundo Patrimônio Mundial do Brasil - Super Rádio Tupi
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Com 1.500 casarões coloniais em apenas 1,2 km², a “Pequena Lisboa” do século XVI foi o segundo Patrimônio Mundial do Brasil

Entre ruas de pedra e 1.500 casarões coloniais.

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A "Veneza Brasileira" do barroco é essa cidade de 1535 que abriga o primeiro convento franciscano do país
Olinda brilha no turismo cultural com seu Carnaval de bonecos gigantes e eventos que destacam a rica herança afro-brasileira. // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Ladeiras de paralelepípedos, casarões coloridos com azulejos portugueses e um dos carnavais mais tradicionais do país. Olinda, apelidada de “Pequena Lisboa” guarda quase cinco séculos de história em uma colina cravada no litoral de Pernambuco, a poucos minutos de Recife, e reúne a maior concentração de arquitetura barroca do Nordeste.

A vila que Duarte Coelho batizou de Ó linda

A cidade foi fundada em 12 de março de 1535 por Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco. Segundo o registro das primeiras crônicas, o donatário teria exclamado “Ó linda situação para se construir uma vila” ao avistar a colina de frente para o mar, o que teria batizado o local.

A vila enriqueceu rapidamente com a cana-de-açúcar. Foi comparada em opulência à capital portuguesa e chegou a ser chamada de Pequena Lisboa. Em 1630, os holandeses invadiram a região e, um ano depois, incendiaram a cidade e transferiram a capital para o Recife. A reconstrução começou após a expulsão dos invasores em 1654 e preservou o traçado medieval das ladeiras.

Olinda deixou de ser capital de Pernambuco em definitivo em 1837, quando Recife assumiu a sede do governo provincial. A relação entre as duas cidades vizinhas permaneceu tão próxima que ambas celebram aniversário no mesmo dia, 12 de março, com festividades conjuntas.

Essa cidade brasileira com um dos carnavais mais famosos do país e praias paradisíacas vira sonho de viagem
Suba as ladeiras de Olinda curtindo vistas panorâmicas, tapiocas quentes e praias calmas para um dia relaxante. // Créditos: depositphotos.com / mbastos

1,2 km² onde cabem quase cinco séculos

O conjunto arquitetônico foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1968. Catorze anos depois, em 1982, Olinda se tornou a segunda cidade brasileira reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade, atrás apenas de Ouro Preto, em Minas Gerais.

Segundo o IPHAN, o centro histórico ocupa 1,2 km² e reúne cerca de 1.500 imóveis. Ali convivem edifícios coloniais do século XVI, fachadas azulejadas dos séculos XVIII e XIX e obras neoclássicas e ecléticas do início do XX. O conjunto integra a arquitetura ao sítio físico, com a presença marcante do mar e da vegetação nativa.

Destacam-se exemplares raros da arquitetura religiosa dos séculos XVI e XVII, como o Convento e Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o Convento de Nossa Senhora das Neves, que integra o conjunto do Convento de São Francisco. Cerca de vinte igrejas barrocas coroam colinas e ladeiras, transformando cada esquina em cenário histórico.

O carnaval das ladeiras e o Homem da Meia-Noite

Poucos carnavais brasileiros são tão tradicionais quanto o de Olinda. A festa acontece nas ruas do centro histórico, sem cordas ou camarotes, ao som de frevo, maracatu e caboclinhos. Os foliões sobem e descem as ladeiras acompanhando blocos que arrastam multidões.

O ponto alto é o desfile dos bonecos gigantes. Segundo a Secretaria de Cultura de Pernambuco, o Homem da Meia-Noite é o mais antigo entre eles, com cerca de quatro metros de altura. Fundado em 2 de fevereiro de 1932, o calunga de fraque, cartola e dente de ouro abre oficialmente a festa à meia-noite do sábado de carnaval.

A tradição cresceu com o tempo. Junto ao boneco original desfilam a Mulher do Dia e o Menino da Tarde, e mais de 50 figuras participam do Encontro dos Bonecos Gigantes na terça-feira gorda. A cada edição, novos personagens da cultura brasileira ganham versão gigante, misturando homenagens locais e nacionais.

Cidade nordestina encanta com história viva e o carnaval mais colorido do Brasil
Olinda PE prepara Carnaval 2026 com orquestras e bonecos gigantes; visite Alto da Sé e praias como Del Chifre em alta temporada agora! – Créditos: depositphotos.com / giannakisphoto

O que fazer entre igrejas, mirantes e ateliês

O passeio pelo centro histórico se faz a pé, entre ladeiras íngremes e mirantes de tirar o fôlego. As distâncias são curtas e as atrações se conectam de forma quase natural.

  • Alto da Sé: ponto mais alto da cidade, com vista panorâmica de Recife e do oceano. Ali estão a Igreja de São Salvador do Mundo, tapioqueiras tradicionais e feirinhas de artesanato.
  • Convento e Igreja de São Francisco: primeiro convento franciscano das Américas, construído a partir de 1585, com painéis de azulejos portugueses e igreja barroca.
  • Igreja de Nossa Senhora do Carmo: erguida em 1580, tombada pelo IPHAN e restaurada em 2012.
  • Mosteiro de São Bento: fundado em 1582, guarda o altar-mor barroco original hoje exposto no Metropolitan Museum de Nova York.
  • Rua do Amparo: eixo cultural com ateliês de artistas plásticos, galerias e bares em casarões coloridos.
  • Casa dos Bonecos Gigantes: acervo com o Homem da Meia-Noite e dezenas de outros calungas fora da temporada do carnaval.
  • Mercado da Ribeira: um dos mais antigos do país, com artesanato regional e xilogravuras.

Sabores portugueses, africanos e indígenas na mesma mesa

A cozinha olindense mistura três raízes fortes, com pratos que combinam com o ritmo do passeio nas ladeiras. Bares e restaurantes ocupam antigos casarões e sobrados restaurados.

  • Tapioca do Alto da Sé: vendida em barracas do mirante, recheada com queijo coalho, carne de sol ou coco ralado.
  • Bolo de Rolo: quitute pernambucano de massa fina enrolada com goiabada, tradição herdada dos engenhos.
  • Carne de sol com macaxeira: prato clássico do sertão nordestino, servido em restaurantes do centro histórico.
  • Caldinhos: sopas concentradas de camarão, feijão ou peixe, servidas em copos pequenos.

Como é o clima de Olinda durante o ano?

A cidade tem clima tropical úmido, com temperaturas altas o ano inteiro. As chuvas se concentram entre março e agosto, mas quase nunca comprometem o passeio pelo centro histórico.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 24-31°C
Chuva: ☀️ Baixa
Aproveite o Carnaval e Alto da Sé.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 23-30°C
Chuva: 🌧️ Alta
Excelente momento para explorar as Igrejas barrocas e ateliês.
❄️ Inverno Jun – Ago
Média: 22-28°C
Chuva: 🌧️ Alta
Ideal para curtir os Mosteiros e Casa dos Bonecos.
🌺 Primavera Set – Nov
Média: 23-30°C
Chuva: ☀️ Baixa
Perfeito para aproveitar as Praias e Rua do Amparo.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

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Olinda é uma cidade histórica de Pernambuco, Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, famosa pelo centro colonial com ladeiras e igrejas barrocas. // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Como chegar à Pequena Lisboa

Olinda fica a cerca de sete km de Recife, na região metropolitana. O Aeroporto Internacional do Recife Gilberto Freyre é o principal portão de entrada, a aproximadamente 30 minutos de carro do centro histórico. O acesso rodoviário se dá pela BR-101 e pela PE-015, e há linhas regulares de ônibus e transporte por aplicativo entre as duas cidades.

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A cidade das ladeiras coloridas

Poucos destinos brasileiros oferecem quase cinco séculos de história em 1,2 km², com vinte igrejas barrocas, ruas de paralelepípedos e um carnaval de rua ainda tocado pelos mesmos ritmos do século passado. Olinda mantém viva a atmosfera colonial sem virar apenas paisagem de museu.

Você precisa conhecer Olinda e subir até o Alto da Sé ao pôr do sol para entender por que a Pequena Lisboa virou o segundo Patrimônio Mundial reconhecido no Brasil.