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Entre vestígios de 4 mil anos, praias e mais de 3 mil micos-leões-dourados, esse destino virou um dos refúgios do litoral fluminense
Um dos refúgios mais tranquilos do litoral fluminense.
Quinze praias em uma faixa de 28 km, sol brilhando praticamente o ano inteiro e uma reserva biológica federal que abriga um dos maiores rebanhos de micos-leões-dourados do Brasil. Rio das Ostras, entre Búzios e Macaé, é uma das cidades mais jovens do Rio de Janeiro, criada há pouco mais de trinta anos, mas guarda uma das ocupações humanas mais antigas do litoral fluminense.
De “Leripe” a Rio das Ostras: 4 mil anos de história
A ocupação começou muito antes dos portugueses. Segundo a Prefeitura Municipal de Rio das Ostras, caçadores e coletores semi-nômades já viviam na região há cerca de quatro mil anos, deixando sambaquis, montes de conchas de ostras e restos alimentares que hoje são sítios arqueológicos. O reconhecimento científico veio em 1967, quando o Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) demarcou oficialmente esses depósitos.
O nome atual é uma tradução direta do tupi-guarani. Os primeiros habitantes chamavam o local de Leripe ou Seripe, expressão que significa lugar da ostra grande e faz referência à abundância do molusco na costa. A designação portuguesa surgiu séculos depois, mas manteve a lógica dos nativos.
A primeira posse formal aconteceu em 20 de novembro de 1630, quando o Capitão-Mor Governador Martins Corrêa de Sá doou uma sesmaria aos jesuítas. A faixa foi delimitada por dois marcos de pedra, batizados como Pitombas, com a insígnia da Companhia de Jesus. Um marco foi cravado em Itapebussus e o outro na barreta do Rio Leripe.

Uma cidade criada há pouco mais de trinta anos
Apesar das raízes profundas, o município é jovem. Ainda segundo a Prefeitura, a criação oficial veio pela Lei Estadual nº 1.984, de 1992, quando o território foi desmembrado de Casimiro de Abreu. A partir dali, Rio das Ostras começou a organizar sua vocação natural, com a preservação dos costões rochosos e a criação de unidades de conservação municipais.
A geografia ajudou a definir o perfil turístico. A cidade tem 28 km de costa e cerca de 15 praias, oferecendo alternativas para banho tranquilo em enseadas, surfe em faixas de mar aberto e caminhadas nos costões rochosos. O sol brilha praticamente todos os dias do ano, com clima seco e ventos constantes vindos do oceano.
A localização estratégica também pesa. Rio das Ostras fica a cerca de 170 km do Rio de Janeiro, entre dois destinos consolidados do litoral norte fluminense: Búzios e Macaé. Isso permitiu à cidade construir uma identidade própria, longe do circuito mais concorrido, mas com estrutura hoteleira e gastronômica em desenvolvimento constante.
A casa dos micos-leões-dourados
Um dos grandes patrimônios naturais fica na divisa com Macaé. Segundo a Prefeitura Municipal de Rio das Ostras, a Reserva Biológica União foi criada em 22 de abril de 1998 e é administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A área abrange também parte de Casimiro de Abreu e protege remanescentes da Mata Atlântica.
O símbolo da reserva é uma das espécies mais ameaçadas do país. Os primeiros micos-leões-dourados chegaram à antiga Fazenda União em 1994, por meio de translocação, vindos de pequenos fragmentos ameaçados da região. Hoje, a Reserva Biológica União abriga mais de três mil indivíduos, um dos maiores núcleos do primata em vida livre.
A visitação é restrita e educativa. Segundo o ICMBio, os grupos são de no mínimo dez e no máximo vinte pessoas, com agendamento prévio. A parceria com a Prefeitura amplia o alcance com escolas locais, integrando o município ao conselho gestor federal e a reserva ao Conselho Municipal de Meio Ambiente.

O que fazer entre praias, sambaquis e costões
As atrações estão distribuídas em toda a faixa litorânea e no interior da cidade. A maioria fica a poucos minutos umas das outras, com boa infraestrutura de acesso e sinalização.
- Orla do Centro: extensão de bares, restaurantes e quiosques, com a Concha Acústica, a Figueira Centenária e o Poço de Pedras do Largo de Nossa Senhora da Conceição.
- Monumento Natural dos Costões Rochosos: faixa preservada entre a Praia da Joana e a Praça da Baleia, ideal para caminhadas e para observar o nascer do sol.
- Praia de Costazul: uma das mais frequentadas, com mar aberto e infraestrutura completa de quiosques e restaurantes.
- Praia das Tartarugas: enseada abrigada com águas mais calmas, ideal para famílias e mergulho leve.
- Parque Natural Municipal dos Pássaros: reserva urbana no Jardim Mariléa dedicada à preservação de aves nativas da restinga.
- APA da Lagoa do Iriry: unidade de conservação municipal criada em 2003, com águas salobras e vegetação preservada.
- Museu Sambaqui da Tarioba: espaço dedicado ao acervo arqueológico dos primeiros habitantes da região.
- Casa Bento Costa Júnior: construção do final do século XIX, antigo depósito de sal e residência histórica preservada.
A mesa do litoral norte fluminense
A gastronomia acompanha a vocação pesqueira e a herança cultural dos primeiros habitantes. Frutos do mar predominam nos cardápios da orla.
- Ostras frescas: cultivadas na costa, resgatam a tradição que deu nome à cidade, servidas naturais ou gratinadas.
- Peixes grelhados: robalos, badejos e vermelhos frescos, comprados diretamente dos pescadores no cais.
- Caldeirada de frutos do mar: prato tradicional das pousadas e restaurantes históricos da orla.
- Moqueca capixaba: influência do litoral vizinho, com panela de barro e leite de coco.

Como é o clima de Rio das Ostras durante o ano?
A cidade tem clima tropical litorâneo, com temperaturas amenas no inverno e verões quentes. As chuvas se concentram entre novembro e março, sem interromper a temporada de praia.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar à Cidade das Ostras
Rio das Ostras fica a cerca de 170 km do Rio de Janeiro pela BR-101, com viagem de aproximadamente duas horas e meia. O Aeroporto Internacional do Galeão, na capital fluminense, é a principal porta aérea, e o Aeroporto de Macaé, a 30 km, atende voos regionais. De Búzios são cerca de 60 km, alternativa comum para quem combina os dois destinos no mesmo roteiro.
A cidade dos costões e dos micos
Poucos destinos brasileiros oferecem em raio tão curto sambaquis pré-históricos, uma reserva biológica com espécie ameaçada em recuperação, quinze praias com águas transparentes e sol quase o ano inteiro. Rio das Ostras entrega o litoral norte fluminense com ritmo próprio, longe das multidões que lotam os destinos vizinhos.
Você precisa conhecer Rio das Ostras e caminhar pelo Monumento Natural dos Costões Rochosos ao nascer do sol para entender por que a Cidade das Ostras virou refúgio de quem procura litoral tranquilo perto do Rio de Janeiro.