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A Capital Mundial do Voo Livre fica a 1.123 metros sobre o Vale do Rio Doce e sediou o Mundial de Asa-delta de 1989

Entre montanhas e o Vale do Rio Doce, essa cidade sediou o Mundial de Asa-delta de 1989.

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A cidade oferece um roteiro que mistura aventura, comércio de gemas e passeios à beira do Rio Doce. / Imagem ilustrativa

Uma montanha em forma de castelo de pedra que se ergue no meio da cidade, correntes térmicas que atraem pilotos de dezenas de países e um desnível raro que transformou Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, em um dos pontos mais respeitados do planeta para parapente e asa-delta. A Princesinha do Vale e Capital Mundial do Voo Livre reúne aventura, natureza e história colonial em um mesmo endereço.

O Pico da Ibituruna e sua origem tupi

O nome carrega dois séculos e meio de história. Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), o topônimo Ibituruna foi atribuído ao pico pelo bandeirante Fernão Dias Paes e vem do tupi. A tradução tem duas versões documentadas: “serra negra” ou “nuvem negra”, em referência à silhueta escura da rocha, e “árvore alta e frondosa”, nomes que passaram a designar toda a formação.

A exploração européia da região é ainda mais antiga. As primeiras incursões pelo Rio Doce em busca de metais e pedras preciosas foram feitas por Sebastião Fernandes Tourinho em 1573, seguidas por outras expedições que abriram caminho para o povoamento colonial do vale. O maciço rochoso funcionou desde então como referência geográfica para viajantes e sertanejos.

A cidade que cresceu aos pés do pico é jovem. Governador Valadares foi fundada em 30 de janeiro de 1938 e recebeu o nome em homenagem a Benedito Valadares Ribeiro, então interventor federal de Minas Gerais. Hoje é a nona cidade mais populosa do estado, com pouco mais de 266 mil habitantes, cortada pelo Rio Doce e famosa pelo comércio de gemas.

A tradição começou em 1983, com o Campeonato Brasileiro de Voo Livre disputado no local. / Créditos: Wikipédia

Como o Ibituruna virou uma plataforma natural mundial de voo livre

O que faz do pico um destino global é uma combinação geográfica rara. O maciço se ergue a 1.123 metros de altitude com desnível abrupto em relação ao Vale do Rio Doce, criando correntes térmicas ideais para voos de longa distância durante quase todo o ano.

A tradição começou em 1983, com o Campeonato Brasileiro de Voo Livre disputado no local. O reconhecimento internacional veio em 1989, quando a cidade sediou o Mundial de Asa-delta, seguido pela Copa do Mundo de Parapente em 1994. Desde então, a Rampa Eduardo Magalhães, no topo, recebe pilotos de dezenas de nacionalidades e é considerada uma das plataformas naturais mais respeitadas do planeta para a modalidade.

A visitação vai além dos esportes radicais. A subida atrai trilheiros e ciclistas de mountain bike, e o mirante entrega vista panorâmica de todo o Vale do Rio Doce. Para quem nunca voou, há a possibilidade de fazer voo duplo com instrutor credenciado, e as decolagens em sequência viraram atração à parte para visitantes que preferem ficar em terra firme.

A cidade oferece um roteiro que mistura aventura, comércio de gemas e passeios à beira do Rio Doce. / Créditos: Wikipédia

Um dos primeiros monumentos naturais tombados de Minas Gerais

A proteção legal do maciço tem raiz constitucional. Segundo o Governo do Estado de Minas Gerais, o Pico da Ibituruna foi instituído como Monumento Natural pelo artigo 84 dos Atos das Disposições Transitórias da Constituição Estadual, em 1989, mesmo ano do Mundial de Asa-delta na cidade.

O ordenamento territorial veio depois. Os limites e as regras de uso foram estabelecidos pela Lei Estadual nº 21.158, de 17 de janeiro de 2014, garantindo a preservação integral do conjunto rochoso e da vegetação nativa. A unidade abriga campos rupestres, afloramentos granítico-gnáissicos e trechos preservados de Floresta Estacional Semidecidual, bioma pouco visto em outras montanhas mineiras.

A gestão é compartilhada. O IEPHA-MG registra o conjunto paisagístico do Ibituruna como bem cultural tombado, e o Parque Natural Municipal Emiliana Marques, no entorno, protege parte da área verde do maciço. O tombamento envolve ainda o Complexo Monumento do Ibituruna, incluindo a capela e o pedestal da imagem no topo, e integra o pico ao patrimônio cultural do estado.

O que fazer entre o pico, o rio e o centro histórico

A cidade oferece um roteiro que mistura aventura, comércio de gemas e passeios à beira do Rio Doce. A maioria das atrações fica em raio de até 15 km do centro.

  • Pico da Ibituruna: mirante a 1.123 metros de altitude, rampa oficial de voo livre e vista de 360 graus do Vale do Rio Doce.
  • Ilha dos Araújos: calçadão às margens do Rio Doce com restaurantes, bares e espaço para caminhada, corrida e ciclismo.
  • Rampa Eduardo Magalhães: plataforma natural de decolagem para parapente e asa-delta, base dos principais campeonatos internacionais.
  • Parque Natural Municipal Emiliana Marques: reserva no entorno do Ibituruna, com trilhas em mata preservada e observação de fauna.
  • Comércio de gemas: lojas especializadas em turmalina, água-marinha, topázio e outras pedras extraídas na região.
  • Praça dos Pioneiros: marco histórico da fundação da cidade, no centro urbano, próxima ao complexo cultural.
  • Teatro Atiaia: espaço cultural que recebe apresentações locais e regionais durante o ano inteiro.
Governador Valadares transformou o Pico da Ibituruna em símbolo e cartão de visitas. / Créditos: Wikipédia

A mesa mineira do Vale do Rio Doce

A gastronomia acompanha a tradição mineira com adaptações do interior do vale. Peixes de água doce e cozinha de fogão a lenha marcam presença nos restaurantes tradicionais.

  • Peixes do Rio Doce: surubim, dourado e piau grelhados ou assados, servidos com farofa e mandioca cozida.
  • Feijão tropeiro: prato clássico mineiro com feijão, torresmo, ovo e couve refogada.
  • Frango caipira com quiabo: receita tradicional do interior servida em restaurantes de fogão a lenha.
  • Doce de leite e queijo canastra: sobremesa e acompanhamento presentes em quase todos os cardápios locais.

Leia também: No meio do deserto do Atacama, uma montanha de roupas de 60 mil toneladas foi encontrada: ela veio da Europa e pode ser vista do espaço.

Como é o clima de Governador Valadares durante o ano?

A cidade tem clima tropical com altas temperaturas e período seco bem definido. As chuvas se concentram entre outubro e março, e o período seco favorece as condições ideais para o voo livre.

☀️ Verão Dez – Fev
Média: 22-33°C
Chuva: 🌧️ Alta
Aproveite a Ilha dos Araújos e caminhadas.
🍂 Outono Mar – Mai
Média: 19-31°C
Chuva: 🌦️ Média
Excelente momento para explorar o Pico da Ibituruna e trilhas.
❄️ Inverno Jun – Ago
Média: 15-28°C
Chuva: ☀️ Baixa
Ideal para curtir o Voo livre e mirantes.
🌺 Primavera Set – Nov
Média: 19-33°C
Chuva: 🌦️ Média
Perfeito para explorar o Comércio de gemas e cultura.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar à Princesinha do Vale

Governador Valadares fica a cerca de 324 km de Belo Horizonte, com acesso pela BR-381 em aproximadamente cinco horas de carro. O Aeroporto Regional de Governador Valadares opera voos comerciais domésticos, e o Aeroporto Internacional de Confins, na capital mineira, é a principal porta aérea para conexões internacionais. Do Rio de Janeiro são cerca de 700 km pela BR-116.

A cidade onde o vento decola do pico

Poucos destinos brasileiros combinam montanha reconhecida mundialmente, comércio de pedras preciosas e um vale cortado por um rio histórico em raio tão curto. Governador Valadares transformou o Pico da Ibituruna em símbolo e cartão de visitas, com decolagens diárias que colocaram o Vale do Rio Doce no mapa dos esportes de aventura globais.

Você precisa conhecer Governador Valadares e subir ao topo da Ibituruna para entender por que a Princesinha do Vale virou Capital Mundial do Voo Livre.