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Saúde

Colesterol alto: 7 fatores que aumentam o risco para o coração

Genética, doenças crônicas, envelhecimento e hábitos cotidianos também influenciam a saúde cardiovascular e exigem acompanhamento

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Genética, doenças crônicas e hábitos de vida podem influenciar o colesterol (Imagem: Orawan Pattarawimonchai | Shutterstock)

Quando o assunto é colesterol alto, muita gente pensa imediatamente em alimentos gordurosos. Mas a alimentação é apenas um dos fatores que influenciam a condição. Histórico familiar, diabetes, sedentarismo, excesso de peso e até o envelhecimento também impactam diretamente o risco de desenvolver alterações no colesterol e, consequentemente, doenças cardiovasculares.

O colesterol alto causa 3,6 milhões de mortes todos os anos, segundo a Federação Mundial do Coração, tornando-se o terceiro principal fator de risco modificável para essas doenças, atrás apenas da hipertensão arterial e dos riscos alimentares. Infarto e acidente vascular cerebral (AVC) estão entre as principais consequências.

Neste 8 de agosto, Dia Nacional e Mundial de Combate ao Colesterol, o endocrinologista Ramon Marcelino, doutor pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro do corpo clínico do Hospital Sírio-Libanês, alerta que um dos maiores desafios é justamente o fato de a doença ser silenciosa.

“O colesterol elevado raramente provoca sintomas. Na maioria das vezes, ele só é descoberto em exames de rotina ou quando já houve um evento cardiovascular. Além disso, não tratamos apenas um número, o risco depende de um conjunto de fatores”, alerta.

A seguir, confira os principais fatores que aumentam o colesterol e colocam a saúde do coração em risco.

1. Histórico familiar 

Ter parentes de primeiro grau com colesterol alto ou casos precoces de infarto e AVC pode indicar uma predisposição genética para desenvolver a doença. Mesmo pessoas com hábitos saudáveis podem apresentar níveis elevados de colesterol. “Quanto mais cedo identificamos esses pacientes, maiores são as chances de prevenir complicações cardiovasculares”, explica Ramon Marcelino. 

2. Diabetes 

Quem tem diabetes costuma apresentar alterações no metabolismo das gorduras e possui risco cardiovascular mais elevado. Por isso, frequentemente precisa atingir metas de colesterol mais rigorosas.

3. Sobrepeso e obesidade 

O excesso de gordura corporal favorece o aumento do colesterol LDL (“ruim”) e dos triglicerídeos, além de reduzir o HDL (“bom”), facilitando a formação de placas de gordura nas artérias.

4. Sedentarismo 

A prática regular de atividade física ajuda a controlar os níveis de colesterol e melhora a saúde cardiovascular como um todo. Já a falta de exercícios favorece alterações metabólicas e aumenta o risco de doenças do coração.

5. Tabagismo e hipertensão 

O cigarro agride os vasos sanguíneos e facilita o acúmulo de placas de gordura. A hipertensão acelera esse processo. Juntos, esses fatores potencializam o risco de infarto e AVC.

Homem com cabelo curto e barba grisalhos, usando camisa jeans e avental bege preparando salada na cozinha
Uma alimentação equilibrada ajuda a controlar os níveis de colesterol (Imagem: Prostock-studio | Shutterstock)

6. Alimentação inadequada

O consumo frequente de ultraprocessados, frituras, embutidos e alimentos ricos em gordura saturada contribui para o aumento do LDL. No entanto, Ramon Marcelino faz um alerta: nenhum alimento, isoladamente, explica o colesterol alto. “Mais importante do que demonizar um alimento é olhar para o padrão alimentar como um todo”, ressalta.

7. Envelhecimento 

Com o passar dos anos, o metabolismo sofre mudanças naturais e o risco cardiovascular aumenta. Por isso, manter o acompanhamento médico e realizar exames periódicos torna-se ainda mais importante com o avanço da idade.

O colesterol não é o vilão

Apesar da fama, o colesterol é uma substância essencial para o organismo. Ele participa da formação das células, da produção de hormônios e da vitamina D. O problema surge quando há excesso de colesterol LDL, que favorece o acúmulo de gordura nas artérias e aumenta o risco de doenças cardiovasculares.

Existem dois principais tipos de colesterol. O LDL, conhecido como “colesterol ruim”, transporta o colesterol do fígado para os tecidos. Quando está elevado, pode se depositar nas paredes das artérias, formando placas de gordura que estreitam os vasos e aumentam o risco de infarto e AVC. O HDL, chamado de “colesterol bom”, faz o caminho inverso: remove o excesso de colesterol das artérias e o leva de volta ao fígado para eliminação, ajudando a proteger o sistema cardiovascular.

“O colesterol elevado é apenas a ponta do iceberg. Para definir a necessidade de tratamento, avaliamos todo o contexto do paciente, incluindo fatores de risco, histórico familiar e a relação entre LDL e HDL”, explica Ramon Marcelino.

Evolução no tratamento

Além de reforçar a importância do diagnóstico precoce, o Dia Nacional e Mundial de Combate ao Colesterol também coincide com um momento de inovação na área. Recentemente, o U.S. Food and Drug Administration (FDA) aprovou o primeiro comprimido da classe dos inibidores de PCSK9, e estudos iniciais mostraram resultados promissores de uma terapia de edição genética capaz de reduzir o colesterol após uma única aplicação. 

Embora essas tecnologias representem uma nova perspectiva para pacientes de alto risco ou com formas hereditárias da doença, Ramon Marcelino ressalta que elas não substituem os cuidados já consolidados. “As novas terapias ampliam nossas opções de tratamento, mas aquilo que mais salva vidas continua sendo o diagnóstico precoce, uma alimentação equilibrada, atividade física, controle das doenças crônicas e o uso de estatinas quando indicado”, finaliza. 

Por Samara Meni