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Motociclista que conduzia de chinelo é abordado, recebe multa de R$ 130,16 e autoridades descobrem moto com mais de R$ 100 mil em multas acumuladas

Abordagem por condução de chinelo expõe moto com mais de R$ 100 mil em multas.

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Motociclista que conduzia de chinelo é abordado, recebe multa de R$ 130,16 e autoridades descobrem moto com mais de R$ 100 mil em multas acumuladas
O grande vem quando a placa entra no sistema e o passivo aparece por inteiro.

Rogério parou no sinal vermelho com o chinelo pendurado na ponta do pé, do jeito que sempre pilotou a moto do trabalho. O guarda encostou, pediu documento e apontou para o calçado: infração média, R$ 130,16 e quatro pontos na carteira. Ainda dava para respirar. Aí o rapaz passou a placa no sistema. O número que apareceu na tela do tablet passava dos R$ 100 mil. A história é fictícia, mas ilustra uma situação que se repete todo dia em blitz pelo Brasil.

Como uma abordagem por chinelo virou uma descoberta de R$ 100 mil?

Rogério comprou a moto usada há três anos, de um conhecido do bairro, “no boca a boca”, sem transferir para o nome dele. O antigo dono jurou que estava tudo em ordem, e o preço abaixo do mercado pareceu boa oportunidade. A carteira, o capacete e o combustível ele tinha. O calçado, quase nunca.

Naquela tarde, o batalhão de trânsito montou uma operação de rotina na avenida. O guarda olhou o pé, pediu o documento e passou a placa no sistema Renavam. A tela mostrou dezenas de autuações não pagas, IPVA em atraso desde antes da compra e licenciamento vencido em cadeia.

A diferença entre pilotar tranquilo pela avenida e voltar para casa a pé com a moto no pátio não está na marca da moto.

O que aconteceu quando a placa foi passada no sistema?

A primeira multa, a do chinelo, foi lavrada na hora. Mas a consulta veterinária no sistema mudou o tom da abordagem. O guarda anotou débitos acumulados por avanço de sinal, excesso de velocidade, estacionamento em local proibido, IPVA de três anos e taxa de licenciamento. Tudo em nome do antigo dono, tudo vinculado à moto.

Como o veículo estava com o licenciamento vencido, a moto foi recolhida ao pátio. Rogério voltou para casa a pé, com um punhado de papéis, o chinelo na mão e a informação de que precisaria quitar ou parcelar a dívida antes de ver a moto de novo.

Mas afinal, o que a lei brasileira diz sobre pilotar de chinelo?

O Código de Trânsito Brasileiro, no artigo 252, inciso II, proíbe dirigir usando “calçado que não se firme nos pés ou que comprometa a utilização dos pedais”. É a base legal usada pelos agentes para autuar quem pilota de chinelo, sandália sem alça traseira ou descalço.

A infração é de gravidade média: quatro pontos na CNH e multa de R$ 130,16. O mesmo Código, no artigo 244, trata dos equipamentos obrigatórios do motociclista, como o capacete com viseira ou óculos de proteção, e é o dispositivo que costuma vir junto quando a fiscalização flagra o motociclista sem o item de segurança correto.

Quais consequências surgem quando a moto tem débito acumulado?

A multa do chinelo é o problema pequeno. O grande vem quando a placa entra no sistema e o passivo aparece por inteiro. As consequências previstas em lei costumam ser estas:

1
Recolhimento ao pátio Moto com licenciamento vencido ou débito acumulado costuma ser removida para pátio autorizado no ato da abordagem.
2
Bloqueio para licenciamento Sem quitar ou parcelar os débitos, o veículo não recebe o novo licenciamento anual e continua irregular.
3
Pontuação sobre o infrator As multas por infração de conduta (chinelo, velocidade, sinal) recaem sobre o condutor identificado, não sobre o dono.
4
Diárias de pátio somando Cada dia que a moto passa no pátio gera taxa de estadia, engordando o valor final que o condutor precisa pagar.
5
Risco de leilão Ficando parada no pátio sem retirada e sem parcelamento, a moto pode ser levada a leilão pelo órgão de trânsito.

As regras de trânsito existem para punir o motociclista?

Voltando ao chinelo do Rogério: a resposta está nas estatísticas de acidente. As normas do CTB não foram desenhadas para irritar quem trabalha em cima de duas rodas. Foram desenhadas porque, em cada blitz, aparece um capacete rachado, um pé cortado no escapamento e uma moto sem freio.

O calçado que escorrega no pedal, o veículo sem manutenção documentada e o débito que ninguém quitou custam vidas, não só bolso. A Constituição Federal coloca a segurança como direito social, e o trânsito seguro cabe nesse pacote.

Leia também: Vizinho constrói prédio de 8 andares, bloqueia 100% dos painéis solares da casa ao lado e é obrigado a pagar R$ 4.500 por mês.

O que muda quando comparamos o caminho do Rogério com o caminho legal?

A diferença entre pilotar tranquilo pela avenida e voltar para casa a pé com a moto no pátio não está na marca da moto, na cilindrada ou no bairro onde a blitz aconteceu, mas em cinco escolhas simples que a lei transformou em obrigação. A comparação fica clara na tabela:

Etapa O que Rogério fez O que a lei exige
Compra do veículo Negociação com o antigo dono Comprou “no boca a boca” sem consultar débito Ficou responsável
Transferência Prazo de 30 dias Nunca passou para o próprio nome Descumpriu o prazo
Licenciamento anual Regra do CTB Circulou com licenciamento vencido Motivo de recolhimento
Calçado na condução Artigo 252 do CTB Pilotou de chinelo pela costume Infração média
Desfecho da abordagem Blitz de rotina Moto ao pátio e mais de R$ 100 mil em débito Consequência prevista

O que se aprende com a história do Rogério e da moto do boca a boca?

Rogério não é vilão da história. É trabalhador que confiou num conhecido, comprou o que cabia no bolso e nunca imaginou que o chinelo virasse porta de entrada para uma dívida de anos que não era, originalmente, dele. O que a lei exige é simples de cumprir, mas caro de ignorar.

Quem realmente quer comprar uma moto usada e pilotar tranquilo precisa seguir esse roteiro: antes de fechar negócio, consultar débitos e multas pela placa no site do Detran do estado, exigir do vendedor o comprovante de licenciamento em dia, transferir o veículo para o próprio nome no prazo legal, usar calçado fechado que se firme no pé e capacete homologado, e manter os documentos sempre atualizados. Quem já se enrolou com dívida do antigo dono deve procurar o Detran para negociar parcelamento ou um advogado especializado em direito de trânsito para avaliar o caso.