Cachorro do vizinho invade o quintal e mata 12 galinhas, tutor diz que ‘animal não entende de muro’ e recebe cobrança pelo prejuízo - Super Rádio Tupi
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Cachorro do vizinho invade o quintal e mata 12 galinhas, tutor diz que ‘animal não entende de muro’ e recebe cobrança pelo prejuízo

Cachorro do vizinho mata 12 galinhas e tutor pode ter que pagar pelo prejuízo

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Cachorro do vizinho invade o quintal e mata 12 galinhas, tutor diz que ‘animal não entende de muro’ e recebe cobrança pelo prejuízo
O valor das galinhas deve considerar preço de mercado, idade, raça e eventual produção de ovos

Quando o cachorro do vizinho invade o quintal e mata 12 galinhas, a situação deixa de ser apenas um problema de convivência e passa a envolver prejuízo material. Mesmo que o tutor diga que “animal não entende de muro”, a responsabilidade pelo controle, guarda e segurança do cão continua sendo de quem mantém o animal sob seus cuidados.

Por que a frase do tutor não encerra o problema?

É verdade que o cachorro não entende regras de propriedade, divisa ou cerca. Mas, justamente por isso, o tutor precisa manter o portão fechado, muro adequado, guia quando necessário e cuidado para impedir fugas. O animal age por instinto, mas quem responde pela guarda é a pessoa responsável por ele.

Quando o cão sai do próprio terreno, entra no quintal vizinho e causa morte de animais, o argumento de que ele “não sabe o que é muro” não elimina automaticamente a cobrança. O ponto central passa a ser o dano causado e a ligação entre esse dano e o animal do vizinho.

O tutor pode ser obrigado a pagar pelas galinhas?

No Brasil, o Código Civil prevê que o dono ou detentor do animal deve ressarcir o dano causado por ele, salvo se provar culpa da vítima ou força maior. Em uma situação como essa, quem teve as galinhas mortas pode cobrar o prejuízo, desde que consiga demonstrar o ocorrido.

A cobrança pode incluir valores ligados ao dano direto, como:

  • preço das 12 galinhas mortas;
  • valor de aves poedeiras, se produziam ovos;
  • prejuízo com ovos que deixariam de ser vendidos ou consumidos;
  • custo com descarte adequado dos animais mortos;
  • conserto de telas, cercas ou portões danificados;
  • eventual atendimento veterinário de aves feridas;
  • outros gastos comprovados decorrentes do ataque.
Cachorro do vizinho invade o quintal e mata 12 galinhas, tutor diz que ‘animal não entende de muro’ e recebe cobrança pelo prejuízo
O valor das galinhas deve considerar preço de mercado, idade, raça e eventual produção de ovos

Que provas ajudam na cobrança do prejuízo?

Em conflitos entre vizinhos, a palavra de uma pessoa contra a outra costuma dificultar a solução. Por isso, o morador prejudicado deve reunir registros antes de discutir valores ou procurar uma medida formal.

Algumas provas importantes são:

  • fotos das galinhas mortas no local;
  • vídeos do cachorro dentro do quintal;
  • imagens de câmeras de segurança;
  • mensagens enviadas ao tutor após o ataque;
  • testemunhas que viram o cão solto;
  • orçamento ou nota de compra das aves;
  • registros de danos na cerca, tela ou galinheiro;
  • boletim de ocorrência, se a situação se agravar.

Como calcular o valor a ser cobrado?

O ideal é evitar um número inventado no calor da raiva. A cobrança fica mais forte quando o valor é baseado em preço real de mercado, recibos, notas fiscais, anúncios de aves semelhantes ou média praticada na região.

Também é importante separar prejuízo comprovável de aborrecimento. Se as galinhas eram criadas para consumo próprio, venda de ovos ou reprodução, isso pode influenciar a estimativa. Uma galinha comum, uma poedeira adulta e uma ave de raça podem ter valores diferentes.

E se o tutor se recusar a pagar?

Se o tutor não quiser conversar ou negar responsabilidade, a primeira saída costuma ser formalizar o pedido por mensagem, com descrição do ocorrido, fotos e valor estimado. Isso cria um registro claro da tentativa de solução amigável.

Se a recusa continuar, o morador pode buscar orientação jurídica, procurar o Juizado Especial Cível quando o valor permitir ou recorrer a mediação. Em muitos casos, uma cobrança bem documentada já aumenta a chance de acordo, porque mostra que o prejuízo não está sendo tratado apenas como reclamação informal.

Cachorro do vizinho invade o quintal e mata 12 galinhas, tutor diz que ‘animal não entende de muro’ e recebe cobrança pelo prejuízo
O valor das galinhas deve considerar preço de mercado, idade, raça e eventual produção de ovos

O que o tutor deveria fazer para evitar novo ataque?

Depois de um episódio assim, pagar o prejuízo não resolve tudo. O tutor também precisa impedir que o cachorro volte a invadir o quintal. Se nada for feito, o problema pode se repetir e causar novos danos, inclusive com outros animais, crianças ou pessoas idosas na área.

Medidas simples podem reduzir o risco:

  • reforçar muro, portão ou cerca;
  • impedir que o cão circule sozinho pela rua;
  • usar guia em áreas externas;
  • corrigir buracos por onde o animal escapa;
  • instalar tela ou barreira adequada;
  • supervisionar o animal em horários de maior movimento;
  • procurar orientação comportamental se houver instinto de caça intenso.

Qual é a lição para casos assim?

O caso mostra que convivência entre vizinhos exige responsabilidade. Gostar de animais não significa ignorar os danos que eles podem causar quando fogem, invadem outro imóvel ou atacam criações mantidas em quintal.

No fim, o cachorro pode não entender de muro, mas o tutor entende. Por isso, quando um animal sob sua guarda invade a propriedade vizinha e causa prejuízo, a discussão não deve ficar apenas na desculpa. Deve envolver reparação, prevenção e medidas concretas para que o ataque não aconteça novamente.