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Exército de Israel admite ataque a carro da menina Hind Rajab em Gaza

Menina palestina de 5 anos morreu em Gaza em 2024 após ficar horas presa em carro sob fogo; caso inspirou filme indicado ao Oscar

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Atrás de ligações que duraram horas, o caso de Hind Rajab virou símbolo da violência contra civis e agora passa por inquérito criminal - (crédito: Reprodução/Redes sociais)

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) admitiram, nesta quarta-feira (19/8), pela primeira vez, que seus militares efetuaram disparos contra o veículo em que estava Hind Rajab, menina palestina de 5 anos morta na Faixa de Gaza em janeiro de 2024. Segundo os militares, o caso será alvo de uma investigação criminal.

A posição representa uma mudança em relação às declarações anteriores das Forças Armadas israelenses. Meses após a morte de Hind, uma apuração preliminar havia concluído que as tropas não estavam próximas do automóvel e não tinham condições de atingi-lo. Agora, a própria instituição reconhece que houve disparos contra o veículo.

Hind estava entre sete integrantes da mesma família que viajavam de carro pelo norte da Faixa de Gaza quando o automóvel foi atingido por tiros. A menina sobreviveu ao primeiro ataque e permaneceu presa dentro do veículo. Durante horas, ela manteve contato por telefone com socorristas palestinos e pediu ajuda para ser retirada do local.

Uma ambulância foi posteriormente enviada para tentar resgatá-la, mas também acabou atingida por disparos. Doze dias após o ataque, o corpo de Hind foi localizado dentro do carro, que apresentava numerosas marcas de tiros.

As ligações telefônicas feitas pela menina aos serviços de emergência tiveram repercussão internacional e contribuíram para ampliar as cobranças por responsabilização pelo episódio. O caso também passou a ser retratado em produções cinematográficas.

Filme sobre Hind Rajab foi indicado ao Oscar

Foto: Divulgação

A história deu origem ao filme A Voz de Hind Rajab, dirigido pela cineasta tunisiana Kaouther Ben Hania. A produção combina gravações reais da ligação feita por Hind ao Crescente Vermelho com cenas encenadas pelos atores e acompanha os esforços dos atendentes para tentar localizar e salvar a criança.

O longa foi indicado ao Oscar de 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional, representando a Tunísia. A produção também recebeu indicações ao Globo de Ouro, ao Bafta, ao European Film Awards, ao prêmio da Associação Belga de Críticos de Cinema e ao David di Donatello, entre outras premiações.

Na cerimônia do Oscar, realizada em março, a produção não levou a estatueta de Melhor Filme Internacional, mas chegou à disputa como uma das cinco finalistas da categoria.

A presença da equipe foi marcada ainda pela ausência do ator palestino Motaz Malhees, que interpreta um dos atendentes do Crescente Vermelho. Ele não conseguiu viajar para os Estados Unidos em razão das restrições de entrada impostas a pessoas que utilizam documentos emitidos ou endossados pela Autoridade Palestina.

Outras investigações das Forças Armadas de Israel

A decisão sobre o caso de Hind faz parte de uma análise conduzida pelo mecanismo militar israelense responsável por examinar incidentes ocorridos durante as operações em Gaza. Ao todo, cinco episódios foram avaliados, com abertura de investigações criminais em alguns deles.

Um dos casos analisados envolve a morte de sete funcionários da organização humanitária World Central Kitchen, atingidos em abril de 2024. Nesse episódio, os militares israelenses decidiram não instaurar uma investigação criminal por entenderem que não havia “nenhuma suspeita razoável de conduto criminosa que justificasse a abertura de uma investigação criminal”.

“Há mais de mil dias, as FDI (Forças de Defesa de Israel) vêm conduzindo combates intensos em diversas frentes, realizando uma ampla gama de missões militares em uma realidade operacional excepcionalmente complexa”, afirmaram as Forças Armadas de Israel.

“Como parte das obrigações das FDI sob o direito internacional e a legislação interna de Israel, a instituição examina incidentes excepcionais ocorridos durante o combate”, acrescentaram os militares.

Organizações israelenses de defesa dos direitos humanos, contudo, questionam a efetividade dos mecanismos internos de responsabilização. Segundo o grupo Yesh Din, investigações sobre possíveis crimes cometidos por soldados israelenses raramente resultam em condenações e, quando isso ocorre, as punições costumam ser consideradas brandas.

“Quase não há denúncias formais apresentadas em relação ao número de queixas contra soldados e comandantes que cometem infrações. Nos raros casos em que comandantes ou soldados são condenados, eles recebem penas ridiculamente brandas em comparação com a gravidade da infração”, disse um porta-voz da organização israelense de direitos humanos Yesh Din à CNN.