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A vila onde dois rios se encontram sem se misturar e consagram um dos paraísos de água doce mais bonitos do planeta no oeste do Pará
Dois rios, duas cores e nenhuma mistura.
Duas cores de água correm lado a lado sem se misturar diante da orla de Santarém. A vila paraense fica no ponto em que o Rio Tapajós, de fundo arenoso, encosta no Rio Amazonas, carregado de sedimentos, e a poucos quilômetros dali surgem faixas de areia branca em plena floresta.
A Pérola do Tapajós entre dois rios
O apelido da cidade nasceu dessa posição privilegiada. O fenômeno do Encontro das Águas pode ser visto da própria orla urbana, no fim da tarde, sem passeio de barco, conforme indica o Portal do Turismo da Prefeitura de Santarém.
O calendário local não se organiza por estações e sim pelo nível do rio. Na cheia, entre fevereiro e julho, a água sobe e cobre trechos de mata, abrindo caminho para canoas entre as copas das árvores.
Na vazante, de agosto a janeiro, o Tapajós recua e desenha bancos de areia em frente às vilas. É quando Alter do Chão ganha as praias que lhe renderam o apelido de Caribe amazônico e o Prêmio UPIS de melhor destino turístico nacional, em 2021.

O que fazer em Alter do Chão e arredores?
Os atrativos se dividem entre a área urbana, as praias fluviais e as áreas de floresta. A seleção abaixo reúne pontos citados pelo próprio município.
- Ilha do Amor: banco de areia em frente à vila, atravessado a pé na seca ou nas canoas dos catraieiros locais.
- Ponta do Cururu: mirante fluvial procurado no fim de tarde, com chance de avistar botos.
- Floresta Nacional do Tapajós: unidade de conservação com trilhas, comunidades ribeirinhas e praias de rio.
- Ponta de Pedras: praia cercada por formações rochosas, mais silenciosa que a vila principal.
- Centro Cultural João Fona: acervo arqueológico e artístico no centro histórico de Santarém.
- Lago do Maicá: área alagada de fauna abundante, passeio clássico entre pescadores e observadores de aves.
- Catedral de Nossa Senhora da Conceição: matriz que marca o centro da cidade, a poucos passos da orla.
A mesa acompanha os rios. Tucunaré na brasa, tacacá servido em cuia no fim da tarde e açaí grosso, sem açúcar, com farinha e peixe, formam o trio mais repetido por quem passa alguns dias na região.
A festa dos botos que virou patrimônio nacional
Todo setembro a vila troca a rotina de praia pelo Sairé, manifestação do povo Borari que une rito religioso e espetáculo popular. A Prefeitura registra que a celebração foi inscrita em 2014 como patrimônio cultural imaterial do Brasil.
A festa sobreviveu inclusive a períodos de proibição antes de ser retomada pela comunidade. O ponto alto é a disputa entre as agremiações do Boto Tucuxi e do Boto Cor-de-Rosa, encenada no Lago dos Botos.
Os números explicam o impacto na cidade. Em 2025, o balanço da Prefeitura apontou quase 50 mil pessoas no espaço da disputa e estimativa de 120 mil circulando pela vila. A edição de 2026 acontece de 17 a 21 de setembro.
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Como chegar ao oeste do Pará?
A porta de entrada é o aeroporto de Santarém, que recebe voos de Belém, Manaus e Brasília. A cidade também é servida por embarcações regionais que fazem as rotas fluviais tradicionais da Amazônia.
De Santarém até Alter do Chão o percurso é curto, por estrada asfaltada, e leva menos de uma hora. Vans, táxis e ônibus fazem o trajeto ao longo do dia.
O lugar onde os rios mandam no calendário
Poucos destinos mudam de paisagem duas vezes por ano como o oeste paraense. O mesmo trecho de floresta que se navega de canoa em abril vira praia de areia branca em setembro.
Você precisa passar uns dias em Santarém e escolher com calma se quer ver a água cobrindo a mata ou a areia tomando o lugar do rio.