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Neta cuida da avó por 11 anos e recebe o carro de R$ 126 mil de presente em vida, mas na partilha os tios pedem a devolução e a lei da colação decide quem tem razão
Neta recebe carro da avó após 11 anos de cuidado e Justiça decide se bem entra na partilha
🚗 Onze anos de cuidado, um carro de presente
A neta nunca pediu nada em troca, mas o presente virou motivo de briga na partilha. ⬇️
Uma neta cuidou da avó por 11 anos e recebeu, ainda em vida, um carro avaliado em R$ 126 mil como forma de agradecimento. Depois da morte da idosa, os tios entraram com pedido para que o veículo fosse devolvido ao espólio, alegando que o presente deveria entrar na partilha. O caso esbarrou diretamente no instituto da colação, previsto no Código Civil.
O que é a colação de bens na herança?
A colação é o mecanismo que obriga herdeiros que receberam bens em vida do falecido a declarar esses valores no inventário, para garantir igualdade na partilha entre todos os herdeiros da mesma classe. A ideia é evitar que um herdeiro seja beneficiado às escondidas em prejuízo dos demais.
A neta era obrigada a devolver o carro recebido da avó?
Depende da posição dela na linha sucessória. O artigo 2.002 do Código Civil determina que a obrigação de colacionar recai sobre descendentes que concorrem à herança com outros descendentes, geralmente filhos herdando junto com filhos.
Como a neta não é herdeira necessária enquanto os filhos da avó estiverem vivos, o bem recebido por ela pode ser tratado como doação simples, e não como adiantamento de legítima sujeito à colação.

Como a Justiça resolveu o pedido dos tios?
O juiz analisou o grau de parentesco da neta com a falecida e concluiu que, como ela não concorre diretamente na sucessão junto aos filhos, o carro recebido não precisava ser levado à colação, ainda que os tios discordassem da decisão da mãe em vida.
Antes de discutir bens recebidos em vida por um parente, vale entender quem realmente está sujeito à obrigação de colação.
Como declarar corretamente um bem recebido em vida no inventário?
Transparência desde o início evita conflitos como esse. A família deve:
- Formalizar por escrito qualquer doação relevante feita em vida.
- Identificar se o beneficiário é herdeiro necessário ou não.
- Declarar o bem no inventário, mesmo quando a colação não é obrigatória.
- Buscar orientação jurídica antes de contestar doações já feitas.
Vale a pena contestar doações feitas em vida por um parente falecido?
Vale avaliar caso a caso, considerando o grau de parentesco do beneficiário e se ele realmente concorre na sucessão junto aos demais herdeiros. Nem toda doação em vida está sujeita à colação, mesmo quando parece injusta à primeira vista.
O que fazer se sua família está discutindo um bem doado em vida?
Reúna a documentação da doação e busque orientação jurídica antes de qualquer confronto familiar. Entender a posição de cada herdeiro na linha sucessória evita brigas que poderiam ser resolvidas com uma simples consulta.