Brasil
Caiado defende anistia ampla em sabatina e foge de perguntas sobre economia: “Não estamos numa mesa examinadora”
Candidato fugiu de perguntas sobre ajuste fiscal e propôs anistia geral; sabatina foi marcada por embates intensos com os âncoras
Ronaldo Caiado defende anistia aos condenados do 8 de janeiro e promete criar polícia supranacional para combater o narcotráfico na América do Sul. Esses foram os destaques da sabatina do candidato do PSD à presidência da República, exibida na noite desta terça-feira (25) pela TV Globo, a segunda de uma série de entrevistas com presidenciáveis conduzida por Renata Vasconcellos e César Tralli.
Ao longo dos 40 minutos, o ex-governador de Goiás desviou de perguntas sobre ajuste fiscal e previdência, fez comparações entre Lula e Bolsonaro e acumulou cerca de 40 tentativas de interrupção por parte dos apresentadores, a maior parte ignorada.
Trechos da entrevista, que mostram o político fugindo de questionamentos dos jornalistas, viralizaram nas redes. Ao ser perguntado sobre a sua proposta para a providência, Caiado disse: “Nós não estamos numa mesa examinadora”. Veja:
Renata: "O envelhecimento da população brasileira."
— Sérgio Santos (@ZAMENZA) August 26, 2026
Caiado: "Ah, aí é minha área."
"O envelhecimento aumenta a pressão sobre a previdência. Qual a sua proposta pra isso?"
"Não estamos numa mesa examinadora."
GENTE?????????? #JornalNacionalpic.twitter.com/L5SmcigjXw
Anistia como bandeira de campanha
O tema mais polêmico da noite foi a proposta de enviar ao Congresso um projeto de anistia “geral e irrestrita” aos condenados pelos ataques do 8 de janeiro. Caiado justificou a medida com o argumento de que o Brasil precisa “pacificar” o ambiente político. “O traço do brasileiro não é de construir o ódio, de revanche eterna”, disse. Para sustentar a ideia, citou o exemplo de Juscelino Kubitschek, que decretou anistia em 1956. Quando Renata lembrou que parte dos anistiados por JK ajudou a promover o golpe de 1964 oito anos depois, Caiado ignorou a observação.
Ronaldo Caiado: “O mesmo que o Juscelino Kubitschek fez 50 anos atrás. (…)”
— Yumi (@jiley_lovato) August 26, 2026
Renata Vasconcellos: “Parte daqueles anistiados por Juscelino Kubitschek, oito anos depois, ajudaram a promover o golpe de 64.”
Na cara não, Renata 🗣️ #JornalNacional
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O candidato também comparou a situação dos condenados do 8 de janeiro à anulação das condenações de Lula pelo STF, uma analogia considerada equivocada. No caso do petista, o Supremo declarou que a 13ª Vara Federal de Curitiba, então comandada pelo ex-juiz Sergio Moro, não era o foro competente para julgar os processos, e reconheceu a parcialidade de Moro. Os apresentadores questionaram Caiado sobre o plano Punhal Verde Amarelo ,que previa o assassinato de Lula, do vice Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, e como uma anistia ampla se aplicaria a esses casos. Ele não respondeu.
“Disneylândia do narcotráfico”
Na área de segurança pública, Caiado propôs a criação de uma força policial unificada na América do Sul para enfrentar o tráfico de drogas. Com expressões como “aqui é o resort do narcotráfico” e “o Brasil é a Disneylândia do crime”, o candidato desenvolveu o argumento sem olhar diretamente para os jornalistas. “Você vai passar para outros países e eles também terão toda a liberdade de adentrar o Brasil. Isso não compromete soberania”, afirmou. Ele comparou a ideia à Europol. Tralli rebateu, apontando que a agência europeia não tem poder de prisão e atua principalmente no compartilhamento de informações, mas Caiado seguiu em frente sem incorporar a correção.
Nas perguntas sobre economia, o candidato recorreu à polarização entre Lula e Bolsonaro para desviar do tema. “Eles não fazem nada, tipo de homem que não serve para governar e só faz populismo”, disse, sem detalhar onde pretende cortar gastos. A dívida bruta do governo atingiu R$ 10,4 trilhões em junho, equivalente a 81,9% do PIB, o maior patamar desde abril de 2021. Sobre salário mínimo e previdência, Caiado também declinou de apresentar planos concretos. “Farei gestão”, resumiu.
Nas considerações finais, pediu ao STF que “abra o sigilo” de investigações sobre o INSS, o caso Master e a operação Carbono Oculto, sem citar nomes de envolvidos.
Próximas sabatinas
A série começou na segunda-feira, 24, com Romeu Zema (Novo). A ordem dos próximos entrevistados é:
- 26/8 (quarta) — Renan Santos (Missão)
- 27/8 (quinta) — Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
- 28/8 (sexta) — Flávio Bolsonaro (PL)
- 29/8 (sábado) — Augusto Cury (Avante)
Os convidados foram definidos com base na pesquisa Quaest de intenções de voto divulgada em 14 de agosto, que selecionou os seis candidatos mais bem posicionados. Cada entrevista tem dois blocos, totaliza 40 minutos e encerra com um minuto de considerações finais.