Brasil
Janja reage a fala de candidato em debate e denuncia ataques pessoais: ‘Não podem ser normalizados’
Após ser alvo de presidenciável em debate, primeira-dama leva caso ao MP; entenda a crise e veja quais foram as declarações que motivaram a açãoA primeira-dama Janja Lula da Silva classificou como ataques pessoais e manifestação de misoginia as falas do candidato à Presidência Renan Santos (Missão). A crítica foi feita durante o primeiro debate eleitoral de 2026, em nota enviada à Band nesta segunda-feira (24).
O embate ocorreu após o confronto televisivo de domingo (23), marcado pela ausência do presidente Lula, além de Flávio Bolsonaro e Romeu Zema. Janja argumenta que foi utilizada como ferramenta para atingir um oponente político, mesmo sem ser candidata ou estar presente no local.
As declarações motivaram uma representação no Ministério Público Eleitoral, protocolada por Olímpio Rocha, candidato ao governo da Paraíba. O documento aponta possível injúria e eventual desrespeito ao Código Eleitoral, que proíbe propagandas que depreciam a condição da mulher.
O caso ganha repercussão enquanto o Congresso Nacional analisa o PL 896/2023. O texto, que já passou pelo Senado e tramita em regime de urgência na Câmara, busca tipificar crimes praticados em razão de misoginia, alterando o Código Penal e a lei de crimes de racismo.
As frases de Renan Santos que geraram a crise
Durante o programa, o candidato da Missão utilizou a ausência de Lula para mencionar a primeira-dama em tom crítico. Confira os principais pontos que motivaram a reação:
Comparação de companhias: ao comentar a falta do petista, Renan disse que ele teria de ficar com “aquela Janja” e que haveria opções melhores no estúdio.
Insinuação de embriaguez: o candidato afirmou que o presidente estaria “ou bêbado ou com a Janja” no momento do debate. Ele acrescentou que seria preferível estar alcoolizado.
Justificativa política: em resposta posterior, Renan negou ódio de gênero e afirmou que enxergar preconceito no caso “significa criminalizar todo o debate político que envolva mulheres”.
Janja rebateu as justificativas do adversário, afirmando que “situações como essa não podem ser normalizadas”, especialmente por visarem “deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher“. Ela também relembrou um vídeo de 2017 onde o candidato fazia comentários sobre um caso de estupro.
Sobre o episódio antigo, o presidenciável já declarou em campanha tratar-se de uma “piada infeliz” da qual se arrepende. Ele sustenta que suas falas atuais são críticas políticas direcionadas a uma figura pública e não configuram discriminação.
No mesmo dia em que divulgou a nota, a primeira-dama se reuniu com o ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal. O encontro teve como pauta o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa voltada à prevenção da violência contra mulheres e meninas.