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Arqueólogos encontram em Collet vaso com serpente de duas cabeças e revelam uma das primeiras evidências do culto de Sabázios na Hispânia
Fragmento arqueológico achado na Espanha expõe rituais antigos.
Uma impressionante descoberta na villa romana de Collet está transformando nossa compreensão sobre costumes religiosos antigos. Durante escavações no nordeste da Espanha, pesquisadores identificaram cerâmicas associadas a rituais misteriosos, lançando nova luz sobre o cotidiano do Império Romano.
O que torna a descoberta do vaso em Collet tão especial?
Os fragmentos resgatados pertencem a um grande recipiente decorado com elementos anatômicos singulares. O detalhe que mais chamou a atenção dos especialistas foi a presença de uma alça ornamentada com duas figuras que representam cabeças de serpente moldadas.
Análises detalhadas confirmaram que a peça remonta ao período do imperador Augusto. Essa cronologia é fundamental para compreender a expansão inicial do comércio e da cultura romana na região de Emporiae, atual Empúries, consolidando a relevância da arqueologia.
Como esse objeto se relaciona com o culto de Sabázios?
A tipologia conhecida como serpent-ware possui vínculos diretos com cerimônias dedicadas ao deus Sabázios. Essa divindade de origem trácia e frígia utilizava a figura da cobra como símbolo central de purificação, renovação espiritual e fertilidade agrícola.
Recipientes ritualísticos desse tipo eram empregados para armazenar substâncias sagradas ou realizar libações durante festividades. Encontrar tal peça em uma área rústica demonstra que a devoção mística atravessava fronteiras e alcançava diferentes classes no território dominado.

Qual é o impacto histórico dessa descoberta no nordeste espanhol?
A presença desse artefato na villa de Collet antecipa a datação da chegada dessas práticas ao litoral hispânico. Até recentemente, a maioria dos vestígios associados a esse culto misterioso no Ocidente pertencia a épocas bem mais tardias.
O culto a Sabázios na Antiguidade
Símbolos e Práticas Religiosas
Sabázios era uma divindade de origem frígia e trácia associada à fertilidade e à renovação da vida. Suas cerimônias envolviam rituais místicos com o uso expressivo de imagens de serpentes em vasilhames e esculturas.
No mundo romano, a veneração ao deus se expandiu gradualmente. A presença desse vasilhame decorado demonstra que hábitos religiosos do oriente alcançaram áreas rurais da Hispânia já nos primeiros anos do império.
O achado reforça que comunidades agrícolas não estavam isoladas dos movimentos socioculturais do Mediterrâneo. Além disso, mostra como a integração de costumes locais e estrangeiros ocorria através do intercâmbio contínuo promovido pela navegação e pelo povoamento provincial.
Diversos fatores explicam a importância histórica dessa peça para a arqueologia ibérica:
- Comprova a introdução precoce de religiões místicas orientais na Península Ibérica.
- Demonstra conexões diretas entre propriedades rurais e rotas comerciais marítimas.
- Evidencia o alto nível de produção cerâmica alcançado na região durante o principado.
Como foram conduzidos os trabalhos de escavação na região?
Os trabalhos de escavação foram coordenados por especialistas da Universidade de Girona, que realizam investigações sistemáticas no local. A metodologia minuciosa permitiu resgatar fragmentos cerâmicos preservados em camadas estratigráficas bem definidas, garantindo a precisão da datação científica.
A restauração dos cacos exigiu técnicas laboratoriais avançadas para reconstruir o formato original do vasilhame. Esse esforço conjunto entre arqueólogos e conservadores revelou traços decorativos que passavam despercebidos, valorizando o patrimônio da Espanha e da história antiga.
As etapas fundamentais envolvidas na análise do sítio arqueológico incluem:
- Mapeamento detalhado das estruturas arquitetônicas da vila romana.
- Coleta e catalogação dos fragmentos cerâmicos encontrados nas escavações.
- Análise laboratorial da composição da argila para determinar a procedência.

O que essa descoberta ensina sobre as crenças no Império Romano?
O achado ilustra a pluralidade espiritual que caracterizou a sociedade romana ao longo dos séculos. A convivência entre vertentes tradicionais e cultos mistéricos vindos do Oriente reflete uma atmosfera de constante dinamismo e tolerância nas práticas cotidianas dos moradores provinciais do império.
Em suma, os vestígios de Collet reafirmam a importância de preservar sítios arqueológicos para compreender o passado. Cada nova peça recuperada adiciona valiosas peças ao quebra-cabeça da civilização, mostrando como rituais antigos moldavam a visão de mundo dos nossos antepassados.