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Com 5.335 metros, o maior jardim de praia do mundo surpreende pela dimensão e pela beleza à beira-mar

A impressionante faixa de 5.335 metros que transformou uma orla brasileira em jardim.

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Com o 6º lugar no ranking de vida, essa cidade tem o maior jardim de praia do mundo e o maior porto da América Latina
Santos relaxa com orla Gonzaga sol, Mercado Peixe fresquinho e Orquidário Municipal tranquilo, curta praia leve e bondinho vistas gostosas sem correria no fim de semana acolhedor. // Créditos: depositphotos.com / fabiofersa

Cartão-postal costuma nascer de projeto turístico. O de Santos, no litoral de São Paulo, nasceu de uma emergência sanitária: no início do século XX a cidade perdia metade da população para epidemias, e o plano criado para resolver isso é o mesmo que permitiu ocupar a orla onde hoje corre um tapete verde reconhecido pelo Guinness World Records.

Quanto mede o maior jardim frontal de praia do mundo?

São 5.335 metros de comprimento por 50 metros de largura, faixa contínua que separa a areia do calçadão do bairro do José Menino até a Ponta da Praia. Segundo a Prefeitura de Santos, o título de maior jardim frontal de praia do mundo consta do Guinness World Records na edição de 2001.

A manutenção é diária e artesanal. Cerca de 20 profissionais entre jardineiros, podadores e microtratoristas cuidam dos canteiros, e o trabalho se intensifica na primavera, quando as podas de limpeza aumentam. As formas geométricas coloridas que aparecem nas fotos aéreas não são acaso: são desenho de paisagismo mantido cortada a corte, ao longo de mais de cinco quilômetros de orla.

O maior porto da América Latina e o maior jardim de praia do mundo se juntam em uma mesma cidade inesperada no litoral de São Paulo
Explore Santos em 2 dias: centro histórico manhã, orla tarde, escuna opcional, priorizando passeios acessíveis e hospedagem Gonzaga para ecoturismo urbano prático e familiar. // Créditos: depositphotos.com / stlambauer

Por que a orla santista só pôde ser ocupada depois de 1905?

Porque antes disso era inabitável. Conforme a Prefeitura de Santos, no fim do século XIX e início do XX, enquanto o porto recebia imigrantes e embarcava café, epidemias de varíola, febre amarela e peste bubônica mataram mais de 22,5 mil pessoas, cerca de metade dos moradores da cidade.

A resposta veio de uma comissão de saneamento chefiada pelo engenheiro Francisco Saturnino Rodrigues de Brito, que projetou um sistema para afastar o esgoto das águas usadas pela população e drenar as áreas alagadiças. Os nove primeiros canais foram implantados entre 1907 e 1911, e hoje a cidade tem 25 deles. Foi essa drenagem que secou o terreno entre o centro antigo e a praia e abriu caminho para a urbanização da faixa litorânea.

O que o legado do saneamento garante à cidade hoje?

Garante praia própria para banho e uma rede de água e esgoto perto da universalização. De acordo com o portal oficial Turismo Santos, o município é pioneiro no planejamento de um sistema de drenagem urbana no país, projetado por quem é considerado o patrono da engenharia sanitária brasileira.

O reconhecimento passou das fronteiras. As soluções testadas na cidade viraram referência para projetos em outros países, e o conjunto de canais permanece como estrutura viva, não como monumento. É raro um sistema de infraestrutura de mais de cem anos continuar operando na função para a qual foi desenhado, e mais raro ainda que ele tenha produzido, de quebra, o principal atrativo turístico do lugar. Comparação parecida vale para a capital gaúcha do balonismo, que também construiu o turismo sobre uma característica física própria.

Visitar este destino é entender que a modernidade portuária pode caminhar lado a lado com a preservação histórica e ambiental.
Santos desperta mar e história viva! // Créditos: depositphotos.com / diegograndi

O que visitar entre o jardim e o centro histórico?

A cidade guarda, a poucos quilômetros da praia, o conjunto de prédios que sustentou o ciclo do café e o porto que ainda move a economia nacional, confira abaixo o que costuma organizar a visita:

  • Museu do Café: instalado no prédio da antiga Bolsa Oficial de Café, onde os preços do produto eram definidos em pregão.
  • Museu de Pesca: casarão da orla que abriga acervo marinho, com destaque para o esqueleto de uma baleia.
  • Aquário Municipal: um dos mais antigos do país, na Ponta da Praia, com espécies da costa brasileira.
  • Funicular do Monte Serrat: bondinho centenário que sobe até a capela da padroeira, com vista para o porto e para o estuário.
  • Centro histórico: casario do ciclo cafeeiro percorrido pelo bonde turístico, entre igrejas e sobrados do século XIX.

Leia também: Eleita 10 vezes consecutivas a melhor praia do Brasil, com águas a 27°C o ano inteiro e piscinas naturais que já apareciam no mapa de 1634.

Um cartão-postal que começou como obra de engenharia

A orla mais fotografada do litoral paulista é subproduto de uma decisão técnica tomada quando a cidade enterrava seus mortos às centenas. Sem os canais e sem a separação entre esgoto e água de chuva, não haveria bairro à beira-mar, não haveria calçadão e não haveria jardim para entrar em livro de recordes.

Você precisa caminhar os cinco quilômetros de jardim em Santos sabendo que, embaixo daquele gramado, corre a razão de a cidade existir do jeito que existe.