Chefs de cozinha concordam: "Para o bife não ficar duro, não fure a carne na frigideira, mas sele por exatos 2 minutos de cada lado em fogo alto e deixe descansar por 3 minutos antes de cortar" - Super Rádio Tupi
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Chefs de cozinha concordam: “Para o bife não ficar duro, não fure a carne na frigideira, mas sele por exatos 2 minutos de cada lado em fogo alto e deixe descansar por 3 minutos antes de cortar”

O erro que pode deixar o bife duro.

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Este é o passo que a ciência culinária confirma de forma tranquila.

Você chega em casa com fome, joga o bife na frigideira e em cinco minutos tem uma sola de sapato no prato. A técnica que faz o bife não ficar duro combina três coisas simples: não furar, selar em fogo alto e deixar a carne descansar antes de cortar. Cada uma dessas etapas tem uma razão de existir, e algumas dessas razões contrariam o que a maioria das pessoas aprendeu na cozinha da mãe.

Quem nunca serviu um bife duro achando que fez tudo certo?

A cena é conhecida. Você comprou uma peça boa, temperou com carinho, esquentou a frigideira e mesmo assim o resultado saiu ressecado, sem casquinha dourada, escorrendo água no prato. A frustração é maior porque parece que faltou pouco, aquela última coisinha que ninguém explica direito e que muda tudo.

O detalhe é justamente esse. A carne responde a três coisas: contato com o calor, tempo de exposição e movimento em cima do fogo. Fazer isso do jeito errado, mesmo por pouco tempo, transforma um filé mignon caro numa borracha triste. Fazer certo, mesmo com uma alcatra comum, entrega bife de restaurante.

Chefs de cozinha concordam: "Para o bife não ficar duro, não fure a carne na frigideira, mas sele por exatos 2 minutos de cada lado em fogo alto e deixe descansar por 3 minutos antes de cortar"
Este é o passo que a ciência culinária confirma de forma tranquila.

Por que não furar a carne, exatamente?

A crença antiga diz que o furo faria o suco escorrer, deixando a carne seca. A ciência culinária não confirma isso da maneira como a gente ouviu falar. O suco não sai por causa dos furinhos do garfo, sai porque as fibras musculares se contraem quando encontram calor e espremem líquido para fora, com furo ou sem furo.

Mesmo assim, o conselho de não furar continua valendo, por outra razão. Espetar a carne com garfo para virar interrompe o contato dela com a frigideira quente, tira ela do lugar antes da hora e atrapalha a formação da crosta dourada que dá sabor de verdade ao bife. O certo é usar pinça ou espátula, virar uma vez e não cutucar.

O que acontece quando você sela em fogo alto?

O que faz a diferença de sabor não é a “selagem” no sentido de fechar o suco por dentro, essa é a parte que a ciência derrubou. É a reação de Maillard, um processo químico descoberto em 1912 pelo francês Louis-Camille Maillard, que acontece entre 140 e 165 graus Celsius, quando aminoácidos e açúcares reagem em alta temperatura e formam centenas de compostos de sabor e aroma.

Segundo a Wikipédia, é essa reação que dá o gosto característico não só do bife grelhado, mas do café torrado, do pão assado e do chocolate. O Guide Michelin reforça, citando o cientista culinário Harold McGee, que o controle da temperatura é o que separa o bife perfeito do bife amargo demais.

Quais os cinco pontos que fazem a técnica funcionar?

Vale separar os detalhes práticos que os chefs seguem, para o resultado sair como deve.

1
Frigideira bem quente antes da carne Ela precisa estar fumegando antes do bife encostar, senão a carne cozinha na própria água em vez de dourar.
2
Carne seca com papel-toalha Umidade na superfície impede a reação de Maillard. Enxugar bem antes de temperar muda o resultado.
3
Dois minutos de cada lado, sem mexer Cutucar a cada 30 segundos interrompe a formação da crosta. Deixe pousada até chegar a hora de virar.
4
Pinça ou espátula, nunca garfo Virar sem espetar preserva a crosta, mantém o contato com o metal quente e evita interromper o processo.
5
Três minutos de descanso antes de cortar Essa é a parte que realmente segura o suco. Fibras relaxam, líquido se redistribui, cada fatia sai suculenta.

Por que descansar a carne funciona mesmo?

Este é o passo que a ciência culinária confirma de forma tranquila. Quando a carne sai do fogo, as fibras musculares estão contraídas por causa do calor, com o líquido empurrado para o centro. Se você corta na hora, esse líquido vaza tudo no prato e a carne fica seca.

Deixar o bife descansar por três minutos sob um pedaço de papel-alumínio solto por cima permite que as fibras relaxem gradualmente e reabsorvam parte do líquido antes do corte. É um passo simples, gratuito e faz uma diferença enorme na primeira mordida. Bifes mais grossos, tipo picanha ou chorizo, pedem cinco a sete minutos.

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Onde a técnica se aplica e onde precisa de ajuste?

A regra dos dois minutos de cada lado serve para bifes de espessura média, entre um e dois centímetros. Cortes mais grossos ou mais finos pedem ajuste no tempo. A tabela ajuda a bater o olho antes de acender o fogo.

Corte e espessura Tempo por lado Descanso
Bife fino Menos de 1 cm, tipo minuto 1 minuto por lado, fogo bem alto 2 minutos
Bife médio 1 a 2 cm, alcatra ou contrafilé 2 minutos por lado, fogo alto 3 minutos
Bife grosso 2 a 3 cm, chorizo ou ancho 3 minutos por lado, terminar no forno 5 minutos
Filé mignon alto Peça inteira ou medalhão grosso 3 minutos por lado, forno para o miolo 5 a 7 minutos
Carne mal descongelada Ainda gelada por dentro Não sela direito Descongelar antes é regra

E os erros que estragam mesmo um bife bom?

Mesmo com a técnica certa, alguns descuidos derrubam o resultado. Encher a frigideira de bife de uma vez baixa a temperatura do metal e a carne acaba cozinhando na própria água em vez de dourar. Colocar sal muito antes do fogo puxa a umidade para fora e atrapalha a formação da crosta. Cortar a carne assim que sai do fogo desperdiça todo o descanso que ela precisava.

A técnica que os chefs repetem funciona porque combina três coisas que resolvem três problemas diferentes: não cutucar preserva a crosta, dois minutos em fogo alto garantem a Maillard e o descanso final segura o suco onde ele precisa ficar. Junte essas três e um bife comum vira jantar de restaurante, sem depender de peça cara nem de tempero milagroso. É a mesma carne, tratada com um pouco mais de paciência.

💡 Curiosidade A ideia de que selar a carne prende o suco foi criada em 1850 pelo químico alemão Justus von Liebig e virou tradição na cozinha, mesmo depois de experimentos em 1930 terem provado que não era verdade.