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Gigante do interior: a cidade com 1,18 milhão de habitantes que também abriga uma potência nacional em inovação
Mais de 1 milhão de moradores e forte produção científica.
A 98 km de São Paulo, Campinas começou sua história como ponto de parada para tropeiros no século XVIII e, ao longo dos anos, tornou-se o segundo município mais populoso do estado fora da capital. Hoje, a cidade do interior paulista também se destaca pela presença da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e pela participação expressiva na produção científica brasileira.
Como Campinas deixou de ser pouso de tropeiros para virar potência do café?
Foi às margens da antiga Estrada dos Goiases que o povoamento ganhou forma, em meados do século XVIII, quando um pouso recebia tropeiros que viajavam em direção às minas de ouro. O núcleo rural cresceu até se tornar a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição das Campinas do Mato Grosso, em 1774, ano considerado a data oficial de fundação do município.
A expansão ganhou novo ritmo durante o século XIX, quando Campinas passou a figurar entre as grandes produtoras de café do Brasil. A prosperidade do período atraiu imigrantes italianos, alemães e espanhóis, enquanto o ciclo cafeeiro deixou marcas que permanecem na paisagem, como casarões, fazendas históricas e a Companhia Mogiana de Estradas de Ferro.

Como Campinas se tornou um dos grandes polos científicos do Brasil?
A trajetória da Unicamp começou em 1962, mas o campus ganhou sua pedra fundamental em 5 de outubro de 1966, em uma gleba localizada a 12 km do centro e doada para a universidade. Desde o início, o projeto se diferenciou de outras instituições brasileiras por ter sido concebido do zero como um sistema integrado de centros voltados à pesquisa.
Atualmente, a instituição é considerada a maior produtora de patentes do país, enquanto quase metade de seus estudantes está na pós-graduação. A presença da universidade também impulsionou a formação de um ecossistema de empresas de tecnologia, laboratórios e centros de pesquisa, entre eles o CNPEM, reforçando a vocação científica de Campinas.
Como é morar no município mais populoso do interior paulista?
Com 1.187.974 habitantes, segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para 2025, Campinas apresenta IDHM de 0,805 e taxa de escolarização de 98,17% entre crianças e adolescentes de 6 a 14 anos. O município também registra PIB per capita superior a R$ 80 mil, refletindo a dimensão econômica que alcançou ao longo das décadas.
A rotina muda bastante conforme a região. O Cambuí concentra bares, cafés e uma vida urbana mais movimentada, enquanto Barão Geraldo, no entorno da universidade, apresenta perfil mais residencial e ligado à comunidade acadêmica. Na Região Metropolitana, formada por 20 municípios e 3,3 milhões de habitantes, o fluxo diário de pessoas ajuda a explicar os congestionamentos nos horários de maior movimento.
Quais lugares visitar em Campinas além das áreas verdes?
Entre construções históricas, antigas ferrovias e espaços dedicados à ciência, Campinas oferece atrações que ocupam desde algumas horas até praticamente um dia inteiro de passeio. Muitas ficam próximas da região central, enquanto outras estão em áreas mais afastadas.
- Lagoa do Taquaral: o Parque Portugal ocupa 800 mil m² e reúne pista de cooper, planetário e uma réplica em escala real da nau de Cabral.
- Bosque dos Jequitibás: parque centenário localizado na região central, com minizoológico, aquário e Museu de História Natural.
- Maria Fumaça Campinas-Jaguariúna: percurso de 48 km por uma ferrovia histórica que também serviu de cenário para produções como Terra Nostra e Sinhá Moça.
- Observatório Jean Nicolini: situado no Monte Urânia, em Joaquim Egídio, fica afastado da poluição luminosa e abre aos domingos para observação do céu.
- Torre do Castelo: antiga caixa d’água construída no formato de um castelo medieval, com mirante panorâmico voltado para a cidade.
- Catedral Metropolitana: sua construção começou em 1807 e o templo abriga o maior altar de jacarandá esculpido do Brasil.
Quais sabores fazem parte da identidade gastronômica campineira?
A gastronomia de Campinas carrega marcas da imigração italiana e também da presença de estudantes e profissionais atraídos pelas universidades. Enquanto o Cambuí concentra restaurantes de perfil mais autoral, áreas tradicionais e rurais preservam preparos associados à cozinha de fazenda.
- Massas artesanais: nhoque, ravioli e canelone aparecem em cantinas familiares que preservam receitas trazidas pelos imigrantes no século XIX.
- Café especial: cafés de origem e cafeterias autorais ganharam espaço em Barão Geraldo e no Cambuí, mantendo viva a relação da região com a antiga produção cafeeira.
- Quibebe de abóbora: receita da cozinha caipira servida com frango caipira e arroz em restaurantes da zona rural de Campinas.
- Doces de tacho: preparos de figo, abóbora e laranja podem ser encontrados em feiras tradicionais e no Mercado Municipal.
Quando o clima favorece cada passeio em Campinas?
A cidade tem clima tropical de altitude, com inverno seco e verão chuvoso. As tardes de janeiro e fevereiro costumam render pancadas rápidas de chuva.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
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Quais são as principais formas de chegar a Campinas?
A 98 km de São Paulo, Campinas pode ser acessada pela Rodovia dos Bandeirantes ou pela Anhanguera, em um trajeto de aproximadamente 1h20 de carro. O Aeroporto Internacional de Viracopos amplia as opções de acesso com voos nacionais e internacionais, enquanto ônibus saem do Terminal Tietê em intervalos de poucos minutos.
Por que Campinas se destaca entre as grandes cidades do interior paulista?
Campinas reúne herança cafeeira, vida universitária e uma infraestrutura urbana que poucas cidades fora das capitais conseguem oferecer. Em um mesmo roteiro, é possível encontrar referências em ciência e tecnologia, parques centenários e restaurantes que preservam a influência da imigração italiana.
A antiga parada de tropeiros também ganhou uma dimensão metropolitana sem abandonar completamente suas raízes. Entre universidades, centros de pesquisa, áreas verdes e construções ligadas ao passado cafeeiro, Campinas mantém elementos da história que começou às margens da antiga Estrada dos Goiases e continua influenciando a identidade da cidade.