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Especialistas em psicologia afirmam que quem rói as unhas enquanto espera pode estar tentando regular automaticamente sensações de tédio, ansiedade ou frustração
Roer as unhas enquanto espera pode ajudar a lidar com tédio, ansiedade ou frustração
Roer as unhas enquanto espera uma resposta, enfrenta uma fila ou fica preso no trânsito pode parecer apenas um hábito difícil de controlar. Para a psicologia, porém, a onicofagia pode funcionar como uma resposta automática diante de tédio, ansiedade, frustração ou excesso de tensão. O movimento repetitivo oferece estímulo imediato e pode ajudar a pessoa a lidar momentaneamente com sensações desconfortáveis.
Por que algumas pessoas roem as unhas justamente enquanto esperam?
Esperar cria um período em que existe pouco controle sobre o que acontecerá a seguir. A pessoa aguarda uma mensagem, uma consulta, uma reunião ou simplesmente o avanço de uma fila. Nesse intervalo, inquietação e impaciência podem aumentar, enquanto as mãos ficam disponíveis para movimentos repetitivos quase automáticos.
Roer as unhas pode oferecer uma pequena atividade para ocupar atenção e corpo. Em vez de permanecer apenas concentrada na demora ou na incerteza, a pessoa encontra um estímulo sensorial imediato. Isso ajuda a explicar por que o hábito pode aparecer sem uma decisão consciente de começar a roer.
Quais emoções podem estar por trás desse comportamento repetitivo?
Não existe uma única emoção associada ao hábito. A mesma pessoa pode roer as unhas por razões diferentes, dependendo da situação, inclusive sem perceber claramente o que estava sentindo naquele momento. A seguir, veja alguns estados que podem favorecer esse comportamento:
- Ansiedade enquanto aguarda uma resposta importante;
- Tédio durante períodos sem atividade;
- Frustração diante de algo que não pode controlar;
- Impaciência em filas ou atrasos;
- Tensão antes de uma conversa ou compromisso;
- Concentração intensa durante tarefas difíceis.

Como roer as unhas pode funcionar como uma forma de autorregulação?
Comportamentos repetitivos podem alterar momentaneamente aquilo em que a atenção está concentrada. O contato dos dedos com a boca, a pressão sobre a unha e a repetição do movimento criam estímulos físicos previsíveis. Para algumas pessoas, isso oferece uma sensação breve de alívio ou ocupação quando existe tensão emocional.
Esse funcionamento ajuda a entender por que simplesmente mandar alguém “parar de roer” nem sempre resolve. Se o hábito estiver associado a determinados estados emocionais, eliminar apenas o movimento pode deixar intacto o gatilho que o provoca. Com o tempo, a resposta também pode se tornar tão automática que começa antes mesmo de a pessoa perceber que está ansiosa ou entediada.
Quais situações costumam revelar que o hábito virou automático?
Observar quando as mãos vão até a boca pode ajudar a identificar padrões. Muitas vezes, o comportamento aparece sempre em circunstâncias semelhantes e deixa de ser percebido até que alguém comente ou a pessoa note o estado das unhas. A seguir, confira alguns exemplos comuns:
- Esperar o resultado de uma prova, exame ou entrevista;
- Aguardar uma mensagem ou ligação importante;
- Assistir a uma cena tensa em um filme ou jogo;
- Ficar parado no trânsito ou em uma fila demorada;
- Estudar ou trabalhar em um problema difícil;
- Perceber uma pequena irregularidade na unha e continuar mexendo nela.

Roer as unhas significa necessariamente que a pessoa é ansiosa?
Não. A onicofagia pode aparecer em contextos de ansiedade, mas também em situações de tédio, concentração, hábito ou baixa estimulação. Por isso, o comportamento isolado não permite diagnosticar ansiedade ou qualquer outro transtorno. Uma revisão publicada na Behaviour Change destaca justamente a variedade de estados associados aos comportamentos repetitivos focados no corpo.
A onicofagia é frequentemente discutida junto de comportamentos repetitivos focados no corpo. Quando ocorre de forma persistente e provoca ferimentos, sangramento, infecções, danos importantes às unhas ou sofrimento difícil de controlar, o padrão merece mais atenção do que um episódio ocasional durante uma espera.
O que esse hábito pode revelar sobre a maneira como lidamos com desconforto?
Roer as unhas mostra como o corpo pode criar pequenas respostas para situações em que existe tensão, impaciência ou falta de estímulo. O hábito pode surgir como uma tentativa rápida de ocupar as mãos e deslocar a atenção, especialmente quando a pessoa não consegue agir sobre aquilo que está causando a espera ou a frustração.
Perceber o padrão é diferente de se culpar por ele. Identificar momentos, emoções e situações que antecedem o movimento ajuda a compreender por que ele aparece e a buscar outras formas de autorregulação quando necessário. Em muitos casos, a unha roída é apenas a parte visível de um processo automático em que o cérebro procura alguma maneira imediata de lidar com aquilo que está sentindo.