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O cenário do Paraná com mais de 300 milhões de anos onde torres de pedra formam uma paisagem que parece saída de um filme

O destino paranaense que reúne 300 milhões de anos de história.

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O cenário do Paraná com mais de 300 milhões de anos onde torres de pedra formam uma paisagem que parece saída de um filme
Criado em 1953, o Parque Estadual de Vila Velha concentra a principal paisagem turística de Ponta Grossa e está entre os conjuntos geológicos mais marcantes do Brasil. / Imagem iustrativa

Os Campos Gerais guardam formações que começaram a tomar forma há cerca de 300 milhões de anos, quando a região ainda estava próxima do Polo Sul e os continentes formavam uma única massa de terra. Ao longo de milhões de anos, processos naturais transformaram os antigos arenitos em esculturas que lembram uma taça, um camelo e até a proa de um navio. Nesse cenário geológico singular, Ponta Grossa, no Paraná, combina o patrimônio rochoso com furnas, cachoeiras e episódios importantes da história brasileira, a apenas 114 km de Curitiba.

De onde surgiu o nome que virou identidade de Ponta Grossa?

Muito antes de se tornar uma cidade, a região já servia de passagem para tropeiros que percorriam os Campos Gerais conduzindo rebanhos entre o Sul do país e São Paulo. No caminho, uma colina coberta por um capão de mato podia ser vista de longe e acabou servindo como ponto de referência. A expressão “capão da ponta grossa” passou a identificar o lugar, enquanto o povoado se desenvolveu ao redor da capela dedicada a Sant’Ana, construída no alto da colina onde atualmente está a Catedral de Sant’Ana.

A história política do município ganhou um capítulo decisivo em 17 de outubro de 1930, quando Getúlio Vargas chegou à estação ferroviária de Ponta Grossa acompanhado de suas tropas durante a Revolução de 1930, movimento que derrubaria o presidente Washington Luís. Segundo a tradição associada ao episódio, foi ali que Vargas recebeu a informação de que deveria continuar viagem até a capital para assumir a presidência. A passagem contribuiu para o reconhecimento do município como Capital Cívica do Paraná.

Com mais de 300 milhões de anos, esse destino encanta com torres de pedra e paisagens impressionantes no Paraná
Parque Vila Velha em Ponta Grossa atrai visitantes de todo Brasil com sua beleza geológica e atrações modernas. // Créditos: depositphotos.com / artush

Quais atrações conhecer no parque geológico de Vila Velha?

Criado em 1953, o Parque Estadual de Vila Velha concentra a principal paisagem turística de Ponta Grossa e está entre os conjuntos geológicos mais marcantes do Brasil. São mais de 3 mil hectares onde três atrações principais podem ser visitadas com o auxílio do transporte interno do parque.

  • Arenitos: antigos depósitos de areia compactados há cerca de 300 milhões de anos ganharam formas curiosas após milhares de anos de ação do vento e da chuva. Taça, camelo, garrafa, índio e proa de navio estão entre as figuras reconhecidas nas rochas. O percurso principal tem 2,5 km e dura aproximadamente duas horas.
  • Furnas: essas cavidades verticais, cuja formação remonta a cerca de 400 milhões de anos, combinam paredes rochosas, vegetação e água subterrânea acumulada no fundo. Das seis furnas existentes, três estão abertas à visitação.
  • Lagoa Dourada: uma antiga furna chegou a um estágio avançado de transformação e deu lugar a uma lagoa de águas cristalinas. Ao final da tarde, os raios solares refletem na superfície e criam o tom dourado que explica seu nome.

Quais cachoeiras e formações naturais ficam fora de Vila Velha?

O roteiro natural de Ponta Grossa continua para além do parque, com propriedades e áreas de preservação distribuídas pelo interior do município. Muitas dessas atrações ficam a menos de 40 km do centro e podem ser alcançadas por estradas de terra.

  • Buraco do Padre: um grande anfiteatro subterrâneo abriga uma cachoeira de 30 metros, alimentada pelo Rio Quebra Perna. O caminho de 1 km possui acessibilidade para cadeirantes e a atração está dentro do Parque Nacional dos Campos Gerais.
  • Cachoeira da Mariquinha: a água despenca de aproximadamente 30 metros diante de um banco de areia que forma uma espécie de pequena praia. Arenitos e mata nativa completam a paisagem.
  • Cânion e Cachoeira do São Jorge: paredões rochosos criam um cenário procurado para a prática de rapel, enquanto uma queda d’água de 30 metros se destaca em meio à vegetação preservada.
  • Furnas do Passo do Pupo: o circuito reúne seis atrações naturais, entre elas as Furnas Gêmeas e a Furna do Anfiteatro, com acesso por trilhas ou por uma ciclorrota.
  • Mosteiro da Ressurreição: o espaço reúne monges beneditinos que realizam cantos gregorianos cercados pela natureza. A loja do mosteiro comercializa pães, biscoitos e vinhos artesanais.

Cerveja artesanal e a festa com chancela alemã

Ponta Grossa carrega o título de Capital Paranaense da Cerveja e tem diversas cervejarias artesanais espalhadas pela cidade. A MunchenFest, que acontece entre novembro e dezembro, é a única festa do país com chancela do Consulado da Alemanha no Sul do Brasil. São cerca de dez dias de chope, culinária alemã, danças e atrações culturais em celebração aos imigrantes que ajudaram a formar o município.

Quando o clima favorece cada tipo de passeio?

O clima é subtropical, com verões quentes e chuvosos e invernos secos e frios. A altitude média de 975 metros garante manhãs geladas no inverno.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 16-28 °C
Chuva: Alta
Cachoeiras e Lagoa Dourada ao pôr do sol.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 12-24 °C
Chuva: Média
Trilhas nos arenitos e cicloturismo.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 7-19 °C
Chuva: Baixa
Caminhada noturna, cervejarias e Mosteiro.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 12-25 °C
Chuva: Média
MunchenFest, Buraco do Padre e mirantes.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Com mais de 300 milhões de anos, esse destino encanta com torres de pedra e paisagens impressionantes no Paraná
O Parque Vila Velha, famoso por seus arenitos, furnas e a Lagoa Dourada, em Ponta Grossa. // Créditos: depositphotos.com / [email protected]

Quais são as principais formas de chegar a Ponta Grossa?

A ligação com Curitiba é feita pela BR-376, em um percurso de 114 km que leva cerca de 1h40 de carro por uma rodovia duplicada. O Aeroporto de Ponta Grossa (PGZ) também recebe voos operados pela Azul e pela Voepass, embora com frequência limitada. Para quem desembarca na capital paranaense, o Aeroporto Afonso Pena (CWB) oferece uma quantidade maior de opções. Já para explorar as atrações espalhadas pela área rural, ter um carro facilita bastante os deslocamentos.

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Por que Ponta Grossa parece um museu moldado pela natureza?

A paisagem de Ponta Grossa guarda marcas de diferentes períodos da história geológica em poucos quilômetros. Arenitos com cerca de 300 milhões de anos, furnas que chegam a 400 milhões de anos e cachoeiras de aproximadamente 30 metros dividem espaço com eventos contemporâneos, como um festival cervejeiro que carrega selo alemão. O resultado é um destino em que formações naturais de enorme valor científico convivem com uma cena de lazer bastante movimentada.

Entre as formações de Vila Velha, o interior das furnas e os bares onde é possível provar chope artesanal, o roteiro também cruza episódios da história política brasileira. Foi por essa cidade que Getúlio Vargas passou quando seguia em direção à presidência, acrescentando outra camada à trajetória de um município marcado tanto pela geologia quanto pela história.