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Ouro de cor branco, montanhas acima de 1.500 metros e uma história que remonta a 1717 fazem desta cidade um destino curioso de Minas Gerais
O lugar onde o chamado “ouro branco” entrou para a história.
A aproximadamente 100 quilômetros de Belo Horizonte, Ouro Branco guarda marcas de uma história construída durante o ciclo da mineração em Minas Gerais. Sua origem está relacionada à descoberta, no fim do século XVII, de jazidas de tonalidade clara por exploradores que percorriam o interior da colônia. Séculos depois, o município mantém essa herança histórica ao lado de um dos cenários naturais de maior importância no estado.
Como a Serra de Ouro Branco ganhou importância na Estrada Real?
Nos tempos coloniais, atravessar a Serra de Ouro Branco estava entre os desafios enfrentados por quem percorria a antiga Estrada Real. O relevo acidentado, as passagens estreitas e os relatos de ataques contra viajantes contribuíam para a reputação de um caminho perigoso, especialmente para tropeiros e comerciantes que circulavam pela região levando riquezas entre diferentes pontos do interior da colônia.
Hoje, as mesmas montanhas que dificultavam a passagem de antigos viajantes formam um dos principais patrimônios naturais do entorno. Com grandes paredões de quartzito, a serra é considerada o marco inicial da Serra do Espinhaço, cadeia montanhosa que percorre mais de mil quilômetros entre Minas Gerais e Bahia e abriga áreas de relevância ambiental, além de paisagens que atraem visitantes de diferentes partes do país.

Como surgiu o nome que identifica Ouro Branco?
A denominação Ouro Branco surgiu a partir de uma particularidade do minério encontrado na região durante os primeiros tempos da exploração aurífera em Minas Gerais. Enquanto o ouro retirado de áreas próximas, como Ouro Preto, apresentava características diferentes, o metal encontrado ali tinha uma tonalidade mais clara. A particularidade despertou a atenção dos exploradores e acabou dando origem ao nome do povoado que se formava naquele território.
Os primeiros registros da descoberta remontam ao século XVII e estão associados a Miguel Garcia, integrante das expedições que avançavam pelo interior mineiro em busca de riquezas. À medida que a mineração ganhou força, o arraial cresceu, recebeu construções religiosas e passou a fazer parte das primeiras freguesias da capitania. Ainda hoje, um trecho da histórica Rua Santo Antônio conserva o traçado da antiga Estrada Real, mantendo uma ligação visível com os tempos do ciclo do ouro.
Quais lugares conhecer no Parque Estadual Serra do Ouro Branco?
Entre Ouro Branco e Ouro Preto, o Parque Estadual Serra do Ouro Branco ocupa uma área de 7.520 hectares e reúne diferentes paisagens naturais ligadas à história da região. A unidade é administrada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), tem entrada gratuita e funciona de segunda a segunda, das 8h às 18h.
- Poção do Córrego do Veríssimo: piscina natural formada no meio do Circuito das Aves, uma das trilhas mais procuradas do parque.
- Cachoeira dos Jesuítas: queda cercada por mata atlântica e vestígios de antigas minas da época do ciclo do ouro.
- Mirante do Morro do Gabriel: vista panorâmica do vale e ponto alto para quem faz a travessia mais tradicional da serra.
- Travessia Topo da Serra até Itatiaia: caminhada entre campos rupestres com vestígios da Estrada Real colonial.
- Mirante Lago Soledade: vista do manancial que abastece Ouro Branco e um dos cenários mais fotografados da cidade.

A bromélia que só existe em Ouro Branco
Nos paredões de quartzito da serra cresce uma planta que não ocorre em nenhum outro lugar do mundo. A Dyckia ourobrancoensis é uma bromeliácea endêmica, encontrada apenas entre 1.100 e 1.500 metros de altitude nas rochas da região.
A descoberta faz parte de um ecossistema de campos rupestres com um dos maiores índices de endemismo da cadeia do Espinhaço. Por isso o paredão é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (IEPHA).
Quais igrejas e casarões merecem uma visita no centro histórico?
O centro preserva o ar setecentista que marcou os arraiais do ciclo do ouro. O destaque absoluto é a Matriz de Santo Antônio, construída entre 1717 e 1779, com forro pintado por Mestre Ataíde e fachada com influência direta de Aleijadinho.
A poucos passos está a Casa de Tiradentes, imóvel às margens da antiga Estrada Real que teria abrigado reuniões dos inconfidentes mineiros. No distrito de Itatiaia, a Igreja de Santo Antônio é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e figura entre as mais antigas do estado.

Qual a melhor época para visitar a cidade do ouro esbranquiçado?
O inverno seco, entre maio e setembro, é o período mais confortável para trilhas e mirantes. No verão, as chuvas fortes podem fechar acessos, mas garantem cachoeiras cheias e paisagens intensas.
☀️ Verão
Dez – Fev17-28°C
Temperatura🍂 Outono
Mar – Mai14-26°C
Temperatura❄️ Inverno
Jun – Ago10-24°C
Temperatura🌸 Primavera
Set – Nov14-27°C
TemperaturaTemperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Ouro Branco saindo de Belo Horizonte?
A cidade fica a cerca de 100 km da capital mineira pela BR-040, seguindo depois pela MG-443, segundo o Instituto Estrada Real. O trajeto leva pouco mais de uma hora e meia de carro, e o acesso ao parque estadual é feito pela MG-129, a antiga Estrada Real.
Uma parada que combina com o Circuito do Ouro
Ouro Branco tem o raro talento de reunir barroco, natureza rupestre e história da Inconfidência num único final de semana. A cidade costuma ser visitada junto com Congonhas, Ouro Preto e Mariana, no roteiro Entre Cenários da História do Turismo de Minas Gerais.
Você precisa conhecer Ouro Branco e entender por que os viajantes do século 18 temiam essa serra que hoje encanta quem chega pelas mesmas curvas da Estrada Real.