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Morador encontra fósseis em sua propriedade, e pesquisadores descobrem dinossauro de 20 metros com anatomia surpreendente, resultado de uma combinação inesperada entre duas linhagens pré-históricas
Achado na Patagônia traz detalhes da evolução dos saurópodes.
A descoberta paleontológica realizada na Patagônia revelou uma espécie impressionante que transforma a compreensão sobre os dinossauros herbívoros do passado. Trata-se de um saurópode que habitava a região há milhões de anos, apresentando características morfológicas únicas em fósseis bem preservados.
Como ocorreu a descoberta do Bicharracosaurus dionidei na Patagônia?
Os primeiros fósseis do animal surgiram durante o trabalho de rotina promovido por um morador local em sua propriedade rural na província argentina de Chubut. A partir desses achados iniciais, pesquisadores organizaram escavações detalhadas na região para resgatar a ossada fossilizada.
O material foi identificado na Formação Cañadón Calcáreo, um depósito geológico reconhecido por abrigar vestígios do período Jurássico Superior. A equipe do Museu Egidio Feruglio atuou no preparo e na catalogação das vértebras recuperadas, confirmando o valor científico do exemplar.
Quais são as principais características físicas desse gigante jurássico?
As estimativas baseadas na estrutura esquelética recuperada indicam que o animal media cerca de vinte metros de comprimento total. Seu corpo robusto era sustentado por membros fortes, típicos de herbívoros gigantescos que habitavam áreas continentais no antigo supercontinente Gondwana.
O fóssil preservou mais de trinta vértebras correspondentes às regiões cervical, dorsal e caudal, além de costelas e fragmentos pélvicos. Esses elementos demonstram que o indivíduo encontrado era um adulto completo, apresentando pleno desenvolvimento da coluna vertebral.

Por que a anatomia do novo dinossauro surpreendeu os paleontólogos?
A principal surpresa decorre da presença conjunta de traços anatômicos associados a duas famílias distintas de grandes dinossauros. Enquanto certas partes lembrem o africano Giraffatitan, o padrão das vértebras dorsais aproxima o animal dos diplodocídeos da América do Norte jurássica.
Singularidade Anatômica
Mosaico de características anatômicas
O esqueleto recuperado exibe afinidades com braquiossaurídeos africanos e diplodocídeos norte-americanos.
Essa mistura reforça a complexidade evolutiva dos répteis de pescoço longo no hemisfério sul.
As análises filogenéticas conduzidas com o esqueleto indicam um parentesco direto com o grupo Macronaria. As conclusões posicionam a espécie como o primeiro braquiossaurídeo confirmado do Jurássico em solo sul-americano, solucionando lacunas sobre essa linhagem biológica.
Abaixo estão alguns dos elementos observados na estrutura óssea recuperada:
- Mais de trinta vértebras pertencentes ao pescoço, dorso e cauda.
- Costelas e fragmentos preservados da cintura pélvica.
- Vértebras dorsais com forte semelhança aos diplodocídeos.
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Qual é a importância do fóssil para o estudo do continente Gondwana?
A grande maioria das descobertas sobre sauropodes jurássicos origina-se de jazidas da América do Norte. Com poucos registros conhecidos nas massas do sul, este fóssil patagônico oferece material comparativo valioso para reavaliar a história evolutiva desses répteis gigantes.
Antes deste achado, a Tanzânia concentrava o único registro expressivo de herbívoros desse tipo nas terras meridionais. O novo exemplar da Argentina amplia os dados paleogeográficos e comprova uma ampla dispersão biogeográfica de fauna durante o Jurássico Superior no hemisfério sul.
A análise comparativa revela contribuições fundamentais trazidas pelo achado:
- Expansão dos registros fósseis de grandes sauropodes no hemisfério sul.
- Novos dados paleogeográficos para a compreensão do supercontinente Gondwana.
- Evidências sobre as rotas de dispersão de herbívoros durante o Jurássico.

Quem foram os pesquisadores responsáveis pela identificação do saurópode?
O trabalho de investigação contou com uma cooperação internacional liderada pelo paleontólogo Oliver Rauhut. A pesquisadora Alexandra Reutter analisou os restos ósseos durante sua tese de doutorado na universidade alemã, registrando formalmente a descoberta na literatura especializada internacional.
A nomeação homenageia o morador Dionide Mesa, responsável pela identificação inicial no campo, combinando o termo “bicharraco” ao gênero científico. O artigo publicado na revista PeerJ formalizou este importante avanço para a paleontologia e a ciência global.