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Em 1977, levaram um bloco de gelo de mais de uma tonelada do Alasca até Iowa para estudar se os icebergs poderiam se tornar uma fonte de água doce

Iceberg de mais de 1 tonelada cruza os EUA em estudo sobre escassez de água

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Em 1977, levaram um bloco de gelo de mais de uma tonelada do Alasca até Iowa para estudar se os icebergs poderiam se tornar uma fonte de água doce
Cientistas levam bloco de gelo do Alasca a Iowa para estudar transporte de icebergs

Em 1977, um bloco de gelo de mais de uma tonelada percorreu milhares de quilômetros do Alasca até o estado de Iowa, nos Estados Unidos, com um objetivo que hoje soa curioso: descobrir se grandes icebergs poderiam se tornar uma fonte alternativa de água doce. A viagem improvável fez parte de uma conferência científica internacional que discutia levar gelo polar a regiões castigadas pela falta de água, um problema que segue atual quase cinco décadas depois.

Em 1977, mais de uma tonelada de gelo cruzou os EUA em busca de uma solução para a falta d’água
Um bloco retirado de uma geleira do Alasca foi levado até Iowa para uma conferência que investigava se icebergs poderiam abastecer regiões áridas com água doce.
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1,1 tonelada de gelo
O bloco saiu da geleira Portage, no Alasca, e teria cerca de 10 mil anos de idade.
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Viagem complexa
Helicóptero, avião e caminhão refrigerado foram usados para levar o gelo até Ames, em Iowa.
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Água para regiões secas
A proposta estudava transportar grandes massas de gelo polar para locais com escassez de água doce.
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Desafio gigantesco
Derretimento, isolamento, estabilidade e custo impediram que a ideia avançasse para uso em grande escala.
Resumo útil: o experimento não transformou icebergs em fonte comercial de água, mas virou registro histórico de uma época em que cientistas testavam soluções ousadas para enfrentar a escassez hídrica.

De onde veio esse enorme bloco de gelo?

O bloco foi retirado da geleira Portage, perto de Anchorage, no Alasca, e pesava cerca de 1.133 quilos, o equivalente a aproximadamente 2.500 libras. Não era gelo comum fabricado para a ocasião, mas uma peça natural com idade estimada em torno de 10 mil anos.

A extração exigiu uma operação e tanto. Mergulhadores e um helicóptero foram usados para retirar o bloco da geleira e levá-lo até Anchorage. De lá, o gelo seguiu de avião até Minneapolis e, no trecho final, foi transportado por um caminhão refrigerado até a cidade de Ames, sede da conferência. Cada etapa serviu para testar, na prática, os desafios de mover gelo por longas distâncias.

Por que alguém quis transportar icebergs pelo mundo?

A ideia nasceu de um problema que continua sem solução fácil: a disponibilidade de água doce em regiões áridas. A proposta era ousada e buscava responder se seria tecnicamente possível arrastar grandes massas de gelo das regiões polares até áreas com escassez hídrica. Alguns pontos ajudam a entender o interesse por trás do experimento:

  • Regiões desérticas enfrentavam dificuldade crônica de acesso à água potável
  • As calotas polares concentram boa parte da água doce do planeta em forma de gelo
  • Países com vastas áreas secas buscavam alternativas ao processo caro de dessalinização
  • A demonstração servia para medir perdas de gelo e custos reais de transporte

Quem participou dessa conferência sobre gelo?

O bloco chegou a Ames durante a Primeira Conferência Internacional sobre Utilização de Icebergs, realizada em outubro de 1977 e documentada até hoje pela Iowa State University. O encontro reuniu cerca de 200 cientistas, engenheiros, empresários e representantes políticos de 18 países, todos debruçados sobre a mesma pergunta improvável.

O tema interessava especialmente a nações com grandes áreas desérticas. A Arábia Saudita, que estudava formas de ampliar sua oferta de água, estava entre os países atentos à ideia. Um dos nomes ligados à iniciativa foi Mohammed Al-Faisal, envolvido com o programa saudita de dessalinização, o que mostra como a proposta despertava interesse real de quem convivia com a escassez.

Quanto custou levar o gelo até Iowa?

Os valores variam conforme a fonte histórica consultada, e vale registrar essa imprecisão em vez de cravar um número único. A documentação do Environment & Society Portal aponta um custo de cerca de 8.500 dólares para o traslado, enquanto uma publicação do Washington Post de outubro de 1977 falava em algo próximo de 10 mil dólares. Por isso, não é correto afirmar, como algumas versões da história espalham, que a viagem teria custado exatamente 5 mil dólares. O gelo, ao chegar à universidade, foi guardado em uma câmara frigorífica para se manter íntegro durante os dias de conferência.

Em 1977, levaram um bloco de gelo de mais de uma tonelada do Alasca até Iowa para estudar se os icebergs poderiam se tornar uma fonte de água doce
Cientistas levam bloco de gelo do Alasca a Iowa para estudar transporte de icebergs

A ideia de transportar icebergs deu certo?

A conferência não conseguiu provar que usar icebergs como fonte comercial de água em grande escala fosse viável. O que ela fez foi reunir pesquisas e testes para mapear os principais obstáculos técnicos do plano, que eram muitos e nada simples de resolver:

  • O transporte de enormes massas de gelo por milhares de quilômetros de oceano
  • O derretimento inevitável ao longo de trajetos tão longos
  • O isolamento necessário para conservar o gelo durante a viagem
  • A estabilidade das grandes estruturas de gelo em alto-mar

Um experimento curioso que virou registro histórico

O episódio de 1977 mostra até onde a busca por água levou a imaginação de cientistas e governos. Aquele bloco de dez mil anos saiu de uma geleira remota do Alasca e terminou numa câmara fria de uma universidade no meio dos Estados Unidos, mas seu propósito mirava muito mais longe, em regiões do mundo onde cada litro de água doce fazia diferença.

A proposta de rebocar icebergs nunca se tornou uma solução prática de larga escala, e ficou mais como um campo de estudo do que como uma tecnologia adotada. Ainda assim, quase cinquenta anos depois, a viagem daquele gelo permanece guardada nos arquivos da universidade como o retrato de uma época em que a escassez de água inspirou até as ideias mais improváveis para tentar levar o líquido a quem precisava.