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Um pequeno pedacinho da Itália no Brasil atraí pela qualidade de vida e abriga a maior montanha-russa de madeira da América Latina
A forte herança italiana.
A cerca de 76 km de São Paulo, Vinhedo reúne parreirais, tradições herdadas da imigração italiana e atrações turísticas que movimentam o interior paulista. Com aproximadamente 76 mil habitantes, o município preserva marcas de sua origem como antigo pouso de tropeiros, enquanto parques temáticos e propriedades rurais convivem com uma tradição vinícola que ajudou a definir a identidade local.
Como Rocinha se transformou em Vinhedo?
A história do município começou por volta de 1620, quando bandeirantes e tropeiros utilizavam a região como ponto de parada no caminho entre Jundiaí e Campinas. O pequeno povoado ficou conhecido como Rocinha até que, no final do século XIX, a chegada de imigrantes italianos modificou a economia local. Os novos moradores passaram a cultivar uvas, especialmente a variedade Niágara, que gradualmente ocupou áreas antes destinadas aos cafezais.
A mudança de identidade também chegou ao nome da cidade. Em 1948, um plebiscito colocou em votação alternativas como Parreiral, Videiral e Vinhalândia, mas Vinhedo foi o nome escolhido para o novo município. Naquele mesmo ano ocorreu a primeira Festa da Uva, tradição que alcançou sua 62ª edição em março de 2026. A antiga ferrovia da Companhia Paulista, inaugurada em 1872, já havia contribuído para acelerar o desenvolvimento regional, e sua estação permanece preservada e tombada pelo Condephaat.

Quais adegas conhecer em Vinhedo, a capital paulista da uva?
Integrante do Circuito das Frutas, roteiro turístico do governo estadual que reúne municípios produtores do interior de São Paulo, Vinhedo preserva a tradição vitivinícola herdada dos imigrantes. As adegas locais mantêm métodos artesanais de produção e recebem visitantes durante todo o ano para conhecer os parreirais, acompanhar parte da fabricação e participar de degustações.
- Adega Família Ferragut: é a maior adega aberta ao público no município e possui 5 mil pés de uva. A visita percorre os parreirais e as áreas de produção de vinhos e sucos naturais, terminando com degustação.
- Adega Azzolin: mantém o estilo de uma cantina familiar, com massas artesanais e vinhos produzidos sob orientação do “nono” desde 1999. Aos fins de semana, o próprio chef prepara os pratos servidos no local.
- Adega Família Baccetti: trabalha com produção artesanal de vinhos e espumantes. A Associação dos Vitivinicultores de Vinhedo (AVIVI) participou da introdução bem-sucedida das variedades Syrah e Merlot na propriedade.
O que fazer em Vinhedo além de visitar adegas?
A diversidade de atrações permite montar um roteiro bastante variado sem sair do município. Em um mesmo fim de semana, é possível passar da adrenalina de uma montanha-russa que chega a 103 km/h para um ambiente de silêncio e tradição religiosa, além de conhecer espaços ligados à astronomia e à história rural paulista.
- Hopi Hari: um dos maiores parques temáticos da América Latina, ocupa 760 mil m² e é dividido em cinco áreas temáticas. A Montezum, maior montanha-russa de madeira do continente e 4ª maior do mundo, possui 1 km de extensão e chega a 42 metros de altura.
- Mosteiro de São Bento: os monges estão presentes em Vinhedo desde 1958. O espaço comercializa pães, mel silvestre e velas artesanais produzidos na clausura, enquanto as missas com canto gregoriano são abertas ao público.
- Observatório Abrahão de Moraes: administrado pelo Instituto de Astronomia da USP, ocupa uma área de 450 mil m² de mata nativa. As observações noturnas são realizadas com telescópios automatizados e podem ser visitadas mediante agendamento.
- Fazenda Cachoeira: preserva um dos remanescentes de antigas fazendas cafeeiras do século XIX, com casa de vivenda construída em taipa de pilão, antiga senzala e jardim de inspiração francesa.
- Represas I, II e III: localizadas próximas ao centro, oferecem espaços para caminhada, quadra de areia, quiosques e áreas destinadas a piqueniques.

Como a Festa da Uva mantém a tradição italiana em Vinhedo?
Realizada todos os anos no Parque Municipal Jayme Ferragut, a Festa da Uva e do Vinho tem entrada gratuita e reúne atrações que preservam a herança italiana do município. A programação inclui shows, desfile de cavaleiros, parada italiana e a tradicional pisa da uva, quando os visitantes entram descalços na atividade. Em 2026, a festa foi distribuída por três fins de semana de março, com palcos instalados em quatro ambientes diferentes.
Mesmo fora do período do evento, os sabores trazidos pela imigração italiana continuam presentes nos restaurantes do centro. Massas frescas, galeto e polenta aparecem ao lado de cachaças e licores produzidos artesanalmente na região. Nas cantinas do Circuito das Frutas, os pratos também podem ser acompanhados pelos vinhos produzidos pelas próprias famílias, mantendo uma tradição transmitida entre diferentes gerações.
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Quando o clima favorece cada tipo de passeio?
Vinhedo tem clima tropical de altitude, a 601 metros acima do nível do mar. As estações são bem definidas, com verões quentes e invernos secos.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Quais são as principais formas de chegar a Vinhedo?
A 76 km de São Paulo, Vinhedo pode ser acessada pela Rodovia Anhanguera (SP-330) ou pela Rodovia dos Bandeirantes (SP-348), em um trajeto de aproximadamente 1h15 de carro. Para quem prefere o transporte coletivo, há ônibus intermunicipais saindo do Terminal Tietê, com viagem de cerca de 1h20. Já o Aeroporto de Viracopos, em Campinas, fica a aproximadamente 25 km do município.
O que torna Vinhedo um destino diferente no interior paulista?
Poucas cidades conseguem reunir em um mesmo roteiro a velocidade de uma montanha-russa e o ritmo paciente da produção de vinho. Em Vinhedo, essas duas experiências convivem com a herança rural e italiana que ajudou a formar o município, criando uma identidade própria entre as cidades do interior de São Paulo.
A antiga Rocinha preservou nas adegas, nos parreirais e nas festas ligadas à uva parte da história que acabou dando origem ao nome Vinhedo. Para quem percorre a cidade, conhecer uma cantina e provar um vinho produzido por uma família local também significa entrar em contato com uma tradição que atravessou gerações.