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A cidade gaúcha que foi capital do Rio Grande do Sul por 10 anos e hoje guarda parque estadual de 5.566 hectares e farol construído em 1860
Foi capital do Rio Grande do Sul entre 1763 e 1773.
Poucas cidades brasileiras conseguem sustentar quase três séculos de história em um território tão próximo de uma capital atual. Localizada na Região Metropolitana de Porto Alegre, a apenas 24 km do centro da capital gaúcha, Viamão tem mais de 250 mil habitantes distribuídos em cerca de 1.500 km², com 110 km de margens compartilhadas entre o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos. Fundada em 1741 como freguesia, foi a capital do Rio Grande do Sul entre 1763 e 1773, sediou capítulos decisivos da Revolução Farroupilha e recebeu o apelido de “Setembrina dos Farrapos”. Abriga o monumental Parque Estadual de Itapuã, unidade de conservação com 5.566 hectares onde está o histórico Farol de Itapuã, construído em 1860 para assinalar o limite entre o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos.
Como Viamão virou capital do Rio Grande do Sul em 1763?
Segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul (SETUR-RS), a fundação da freguesia de Viamão data de 1741, no mesmo ano em que foi iniciada a construção da Capela de Nossa Senhora da Conceição. Em 1763, Viamão foi elevada à condição de sede do governo do estado, fato decorrente da invasão dos espanhóis na Vila de Rio Grande, então capital do território. A cidade manteve-se como capital do Rio Grande do Sul por 10 anos, até 1773, quando o Porto dos Casais, atual Porto Alegre, foi elevado à condição de nova capital.
A ligação com Porto Alegre é ainda mais antiga do que o próprio nascimento da capital gaúcha. A partir de 1752, grupos de açorianos vindos das ilhas dos Açores começaram a chegar pelo Porto de Itapuã, no atual território viamonense, e posteriormente foram responsáveis pela fundação do próprio Porto dos Casais, núcleo que daria origem à atual Porto Alegre. Décadas depois, no século XIX, Viamão foi palco de muitos capítulos importantes da Revolução Farroupilha, entre 1835 e 1845. Por causa dessa participação decisiva, a Vila ganhou o apelido de “Setembrina dos Farrapos”, ainda usado em referência à cidade em todo o Rio Grande do Sul.

Por que a Igreja Nossa Senhora da Conceição foi tombada pelo IPHAN?
Uma das construções mais preciosas do patrimônio gaúcho, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição foi construída em 1770, quase três décadas após o início da freguesia. O templo segue o padrão Barroco Rococó Português, com fachada simétrica, altares em talhas ricamente decoradas e o mobiliário histórico preservado ao longo de mais de 250 anos. Segundo a SETUR-RS, a igreja é um dos grandes ícones do mobiliário histórico gaúcho e foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), medida que garante sua preservação como bem cultural nacional.
A construção continua abrigando as celebrações religiosas mais tradicionais da cidade. A Festa da Padroeira Nossa Senhora da Conceição é o principal evento religioso do ano, com procissões, missas e apresentações culturais. Somam-se às tradições outros eventos populares como a Festa do Peixe, a Festa do Arroz com Leite e a Semana Farroupilha, que juntas compõem uma rica programação onde é possível conhecer a cultura gaúcha e a gastronomia típica do interior do estado.
O que fazer no Parque Estadual de Itapuã?
Segundo o Portal do Estado do Rio Grande do Sul, o Parque Estadual de Itapuã foi criado em 11 de março de 1991 e aberto para visitação em 2002. Administrado pela Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SEMA), tem 5.566 hectares e protege a última amostra dos ecossistemas originais da Região Metropolitana de Porto Alegre, com campos, matas, dunas, lagoas, praias e morros. É a principal atração natural do município e um dos pontos mais preservados da natureza no sul do país.
O parque abriga também importante território cultural. Dentro de suas dependências vive a aldeia Tekoá Pindó Mirim, da etnia Mbyá-Guarani, que mantém suas tradições ancestrais em diálogo com a gestão pública. Junto à SEMA, a aldeia articula ações de visibilidade cultural e acesso ao parque para venda de artesanato aos visitantes. O parque abre de quarta a domingo, e a Praia das Pombas, uma das mais visitadas, tem limite de 350 pessoas por dia para garantir a preservação do ecossistema.
Como o Farol de Itapuã marca o encontro de dois espelhos d’água?
Dentro do Parque Estadual de Itapuã fica um dos marcos mais fotografados do sul do Brasil: o Farol de Itapuã, também chamado de Farol de Itapuã da Lagoa. Construído em 1860, é considerado um dos mais antigos faróis em operação no Rio Grande do Sul. A construção tem função geográfica precisa: assinala o exato limite entre o Lago Guaíba, o maior lago em espelho d’água do Brasil, e a Laguna dos Patos, uma das maiores lagunas do planeta.
A vista do farol combina paisagem natural preservada com relevância cartográfica. Ao redor da construção, dunas, praias de água doce e vegetação nativa formam o cenário onde antigamente as embarcações que faziam a rota entre Porto Alegre e o sul do estado se orientavam pelas luzes do farol antes de entrar em águas mais rasas. Hoje, a estrutura integra o patrimônio histórico gaúcho e continua funcionando, com projetos de educação ambiental promovidos pela SEMA no local.
Quais outras atrações vale a pena conhecer em Viamão?
Além do Parque de Itapuã e do centro histórico, Viamão tem atrações espalhadas em seu vasto território municipal, muitas delas ligadas a experiências de turismo religioso, de aventura e de natureza.
- Templo Budista Caminho do Meio: um dos maiores templos budistas do sul do Brasil, com meditações abertas ao público, jardins zen e retiros espirituais.
- Autódromo Internacional de Tarumã: recebe provas nacionais e internacionais de automobilismo, motociclismo e kart durante todo o ano.
- Museu Municipal de Viamão: preserva a memória histórica do município desde a colonização açoriana até a Revolução Farroupilha.
- Banhados Grande e dos Pachecos: áreas de conservação importantes para a biodiversidade ao longo do Rio Gravataí.
- Trincheiras da Revolução Farroupilha: resquícios preservados na localidade de Lomba Tarumã, próximo à RS-118, com monumento alusivo ao centenário da Revolução construído em 1935.
- Lago Tarumã: espaço para atividades ao ar livre com áreas de lazer, quadras e churrasqueiras.
O que comer em Viamão?
A gastronomia local combina a herança da culinária açoriana com o toque gaúcho tradicional, e é servida em restaurantes que vão de churrascarias tradicionais a pequenos endereços coloniais no interior rural do município.
- Churrasco gaúcho: preparo tradicional da culinária pampiana, com cortes bovinos assados em fogo de chão em churrascarias e pousadas rurais.
- Arroz com leite: prato-símbolo da Festa do Arroz com Leite, tradição herdada dos açorianos e servida em cafés coloniais.
- Peixe de água doce: preparado com peixes das margens do Lago Guaíba e da Laguna dos Patos, servido em restaurantes das áreas ribeirinhas.
- Produtos coloniais: pães, queijos, embutidos e doces caseiros comercializados nas propriedades rurais das estradas da região.
- Café colonial: mesa farta com pães, geleias e doces caseiros, servido em cafés temáticos junto às rotas rurais.
Como é o clima de Viamão ao longo do ano?
Viamão tem clima subtropical úmido, com as quatro estações bem definidas. Os verões são quentes com temperaturas entre 18°C e 30°C, e os invernos são frios com noites que chegam próximas dos 5°C. As chuvas são bem distribuídas ao longo do ano, com maior concentração entre junho e agosto. Segundo dados climatológicos, a média mensal de chuva em julho fica em torno de 131 mm, uma das mais altas do estado, o que garante paisagens verdejantes o ano inteiro no Parque de Itapuã.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Viamão?
Viamão fica a apenas 24 km do centro de Porto Alegre, com acesso pela Avenida Edgar Pires de Castro na Zona Sul da capital. Para quem vem de outros municípios da Região Metropolitana, a RS-118 é a via mais utilizada até a área central da cidade. O deslocamento até o Parque Estadual de Itapuã soma aproximadamente 57 km desde Porto Alegre por causa da localização do parque no extremo sul do município. O Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, é o mais próximo, a apenas 30 km de Viamão, com voos regulares de várias capitais brasileiras. Ônibus regulares e transfers privados operam a linha entre a capital e Viamão diariamente.
Suba até a esquina histórica do Rio Grande do Sul e conheça a antiga capital gaúcha
Viamão é o tipo de destino que combina quase três séculos de história com uma das paisagens naturais mais preservadas do sul do país. Fundada em 1741 como freguesia, foi capital do Rio Grande do Sul entre 1763 e 1773 em decorrência da invasão espanhola na Vila de Rio Grande, recebeu os primeiros açorianos pelo Porto de Itapuã em 1752 (que depois fundariam Porto Alegre) e virou palco decisivo da Revolução Farroupilha entre 1835 e 1845, recebendo o apelido de “Setembrina dos Farrapos”. Reúne a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição construída em 1770 em Barroco Rococó Português e tombada pelo IPHAN, o Parque Estadual de Itapuã criado em 1991 com 5.566 hectares administrados pela SEMA, o histórico Farol de Itapuã de 1860 marcando o limite entre o Lago Guaíba e a Laguna dos Patos, a Praia das Pombas com limite de 350 visitantes por dia, a aldeia Mbyá-Guarani Tekoá Pindó Mirim, o Templo Budista Caminho do Meio, o Autódromo de Tarumã, as trincheiras farroupilhas na Lomba Tarumã com monumento de 1935 e a rica programação anual entre Festa da Padroeira, Festa do Peixe, Festa do Arroz com Leite e Semana Farroupilha.
Você precisa reservar pelo menos dois dias em Viamão, subir ao Farol de Itapuã ao entardecer e caminhar pela Praia das Pombas para entender por que essa antiga capital gaúcha virou um dos endereços históricos mais completos do Rio Grande do Sul a apenas meia hora de carro do centro de Porto Alegre.