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Colocar cravo-da-índia no álcool e borrifar nos cantos da casa: para que serve e por que recomendam repetir no início da primavera
Cravo-da-índia no álcool nos cantos da casa: estudo com a Fiocruz indica que a receita não afasta o mosquito
“Borrifar álcool com cravo nos cantos da casa afasta o mosquito da dengue”
❌ Mito
A resposta está no meio do texto ⬇️
O frasco de cravo-da-índia curtido no álcool virou item de faxina em muitas casas brasileiras. Ele é borrifado em rodapés, atrás de cortinas e perto de ralos, com fama de repelente natural. Um estudo publicado em 2019 na revista PLOS One, feito por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Davis e da Fiocruz Pernambuco, testou essa receita. Preparada do jeito popular, ela não repeliu o Aedes aegypti em laboratório.
Para que serve o cravo-da-índia curtido no álcool?
Na prática, a mistura perfuma os cômodos, porque o álcool extrai do cravo o eugenol, composto de cheiro forte e ardido. A promessa que circula em vídeos e grupos de mensagens vai além do aroma e costuma incluir estes usos:
- afastar pernilongos e o mosquito da dengue dos quartos;
- espantar formigas e baratas de armários e pias;
- substituir o repelente de farmácia na pele;
- proteger por horas com um único borrifo nos cantos;
- render mais se reforçada quando o calor volta.

O que a pesquisa encontrou ao testar a receita caseira?
A pesquisa não encontrou proteção na receita feita como ensinam as redes. A equipe confirmou que o eugenol é o princípio ativo, mas o extrato na dose caseira não afastou os mosquitos. Só uma versão cinco vezes mais concentrada, feita com a marca de cravo mais rica em eugenol, teve repelência moderada. Mesmo assim, ela protegeu menos que um produto com 1% de DEET, segundo o estudo na PLOS One. Os testes avaliaram a mistura como repelente aplicado, e não como spray de ambiente.
Parte do que se repete sobre o cravo mistura fatos com exageros. Os três casos abaixo separam o que a ciência sustenta do que é só crença.
Por que o conselho é repetir o borrifo no início da primavera?
O conselho segue o calendário do mosquito. Segundo o Ministério da Saúde, a dengue tem padrão sazonal, com mais casos e risco de epidemia entre outubro e maio. O órgão pede atenção redobrada nos meses que antecedem as chuvas, e a primavera, iniciada no fim de setembro, abre esse período. No calor, o ciclo do ovo ao mosquito adulto cai de cerca de 15 dias para uma semana, segundo a Prefeitura de São Paulo. Repetir o spray nessa época reforça o cheiro de cravo na casa, mas não a proteção.
Quais cuidados protegem de fato a casa contra o Aedes?
O que protege a casa é eliminar criadouros e usar produtos registrados. A Anvisa divide os repelentes em dois grupos, os de pele, tratados como cosméticos, e os de ambiente, tratados como saneantes. Ambos precisam de registro na agência, e para a pele a orientação é buscar fórmulas com icaridina, DEET ou IR3535.
Em 2023, o painel de arboviroses do Ministério da Saúde apontou caixas d’água e tambores como 39,6% dos focos de larvas encontrados. Por isso, a rotina semanal começa pelos reservatórios:
- Tampe caixas d’água, tonéis e tambores com tampa bem ajustada.
- Encha os pratinhos dos vasos com areia até a borda.
- Limpe calhas e mantenha fechados os ralos pouco usados.
- Guarde garrafas de boca para baixo e o lixo em saco fechado.
- Instale telas nas janelas e use na pele repelente registrado.
Então vale guardar o frasco de cravo no armário?
Como aromatizante, o frasco de cravo pode continuar na área de serviço, longe do fogão e do alcance das crianças. Como barreira contra o Aedes aegypti, a receita não passou no teste, e a primavera pede caixa d’água tampada, pratinho seco e repelente registrado.
Agora quero saber de você. Responda à enquete abaixo e conte nos comentários como anda a faxina contra o mosquito aí na sua casa.
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