Dono de apartamento fecha a varanda para ganhar espaço na sala e só depois descobre que a mudança pode ser considerada alteração de fachada e contrariar as regras do condomínio - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Economia

Dono de apartamento fecha a varanda para ganhar espaço na sala e só depois descobre que a mudança pode ser considerada alteração de fachada e contrariar as regras do condomínio

Morador fecha a varanda para ampliar a sala e descobre que a mudança pode mexer com a fachada e as regras do condomínio

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Dono de apartamento fecha a varanda para ganhar espaço na sala e só depois descobre que a mudança pode ser considerada alteração de fachada e contrariar as regras do condomínio
Fechar a varanda pode alterar a fachada do edifício e exigir autorização do condomínio. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Fechar a varanda parece uma maneira de ganhar espaço para a mesa de jantar ou o sofá. No apartamento, porém, a mudança pode aparecer do lado de fora do prédio e afetar regras que valem para todos os moradores. Antes de instalar vidros ou integrar os ambientes, o proprietário precisa verificar o padrão aprovado pelo condomínio e as exigências técnicas da reforma.

Por que fechar a varanda pode ser alteração de fachada?

A fachada não se resume à parede voltada para a rua. O conjunto de varandas, esquadrias, cores e acabamentos externos também compõe a aparência do edifício. Se apenas um apartamento recebe painéis diferentes, novos perfis ou uma estrutura que muda o desenho original, a intervenção pode romper a uniformidade do prédio.

O Código Civil estabelece, no artigo 1.336, inciso III, o dever do condômino de não alterar a forma e a cor da fachada, das partes e das esquadrias externas. O fato de a varanda pertencer ao apartamento não torna livre toda mudança visível do exterior. Mesmo alterações pouco perceptíveis da rua podem ser discutidas pelo condomínio.

Todo fechamento com vidro é proibido?

Não existe uma resposta única para todos os edifícios. Alguns condomínios já aprovaram um modelo de envidraçamento, com características definidas para todos os apartamentos. Nesse caso, o morador deve seguir o padrão de vidro, cor dos perfis e forma de instalação previsto nas decisões e documentos do prédio.

Em outros edifícios, o fechamento não foi autorizado ou o projeto pretendido difere do modelo permitido. Por isso, antes de contratar a vidraçaria, é importante pedir à administração:

  • A convenção e o regimento interno atualizados;
  • As atas que tratam do fechamento de varandas;
  • O padrão aprovado para vidros, perfis e acabamento;
  • As exigências para apresentar o projeto da reforma.

Ver uma varanda já fechada no mesmo prédio não dispensa essa consulta. A instalação pode ter seguido uma autorização específica, pertencer a outra etapa da construção ou estar em discussão com o condomínio.

Dono de apartamento fecha a varanda para ganhar espaço na sala e só depois descobre que a mudança pode ser considerada alteração de fachada e contrariar as regras do condomínio
Fechar a varanda pode alterar a fachada do edifício e exigir autorização do condomínio. (Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial)

Integrar a varanda à sala exige outros cuidados?

Sim. Instalar painéis de vidro e remover a separação entre sala e varanda são intervenções diferentes. A integração pode envolver esquadrias, piso, instalações elétricas, impermeabilização e cargas previstas no projeto da edificação. Também é necessário avaliar ventilação e possíveis exigências do município e do Corpo de Bombeiros aplicáveis ao imóvel.

Uma avaliação técnica deve anteceder qualquer retirada de portas, paredes ou outros elementos. A norma ABNT NBR 16280 trata da gestão de reformas em edificações, com planejamento, análise das consequências da obra e documentação. Para sistemas de envidraçamento de sacadas, a ABNT NBR 16259 estabelece requisitos de desempenho.

O que pode acontecer se o proprietário fizer a obra sem consultar o condomínio?

Se a instalação contrariar a convenção ou o padrão aprovado, o condomínio pode exigir a regularização da varanda. Conforme as regras aplicáveis e as circunstâncias, a situação pode envolver multa e até pedido para desfazer a alteração. Isso gera custos além daqueles pagos à empresa que executou o fechamento.

O resultado depende do que foi construído e dos documentos do edifício. Em uma discussão, costumam ser relevantes:

Documentos sobre a alteração da fachada

Registros que ajudam a reconstruir como a instalação foi realizada

  • 1Fotos da fachada antes e depois da obra;
  • 2Projeto e materiais usados no fechamento;
  • 3Regras e atas vigentes quando a instalação ocorreu;
  • 4Comunicações trocadas entre o morador e a administração.

O Superior Tribunal de Justiça já reconheceu, em caso de alteração de esquadrias, que uma mudança discreta em um apartamento pode afetar a unidade visual da fachada. Isso não significa que todo vidro de varanda seja irregular, mas mostra por que cada projeto precisa ser confrontado com as regras do prédio.

Como agir quando a varanda já foi fechada?

O primeiro passo é reunir o contrato da obra, desenhos, registros fotográficos e eventual autorização recebida. Depois, o morador pode solicitar ao síndico a indicação precisa da regra supostamente descumprida e comparar sua instalação com o padrão adotado pelo condomínio. Uma vistoria técnica pode esclarecer se há diferenças de material, aparência ou segurança.

Se houver possibilidade de adequação, vale apresentar uma proposta documentada antes de modificar novamente a estrutura. Uma conversa em assembleia também pode ser necessária, conforme o tema e as regras internas. Ignorar uma notificação tende a ampliar o conflito e dificulta resolver o problema enquanto os detalhes da obra ainda são fáceis de verificar.

Leia também: Mãe deixa imóvel inteiro para a filha que cuidou dela na velhice, mas os irmãos descobrem que esse cuidado não elimina automaticamente o direito deles à parte protegida da herança

O que conferir antes de transformar a varanda em parte da sala?

O ganho de espaço precisa ser planejado a partir de dois limites: o padrão coletivo da fachada e as condições técnicas do apartamento. Com a convenção, as atas e o projeto em mãos, o proprietário consegue saber qual fechamento é permitido e quais documentos deve entregar antes de iniciar a obra.

Também convém separar o orçamento do vidro do custo de uma eventual integração completa. Piso, ventilação, impermeabilização e alterações internas podem exigir soluções próprias. Conferir esses pontos antes da instalação evita descobrir, depois de ampliar a sala, que a nova varanda não atende às regras do edifício.