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A primeira capital do Brasil guarda o maior conjunto colonial da América Latina e 30 km de praias de água morna o ano inteiro

Maior conjunto colonial da América Latina.

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A primeira capital do Brasil guarda o maior conjunto colonial da América Latina e 30 km de praias de água morna o ano inteiro
O Pelourinho é o coração do Centro Histórico e o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina. / Imagem ilustrativa

Poucas cidades brasileiras carregam tanto começo. Fundada em 1549 como a primeira capital do país, Salvador ergueu sobre uma escarpa da Baía de Todos-os-Santos um centro histórico que virou Patrimônio da Humanidade. Entre ladeiras de pedra, igrejas douradas e o ritmo dos tambores, a cidade baiana mistura história e praia como nenhuma outra.

Por que Salvador é chamada de primeira capital do Brasil?

Porque foi ali que a colônia começou a se organizar. Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Salvador foi fundada em 1549 pelo primeiro governador-geral Tomé de Sousa, que trouxe de Portugal a missão de erguer uma cidade capaz de centralizar a administração e o comércio na América portuguesa. A capital permaneceu na Bahia até 1763, quando o posto passou ao Rio de Janeiro.

A cidade nasceu dividida em dois planos, aproveitando o desnível de uma falha geológica: as funções administrativas e residenciais no alto, o porto e o comércio à beira-mar. Essa geografia deu origem à Cidade Alta e à Cidade Baixa, ligadas até hoje pelo icônico Elevador Lacerda. Conforme a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a partir de 1558 a cidade abrigou também o primeiro mercado de pessoas escravizadas do Novo Mundo, herança que moldou profundamente sua cultura.

A energia dessa cidade cresce entre praias marcantes e festas tradicionais
Salvador provoca sentidos ao unir ancestralidade africana e tradições locais – Créditos: depositphotos.com / gustavomello162.hotmail.com

O que ver no Pelourinho e no Centro Histórico?

O Pelourinho é o coração do Centro Histórico e o maior conjunto arquitetônico colonial da América Latina. A área foi tombada pelo IPHAN em 1984 e, no ano seguinte, inscrita na Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. São cerca de 80 hectares de ladeiras, becos e largos com mais de 800 casarões dos séculos XVII e XVIII, quase tudo percorrível a pé.

A concentração de marcos históricos é rara para uma única área. Vale reservar ao menos um dia inteiro para a caminhada.

1
Largo do Pelourinho Cartão-postal da cidade, com casarões coloridos, a Fundação Casa de Jorge Amado no icônico casarão azul e a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.
2
Igreja e Convento de São Francisco Uma das obras barrocas mais ricas do país, com interior revestido em talha dourada e azulejos portugueses, listada entre as Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo.
3
Elevador Lacerda Ícone que liga a Cidade Alta à Cidade Baixa e oferece uma vista ampla da Baía de Todos-os-Santos e do Mercado Modelo, logo abaixo.
4
Dique do Tororó Lago urbano cartão-postal da cidade, com oito grandes esculturas que representam os orixás fincadas no meio da água.
5
Farol da Barra Marco onde começa a orla de praias, com forte histórico e um dos pores do sol mais concorridos da cidade sobre o mar.

O que a cultura afro-brasileira deixou em Salvador?

A herança africana está no centro da identidade soteropolitana e ganhou reconhecimento oficial. Segundo o IPHAN, a Bahia guarda quatro bens imateriais registrados como Patrimônio do Brasil, todos com raízes em Salvador: a Festa do Senhor do Bonfim, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano, o Ofício das Baianas de Acarajé e a Roda de Capoeira. Dois deles, o samba de roda e a roda de capoeira, também são reconhecidos pela UNESCO como patrimônio da humanidade.

Essa cultura pulsa nas ruas o ano todo. Às terças-feiras, o som dos tambores do Olodum ecoa pelo Largo do Pelourinho e transforma as ladeiras em palco a céu aberto. Foi nesse mesmo cenário que Michael Jackson gravou parte do clipe de “They Don’t Care About Us”, em 1996, levando as cores do Pelô para o mundo.

Essa é a melhor capital do Nordeste para viver e visitar em 2025
A cozinha baiana nasceu do encontro entre heranças africana, indígena e portuguesa, marcada pelo azeite de dendê e pelo leite de coco. – Créditos: depositphotos.com / rmnunes

O que comer na primeira capital do Brasil?

A cozinha baiana nasceu do encontro entre heranças africana, indígena e portuguesa, marcada pelo azeite de dendê e pelo leite de coco. O próprio ofício das baianas de acarajé é patrimônio imaterial reconhecido pelo IPHAN.

  • Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito no dendê e recheado com vatapá, caruru e camarão, vendido nos tabuleiros das baianas.
  • Moqueca baiana: ensopado de peixe ou frutos do mar servido borbulhante na panela de barro, com dendê e leite de coco.
  • Vatapá: creme de pão, camarão, amendoim e dendê, servido sozinho ou como recheio de outros pratos.
  • Caruru: prato de quiabo com camarão e dendê, de raiz africana e presente em celebrações religiosas.

Como é o clima em Salvador ao longo do ano?

O clima é tropical e quente o ano inteiro, com praias de água morna em qualquer estação. As chuvas se concentram no outono e no início do inverno, mas costumam ser passageiras, sem estragar o passeio.

☀️ Verão Dez-Fev
Média: 25-32°C
Chuva: Média
Praias, verão e Carnaval de Salvador.
🍂 Outono Mar-Mai
Média: 23-30°C
Chuva: Alta
Museus e Centro Histórico entre chuvas.
❄️ Inverno Jun-Ago
Média: 22-28°C
Chuva: Alta
Festas juninas e Festa do Bonfim.
🌸 Primavera Set-Nov
Média: 24-31°C
Chuva: Baixa
Melhor época de praia e sol firme.
💡 Dica do especialista: a primavera, entre setembro e novembro, costuma reunir sol firme e menos chuva, ideal para as praias. Para o Carnaval, vá em fevereiro; para a tradição religiosa, a Festa do Bonfim acontece em janeiro.

Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.

Como chegar a Salvador?

A forma mais comum de chegar é por avião, pelo Aeroporto Internacional de Salvador, que recebe voos de todo o país e do exterior. Do aeroporto ao Centro Histórico, o trajeto leva cerca de 40 minutos de carro. Dentro da cidade, o Pelourinho é percorrido a pé, já que boa parte das ruas é exclusiva para pedestres, e os aplicativos de transporte são a forma mais prática de circular entre os bairros.

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A cidade que fundou o Brasil e nunca parou de dançar

Salvador reúne o que poucas metrópoles brasileiras conseguem juntar num só lugar: o maior acervo colonial da América Latina, praias urbanas de água morna e uma cultura afro-brasileira reconhecida como patrimônio pela UNESCO e pelo IPHAN. A cada esquina do Pelourinho, história e música caminham juntas.

Você precisa subir as ladeiras da primeira capital do país e sentir, entre igrejas douradas e tambores, por que Salvador ainda encanta o mundo.