Entretenimento
A fruta do Cerrado com sabor ácido: 100 gramas cobrem 71% da vitamina C do dia, indica estudo da UFV
Cagaita chega ao auge da safra e estudo revela o que existe em 100 gramas da fruta
“O nome cagaita tem a ver com o efeito laxativo da fruta”
❌ Mito
A resposta está no meio do texto ⬇️
A cagaita é o fruto da cagaiteira, árvore nativa do Cerrado da mesma família da goiaba e da jabuticaba. A polpa suculenta e ácida chega à mesa entre agosto e outubro, no fim da estação seca, segundo a Central do Cerrado. A fruta está, portanto, no auge da safra neste fim de setembro. Um estudo da Universidade Federal de Viçosa mediu 34,11 mg de vitamina C em 100 gramas de polpa. O trabalho saiu em 2011 na revista Food Research International. Isso equivale a cerca de 71% da recomendação diária, segundo os autores.
Como é a cagaita e onde ela nasce no Cerrado?
A cagaita é uma fruta pequena, de casca amarelo-esverdeada e polpa aquosa, que cresce em árvores tortuosas de até 10 metros. As principais características são:
- nome científico Eugenia dysenterica, da família das mirtáceas;
- fruto de cerca de 3 centímetros de diâmetro, com até quatro sementes;
- ocorrência principal em Goiás, Minas Gerais e Bahia;
- produção de 500 a mais de 2 mil frutos por árvore a cada ano;
- início da produção cerca de cinco anos após o plantio.

O que o estudo de Viçosa encontrou na polpa da fruta?
O estudo encontrou uma polpa leve, com 91,56% de água, e rica em vitamina C. Os pesquisadores registraram ainda folatos, carotenoides e 1,54 grama de fibras em cada 100 gramas. Os frutos analisados pesavam em média 25 gramas, com rendimento de polpa de 86,4%. Para os autores, a cagaita merece mais cultivo e consumo. O incentivo vale sobretudo para comunidades vulneráveis que vivem no Cerrado e têm a fruta ao alcance da mão.
O nome da fruta costuma gerar piadas e algumas dúvidas na mesa. Os três casos abaixo separam o mito do que dizem as fontes.
Por que a fruta do Cerrado exige moderação no consumo?
A cagaita pede moderação porque a fruta muito madura, esquentada pelo sol ou fermentada tem efeito laxativo forte. É daí que vem o nome popular, conhecido em todo o interior do Cerrado. O ideal é consumir poucas unidades por vez e preferir frutos frescos, colhidos no ponto. Quem não está acostumado pode começar com duas ou três frutas e observar a reação do intestino. Frutos verdes e maduros também têm perfis diferentes de minerais e compostos fenólicos, segundo estudo publicado na Revista Brasileira de Fruticultura.
Como aproveitar a fruta durante a safra?
A melhor forma de aproveitar a cagaita é processar logo depois da colheita, porque a fruta fresca estraga rápido. Por isso, ela costuma chegar às cidades como polpa congelada, e não inteira. Congelada, a polpa pode ser usada em sucos e sorvetes fora da época de colheita.
Na cozinha, a acidez da cagaita combina com receitas doces e bebidas geladas, como acontece com o limão. Estas são as formas mais comuns de consumo:
- Suco batido com água gelada e pouco açúcar.
- Sorvete e picolé, muito vendidos no interior de Goiás.
- Geleias e doces em calda.
- Polpa congelada, que garante a fruta fora da safra.
- Vinagre e bebidas fermentadas, feitos em produção artesanal.
Qual é o futuro da cagaita como fonte de renda no Cerrado?
O futuro passa pelo extrativismo sustentável, que gera renda sem derrubar as árvores. O manual de boas práticas do ISPN orienta a coleta, e o estudo da UFV reforça o valor nutricional da fruta. O desafio é que, em muitas pastagens, a cagaiteira ainda é tratada como planta daninha e arrancada.
E você, já provou cagaita? Veja as dúvidas mais comuns abaixo e conte nos comentários como a fruta é consumida na sua região.