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Filho herda gestão de um fundo de R$ 109 milhões criado pelo pai, tenta doar R$ 5,2 milhões a uma missão religiosa e é bloqueado, porque pelo contrato quem manda no dinheiro não é a família
Herdeiro acusa instituição de bloquear doações e o acesso a um patrimônio de família; entenda a disputa que expõe um detalhe legal
Um fundo beneficente de mais de US$ 21 milhões, o equivalente a R$ 109,2 milhões, é o centro de uma disputa judicial nos Estados Unidos. Philip Peterson, filho do investidor imobiliário Gordon Peterson, acusa a instituição responsável pelo patrimônio de bloquear seu acesso e desconsiderar suas recomendações de doações.
O Peterson Family Stewardship Fund foi criado em 2005 por Gordon para financiar projetos e organizações de causas cristãs. Após a morte dos pais, Philip se tornou o único conselheiro sucessor do fundo.
A situação mudou em 2024. Segundo Philip, a instituição WaterStone retirou seu acesso à conta, suspendeu seus poderes de aconselhamento e deixou de executar doações recomendadas por ele. Entre elas, uma transferência de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,2 milhões, para uma organização missionária que já recebia apoio da família.
As acusações levaram ao processo “Philip G. Peterson v. Christian Community Foundation, Inc.”, aberto em 15 de janeiro de 2026 no Tribunal Federal do Distrito do Colorado. A disputa judicial expõe um detalhe importante desse tipo de patrimônio: o dinheiro em um fundo de doação aconselhada não pertence legalmente à família.
Pai criou o fundo em 2005
Gordon Peterson estabeleceu o Peterson Family Stewardship Fund com a WaterStone para apoiar organizações cristãs. A WaterStone é o nome usado pela Christian Community Foundation, entidade que administra o patrimônio.
De acordo com o “MinistryWatch”, Gordon morreu em 2019. Desde 2021, com a morte de sua mãe, Philip se tornou o único conselheiro sucessor. A WaterStone continuou a executar suas recomendações de doações até 2023, quando o patrimônio do fundo já superava os US$ 21 milhões.
Relação começou a mudar em 2024
Philip afirma que a relação com a WaterStone se deteriorou após divergências sobre a administração do fundo. Ele discordou de mudanças propostas pela instituição e discutiu a possibilidade de transferir os recursos para outro administrador.

Em 5 de março de 2024, após uma videoconferência com o executivo-chefe da WaterStone, Ken Harrison, Philip diz ter sido informado que a organização não manteria mais contato com ele. Na ação, ele acusa a instituição de suspender seus privilégios como conselheiro e de não executar uma doação de US$ 1 milhão para a Operation Mobilization.
A WaterStone contesta a visão de Philip. A instituição argumenta que o contrato não a obriga a aceitar as recomendações do conselheiro e lhe garante o poder de decisão final sobre os recursos.
Afinal, de quem são os R$ 109 milhões?
O fundo foi constituído como um “donor-advised fund” (DAF), modelo comum nos EUA para doações. Nele, uma pessoa transfere ativos para uma instituição e depois recomenda quais organizações devem receber os recursos.
Contudo, após a transferência, os ativos passam a pertencer legalmente à instituição patrocinadora. Uma análise do escritório Foley & Lardner, de maio de 2026, aponta que o contrato do fundo Peterson estabelece que a WaterStone tem controle final sobre os recursos, uma cláusula comum nesse tipo de acordo.
Isso significa que Philip herdou o papel de conselheiro, com poder de recomendar doações, mas não a propriedade dos mais de US$ 21 milhões. Ele busca na justiça uma prestação de contas e uma ordem para que suas recomendações sejam cumpridas, além da possibilidade de transferir o patrimônio.
O caso pode esclarecer até que ponto os direitos de aconselhamento de herdeiros são juridicamente exigíveis. A disputa levanta uma questão para famílias com projetos filantrópicos: é possível transmitir o direito de recomendar o uso do dinheiro, mas não necessariamente o controle ou a propriedade do patrimônio.