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Paul McCartney, sobre o fim dos Beatles: “É como se tivesse sido demitido”, uma reflexão sobre perda e identidade
Após o fim dos Beatles, o astro precisou redescobrir quem era; ele conta como superou a insegurança, o alcoolismo e as críticas para recomeçar
Para Paul McCartney, o fim dos Beatles representou a perda do único trabalho que conheceu e de parte de sua identidade. Ao relembrar a separação do grupo em 1970, o músico comparou o momento a uma demissão.
“Os Beatles se separam, esse foi o único trabalho que você teve na vida e, de repente, você não tem mais. É como se tivesse sido demitido”, afirmou McCartney. A declaração ocorreu durante uma conversa com Judd Apatow após uma exibição do documentário “Paul McCartney: Man on the Run”, que aborda esse período de sua vida.
A vida após o trabalho
A comparação ganha força ao se observar a trajetória do artista. Ele conheceu John Lennon na adolescência e entrou na banda que se tornaria os Beatles aos 15 anos. Sua rotina e identidade artística sempre estiveram ligadas ao grupo.
Com o fim da banda, McCartney perdeu a estrutura sobre a qual construiu sua vida. “Acho que ficar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo”, contou. O músico descreveu a fase seguinte como difícil, refugiando-se na Escócia com Linda McCartney e a família, onde passou a beber mais.

“Eu comecei a beber. Estava sozinho na Escócia, com uma pequena família recém-formada. Ninguém ia me repreender por beber demais… e foi muito divertido até deixar de ser”, relatou.
O desafio de um novo começo
Ao reconstruir sua carreira, McCartney enfrentou o dilema de criar algo novo sem reproduzir os Beatles. Quando produtores perguntavam se ele tocaria músicas da banda, incluindo sucessos como “Yesterday”, ele se recusava. O objetivo era encontrar uma nova identidade musical.
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O primeiro passo foi o álbum “McCartney”, de 1970, no qual tocou quase todos os instrumentos. No ano seguinte, lançou “Ram” ao lado da esposa. Em 1971, formou a banda Wings, uma tentativa de construir uma nova vida artística.
A reinvenção foi acompanhada de críticas. “Ram”, hoje considerado um trabalho importante, teve uma recepção dura em 1971. McCartney admitiu que internalizou as avaliações negativas e chegou a duvidar da qualidade do disco. Entre os críticos estava John Lennon, com quem trocou provocações públicas. Apesar dos conflitos, McCartney afirmou que continuou amando o amigo.
Linda McCartney teve um papel fundamental nesse processo, dando espaço para que ele recuperasse o equilíbrio. O Wings se tornou um sucesso na década de 1970, mas na época não havia garantias. Depois dos Beatles, até Paul McCartney precisou descobrir novamente quem era.