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Uma ilha para cada dia do ano: o paraíso na maior ilha do Rio de Janeiro que reúne 365 ilhas e 2.000 praias protegidas
São 365 ilhas, 2.000 praias protegidas.
Com 365 ilhas e cerca de 2.000 praias espalhadas por uma baía de águas calmas, Angra dos Reis é um dos cenários mais marcantes da Costa Verde, no litoral do Rio de Janeiro. Entre montanhas cobertas de Mata Atlântica, enseadas de águas cristalinas e pequenas ilhas acessíveis de barco, o município reúne paisagens que parecem se multiplicar a cada trecho da costa. Nesse arquipélago, a Ilha Grande se destaca como a maior e mais famosa, combinando praias preservadas, trilhas e uma história que passa por povos indígenas, piratas e antigas estruturas penitenciárias.
Como Angra passou de rota de piratas a Patrimônio da Humanidade?
A história de Angra dos Reis começou oficialmente em 6 de janeiro de 1502, data que coincidia com o Dia de Reis e acabou dando origem ao nome do município. Muito antes da chegada dos portugueses, entretanto, povos indígenas como Tamoios e Tupinambás já ocupavam a região e utilizavam a Ilha Grande, então chamada de Ipaum Guaçu, como área de circulação e abrigo. Algumas das trilhas abertas nesse período continuam sendo percorridas pelos visitantes.
A posição estratégica da região também chamou a atenção de piratas europeus, que encontravam na costa pontos adequados para abastecimento e refúgio. Séculos depois, a Ilha Grande passou a abrigar um presídio que permaneceu em funcionamento até 1994. Com o fim das atividades penitenciárias e a implantação de áreas de proteção ambiental, o território ganhou uma nova função, com a criação de um parque estadual que protege extensos trechos de Mata Atlântica e reforça a vocação ecológica de Angra dos Reis.

Quais lugares conhecer entre ilhas, trilhas e história?
A experiência de Angra dos Reis acontece entre o continente e as ilhas, com os passeios de barco ocupando um lugar central nos roteiros. Ainda assim, há muito para explorar em terra firme, desde as trilhas cercadas pela Mata Atlântica até as construções do centro histórico, que ajudam a contar a trajetória do município.
- Ilha Grande: Com 192 km² e 106 praias, reúne cachoeiras, montanhas e áreas preservadas. A Vila do Abraão, principal núcleo urbano, não possui carros, e antigas trilhas abertas pelos Tamoios conduzem a praias acessíveis somente a pé ou de barco. A travessia desde o centro de Angra leva entre 40 minutos e 1 hora.
- Praia de Lopes Mendes: Cercada por areia branca, mar aberto e águas mais agitadas, aparece entre as dez melhores praias do mundo em rankings internacionais. O acesso inclui uma trilha de cerca de 20 minutos a partir da Praia do Pouso.
- Lagoa Azul: Piscina natural formada entre ilhas, tem águas cristalinas e está entre os locais mais procurados da região para mergulho e snorkel.
- Ilhas Botinas: As duas pequenas ilhotas gêmeas possuem formato arredondado e águas transparentes, cenário procurado para flutuação e registros fotográficos.
- Pico do Papagaio: A trilha leva ao ponto mais conhecido da Ilha Grande, a 982 metros de altitude, de onde se descortina uma vista panorâmica do arquipélago.
- Centro Histórico de Angra: Concentra o Convento do Carmo, a Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, a Igreja de Nossa Senhora da Lapa e Boa Morte e casarões coloniais que remontam ao século XVI.
Quais sabores representam a gastronomia da Costa Verde?
Em Angra dos Reis, boa parte da identidade gastronômica vem dos ingredientes retirados do próprio mar e dos viveiros de maricultura espalhados pela região. O município também se destaca pela produção de vieiras cultivadas, que chegam frescas às mesas de restaurantes instalados tanto no continente quanto nas ilhas.
- Vieiras gratinadas: cultivadas nos viveiros de maricultura da baía, são servidas frescas em restaurantes do continente e das ilhas.
- Peixe grelhado com banana da terra: receita de tradição caiçara encontrada nos restaurantes da Vila do Abraão e na orla de Angra.
- Camarão na moranga: preparado com camarões frescos cozidos no leite de coco e servido dentro de uma abóbora assada.
- Moqueca caiçara: versão regional preparada sem dendê, combinando leite de coco, tomate e temperos frescos.

Quando o mar fica mais cristalino para mergulho?
O inverno é a melhor época para visitar Angra. O céu fica limpo, as chuvas praticamente cessam e a visibilidade da água atinge o auge. No verão, pancadas de chuva no fim da tarde são comuns, mas as manhãs costumam ser abertas.
Temperaturas aproximadas. Consulte a previsão atualizada no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar ao arquipélago da Costa Verde?
Angra dos Reis fica a 155 km do Rio de Janeiro e a 370 km de São Paulo pela rodovia Rio-Santos (BR-101). O acesso à Ilha Grande é exclusivamente por barco: barcas e lanchas partem do Cais de Santa Luzia, no centro de Angra, e de Conceição de Jacareí (opção mais curta). Não há carros na Ilha Grande. A Secretaria de Turismo do Estado do Rio de Janeiro mantém informações atualizadas sobre embarcações e horários.

Um arquipélago para explorar em qualquer época do ano
Angra dos Reis é um destino que se transforma conforme a maré, a estação e a ilha escolhida. Em um único dia, dá para mergulhar em águas cristalinas pela manhã, provar frutos do mar em um restaurante caiçara no almoço e terminar a tarde entre construções históricas. Com 365 ilhas espalhadas pela baía, cada visita pode revelar uma praia, uma trilha ou um novo cenário.
A experiência começa no cais de Angra dos Reis, de onde os barcos partem em direção às ilhas. Desembarcar na Vila do Abraão, caminhar por suas ruas sem carros e seguir pelas trilhas da Ilha Grande é uma das formas de perceber como a natureza e a história convivem nesse trecho da Costa Verde.