Morador instala máquina de lavar na varanda de apartamento e é multado em R$ 15 mil por pertubar os vizinhos na madrugada e poluição sonora - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Entretenimento

Morador instala máquina de lavar na varanda de apartamento e é multado em R$ 15 mil por pertubar os vizinhos na madrugada e poluição sonora

Barulho de máquina de lavar durante a madrugada levou vizinhos a reclamar.

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Morador instala máquina de lavar na varanda de apartamento e é multado em mais de R$ 15 mil por pertubar os vizinhos na madrugada e poluição sonora
No caso de Paulo, não foi a máquina que o condenou, mas o horário e o volume. / Imagem ilustrativa

Para economizar na conta de luz, Paulo passou a lavar roupa de madrugada, aproveitando a tarifa mais barata. A máquina ficava na varanda, sem parede nenhuma para abafar o som da centrifugação. O que parecia esperteza doméstica virou dor de cabeça quando os vizinhos reclamaram. As regras sobre barulho de eletrodoméstico no Brasil são mais rígidas à noite do que muita gente imagina. A história é fictícia, mas o hábito é comum.

Como a máquina de lavar de Paulo virou um problema?

Paulo fez uma conta que parecia certa: ligar a máquina depois das 22h, quando a energia custa menos, e deixar a roupa pronta de manhã. A ideia de economizar era legítima e nada tinha de errado em si.

O detalhe é que a máquina estava na varanda, sem nada para conter o barulho. O ronco da centrifugação passava direto para os apartamentos vizinhos na madrugada. Foi quando as reclamações começaram que o Código Civil entrou na história.

Morador instala máquina de lavar na varanda de apartamento e é multado em mais de R$ 15 mil por pertubar os vizinhos na madrugada e poluição sonora
. Uma medição apontou que o ruído passava do limite permitido para o período noturno. / Imagem ilustrativa

O que aconteceu quando os vizinhos reclamaram?

Voltando à rotina noturna de Paulo, os vizinhos não aguentaram o barulho por muito tempo. O que era economia para ele virou noite mal dormida para o andar inteiro.

Depois de conversas ignoradas, o caso foi ao síndico e à prefeitura. Uma medição apontou que o ruído passava do limite permitido para o período noturno. Veio a notificação e, com a reincidência, a multa. A economia de meses não cobriu nem parte da penalidade.

Mas afinal, o que a lei brasileira diz sobre barulho de eletrodoméstico?

E se ninguém proíbe lavar roupa em casa, a pergunta é onde está o limite. A resposta começa no art. 42 do Decreto-Lei 3.688/1941, que trata a perturbação do sossego alheio como infração.

O barulho excessivo também pode ser enquadrado como poluição sonora pela Lei 9.605/1998, de crimes ambientais. Cada município ainda fixa seus próprios horários de silêncio e limites de decibéis, quase sempre mais baixos à noite. Lavar roupa é livre, incomodar o prédio todo não.

Quais pontos tornam o barulho passível de multa?

No caso de Paulo, não foi a máquina que o condenou, mas o horário e o volume. A diferença entre uso normal e perturbação filtra o que a lei permite.

Os pontos que pesam numa autuação são estes:

1
Horário noturno tem proteção maior Entre 22h e 7h o limite de ruído cai e a tolerância do vizinho e da lei também.
2
Ruído acima do limite do município Cada cidade fixa decibéis máximos, e a medição oficial comprova quando foram ultrapassados.
3
Aparelho sem barreira de som Na varanda, sem parede, o barulho se espalha e fica muito mais fácil de constatar.
4
Reincidência agrava a penalidade Após a notificação, repetir o incômodo abre caminho para multa e outras sanções.

A lei existe para impedir alguém de usar a própria máquina?

Diante dessa multa, fica a pergunta: por que a lei se mete no uso de um eletrodoméstico dentro de casa? A regra do art. 1.277 do Código Civil não proíbe ninguém de lavar roupa, protege o sossego de quem mora ao lado.

Ela existe porque o descanso noturno é condição básica de saúde, e o barulho de um afeta o sono de muitos. A sociedade preferiu fixar horários e limites a deixar cada um decidir sozinho quanto ruído o vizinho tem que aguentar de madrugada.

Leia também: Filha paga R$ 72 mil de IPTU atrasado para evitar o leilão da casa do pai e descobre na herança que o valor não seria descontado da parte dos irmãos.

O que muda quando comparamos o hábito de Paulo com o caminho legal?

A diferença entre a economia de Paulo e um uso que não geraria multa não está na máquina nem na vontade de poupar, mas no horário e no cuidado com o som. Faltou atenção à regra, não faltou bom senso financeiro.

A comparação entre o que Paulo fez e o que a lei permite fica clara na tabela:

Etapa O que Paulo fez O que a lei permite
Horário de uso Quando ligar o aparelho Centrifugava de madrugada, no silêncio do prédio Período protegido
Local da máquina Onde ficava instalada Deixou na varanda, sem barreira de som Conter o ruído
Reação à reclamação Depois do primeiro aviso Manteve o hábito mesmo após as queixas Ajustar de imediato

O que se aprende com a história de Paulo?

Paulo não queria incomodar ninguém, só pagar menos na conta de luz, e querer economizar nunca foi o erro. O problema foi ignorar que o barulho de madrugada pesa diferente aos olhos da lei, e insistir mesmo depois das primeiras reclamações dos vizinhos.

Quem realmente quer economizar com a tarifa noturna sem levar multa precisa seguir esse roteiro: conferir o horário de silêncio e o limite de decibéis do próprio município, tirar a máquina da varanda ou instalar base antivibração para abafar o som, respeitar a convenção do condomínio sobre uso das áreas e, diante de uma reclamação, ajustar na hora em vez de insistir, porque uma única autuação costuma apagar meses de economia na conta de luz.