Como manter a mente ativa após os 90 anos: neurologistas explicam a estratégia da reserva cognitiva que vai além de jogos de memória - Super Rádio Tupi
Conecte-se conosco
x

Saúde

Como manter a mente ativa após os 90 anos: neurologistas explicam a estratégia da reserva cognitiva que vai além de jogos de memória

Interação social e aprendizado contínuo protegem o cérebro mais que exercícios tradicionais; entenda o que funciona de verdade

Publicado

em

Compartilhe
google-news-logo
Mãos de idoso sobre cabo de bengala de madeira, vestindo casaco cinza
Créditos: depositphotos.com / AndrewLozovyi

Manter a mente ativa e preservar a autonomia depois dos 90 anos é possível, mas não depende apenas de fazer palavras cruzadas ou jogos de memória. A ciência aponta que a capacidade do cérebro de lidar com as mudanças naturais do envelhecimento também está relacionada à chamada reserva cognitiva, construída ao longo da vida.

Mas o que, de fato, ajuda a fortalecer essa reserva e manter o cérebro funcional na velhice? Segundo especialistas, uma combinação de aprendizagem, atividade física, convivência social e estímulos intelectuais pode contribuir para preservar as funções cognitivas. Além disso, esses hábitos ajudam a reduzir o impacto do envelhecimento cerebral.

O que explica essa clareza mental?

A longevidade com autonomia não acontece por acaso. Na verdade, ela resulta de um processo contínuo de estímulos. Geriatras explicam que o segredo está na construção da chamada “reserva cognitiva”. O conceito funciona como uma espécie de poupança de conexões neurais que o cérebro usa para compensar perdas naturais da idade.

Essa reserva cresce com um conjunto de hábitos que vão muito além dos jogos de memória. Além disso, segundo especialistas em geriatria, a curiosidade constante representa um dos principais estímulos para manter o cérebro jovem e ativo.

A vida social pesa mais que o raciocínio lógico?

Sim, e de forma significativa. Manter laços sociais fortes e uma rotina de conversas e encontros representa um dos exercícios mais potentes para a mente e a saúde cerebral. Afinal, a interação humana exige que o cérebro processe emoções, linguagens e contextos complexos em tempo real.

Além disso, estudos de acompanhamento com idosos mostram uma associação entre a participação em grupos comunitários, a manutenção de laços sociais fortes e um menor risco de declínio cognitivo acelerado.

Então, todo esquecimento na velhice é sinal de doença?

Não, e é fundamental desfazer essa confusão. Pequenos lapsos de memória, como esquecer onde deixou as chaves, fazem parte do processo normal de envelhecimento. No entanto, o sinal de alerta, segundo a Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), surge quando o esquecimento afeta a capacidade de realizar tarefas antes rotineiras.

Por exemplo, confundir pessoas próximas ou se perder em trajetos conhecidos são situações que merecem uma avaliação médica. Além disso, a ideia de que a demência é uma sentença inevitável para todos que envelhecem é um mito. Essa percepção pode gerar ansiedade e ainda atrasar diagnósticos precoces.

Quais práticas realmente funcionam?

Além do convívio social, especialistas recomendam a aprendizagem de novas habilidades. Por exemplo, a pessoa pode aprender um idioma, tocar um instrumento musical ou até mesmo usar uma nova tecnologia. Nesse processo, o esforço para aprender algo do zero estimula novas conexões neurais.

Da mesma forma, a atividade física regular também é indispensável. O exercício aumenta o fluxo sanguíneo para o cérebro e, consequentemente, melhora a oxigenação e a nutrição das células nervosas, conforme aponta o Colégio Americano de Medicina Esportiva.

Por fim, a saúde da mente envelhece melhor quando recebe estímulos de novidade e afeto. Portanto, manter o cérebro ativo envolve mais do que repetir velhos hábitos: exige também aprender, movimentar-se e cultivar relações ao longo da vida.