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Saúde

Exaustão eleitoral: como o excesso de notificações sobre política em redes sociais afasta eleitores e gera ansiedade

Hipervigilância digital dispara cortisol e ansiedade; estratégias simples ajudam a proteger a saúde mental

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Pessoa de pele escura com suéter escuro segura um celular branco e esfrega o olho
Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy

Sentir que precisa checar cada notificação para se manter informado sobre a política brasileira, especialmente por conta da chegada do segundo turno das eleições, pode parecer uma obrigação. No entanto, proteger sua saúde mental do bombardeio digital não é um luxo. Na verdade, pode ser necessário para evitar o esgotamento.

O fluxo constante de mensagens em grupos cria um estado de hipervigilância. Com isso, mantém o cérebro em alerta máximo e pode aumentar a liberação de hormônios do estresse, como o cortisol.

Por que as notificações constantes nos deixam tão ansiosos?

Cada alerta sonoro ou visual do celular busca capturar nossa atenção. Nesse sentido, o mecanismo pode acionar o sistema de recompensa do cérebro e liberar dopamina, além de criar um ciclo vicioso de checagem compulsiva.

Além disso, especialistas em psicologia digital explicam que o cérebro pode não distinguir um alerta sobre uma emergência real de uma nova mensagem em um grupo. Assim, os dois estímulos podem adquirir o mesmo senso de urgência.

Por consequência, esse hiperestímulo pode contribuir para a fadiga cognitiva, a dificuldade de concentração e o aumento da ansiedade e da irritabilidade. Além disso, esses efeitos podem prejudicar o sono e o bem-estar geral.

A mobilização política digital virou um gatilho?

Sim. O que antes funcionava como uma ferramenta de engajamento também pode se transformar em uma fonte de pressão contínua. Além disso, a mobilização digital por meio de grandes grupos ganhou força em eleições anteriores e continua presente no cenário político atual.

Nesse contexto, o sentimento de urgência e a necessidade de pertencimento a uma causa política podem fazer com que o usuário se sinta culpado ao se desconectar. Dessa forma, a participação cívica pode se misturar à exaustão mental.

Preciso ler tudo para ser um cidadão engajado?

A resposta direta é não. O excesso de informação de baixa qualidade, incluindo notícias falsas e discussões acaloradas, pode gerar mais confusão do que clareza. Por isso, o esgotamento digital pode produzir justamente o efeito contrário: apatia e afastamento do debate público.

Além disso, especialistas reforçam que um cidadão bem-informado precisa consumir conteúdo de qualidade e ter tempo para processá-lo. Em um ambiente de notificações incessantes, esse processo pode ficar mais difícil.

Por outro lado, proteger a saúde mental não significa abandonar o debate público. Na prática, estabelecer limites pode ajudar a manter um engajamento mais saudável e sustentável.

Como posso praticar a higiene mental digital?

Adotar pequenas práticas pode fazer uma grande diferença na rotina e reduzir o estresse associado aos grupos de mensagens. Para isso, a chave é retomar o controle sobre a tecnologia, e não o contrário. Siga estes passos práticos:

  • Desative as notificações de grupos: Vá às configurações do aplicativo e silencie os grupos. Assim, você pode deixar os alertas apenas para conversas individuais importantes.

  • Estabeleça horários de checagem: Defina dois ou três momentos específicos do dia para abrir os grupos e se atualizar. Por exemplo, escolha o início da manhã e o fim da tarde.

  • Use o modo “Não Perturbe”: Configure o celular para silenciar chamadas e alertas durante o trabalho, as refeições ou nas horas que antecedem o sono. Dessa forma, você reduz as interrupções nesses períodos.

  • Saia de grupos desnecessários: Faça uma análise sincera e permaneça apenas nos grupos essenciais. Afinal, reduzir o excesso de notificações pode facilitar o controle da rotina digital.